Obras no Largo do Caldas eram para durar três meses mas demorarão nove

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Fernanda Ribeiro

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URBANISMO

Santa Maria Maior

14 Agosto, 2014

Em Lisboa, há obras que se eternizam. Os mais novos já nem conhecerão o significado da expressão popular que, durante muito tempo, retratou essa situação – as “obras de Santa Engrácia”, que se referiam ao prolongar dos trabalhos, ao longo de séculos, na Igreja do Panteão Nacional. Mas tanto eles como a restante população lisboeta encontram pela frente, ainda hoje, e diariamente, obras que sistematicamente não cumprem prazos.

 

Um bom exemplo são as obras de repavimentação do Largo do Caldas – de seu, nome Largo Adelino Amaro da Costa. Iniciaram-se em Janeiro deste ano, com um prazo de conclusão que fazia prever o seu fim em Março/Abril. Mas, afinal, em vez dos três meses estimados, os trabalhos já levam oito meses de duração. E a perspectiva é de só terminarem em Setembro, ou mesmo em Outubro.

 

Ao longo desse tempo, a vida de muita gente é afectada, porque há desvios no trânsito, numa zona da Baixa onde o tráfego se tem tornado cada vez mais intenso, mas também porque os peões são empurrados para as faixas de rodagem e têm de caminhar no asfalto, que é cruzado em simultâneo por dezenas de automóveis. Isto quando podem andar por ali a pé, porque vários moradores da área já tiveram mesmo de fazer desvios e caminhar por percursos muito mais longos, em alturas em que foi vedado também a eles o acesso a determinadas ruas.

 

O Corvo contactou o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, que desde logo enjeitou responsabilidades pelo atraso das obras e esclareceu: “A obra é da Câmara Municipal de Lisboa e é a ela que se devem pedir os esclarecimentos”, disse Miguel Coelho, adiantando já ter ele próprio questionado a este respeito os responsáveis autárquicos.

 

“De facto, os trabalhos atrasaram muito, mas, segundo a informação que me foi prestada pela câmara, deverão estar concluídas dentro de um mês ou mês e meio”, diz o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior. Miguel Coelho não sabe exactamente a que se deveu tanta demora. Mas parece que a culpa foi… “da chuva”. E “do Inverno rigoroso”.


 

“A explicação que me foi dada é que as chuvas, que foram muito intensas este Inverno, atrasaram os trabalhos”, afirma o autarca, tentando justificar a situação com o argumento que tem sido invocado até à exaustão para muitos incumprimentos de prazo.

 

O Corvo contactou a Câmara Municipal de Lisboa, em particular o gabinete do vereador Jorge Máximo, responsável pelas obras no Largo do Caldas, e apurou que “a previsão para o términus dos trabalhos é o fim do mês de Setembro”.

 

Os atrasos registados deveram-se a vários factores, nomeadamente a  “constrangimentos provocados pelo desvio de tráfego, que impossibilitou ter sempre em execução duas frentes de trabalho”. Além disso, registaram-se “imprevistos, quando da abertura de caixa de fundação do pavimento a aplicar, com vários desvios e adaptação de caixas de concessionárias e respetivos cabos”.

 

Por fim, para o atraso contribuiu “a execução de caixas de inspeção ao coletor, que não estavam previstas” e houve ainda “algumas paragens de trabalho para possibilitar a recolha e inspeção por parte do arqueólogo permanente em obra”. A resposta da autarquia não esclarece, porém, o que foi encontrado pelo arqueólogo de serviço.

 

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As obras estão a cargo da empresa espanhola Fitonovo, prestadora de serviços ambientais e de obras de infraestruturas viárias, que em Portugal tem diversos contratos e, em Lisboa, é responsável por 19 empreitadas que lhe foram adjudicadas pela Câmara Municipal – de acordo com os dados relativos a contratos públicos. Entre elas está a criação do Jardim da Cerca da Graça, uma obra que tinha conclusão prevista para Setembro de 2013, mas que nunca foi terminada e está agora parada, desde há vários meses.

 

Em Espanha, a Fitonovo está presentemente em tribunal, por suspeitas de subornos em troca de contratos municipais, num caso que levou já à detenção de cinco pessoas, entre elas o filho do dono da empresa José António Gonzalez, que admitiu ter pago para obter contratos municipais, em particular no município de Sevilha.

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