Obras na Alameda da Universidade de Lisboa complicam trânsito

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Fernanda Ribeiro

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David Clifford

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MOBILIDADE

Alvalade

28 Outubro, 2013

O objectivo das obras realizadas na Alameda da Cidade Universitária era melhorar a qualidade do campus da Universidade de Lisboa, reduzindo o trânsito naquela zona e escoando-o para a Avenida das Forças Armadas – exceptuando a circulação de ambulâncias entre o Campo Grande e o Hospital de Santa Maria. Mas o resultado dos trabalhos já executados, com a criação de uma via única de circulação nas laterais ao edifício da Reitoria da Universidade de Lisboa, tem sido bem diferente. E até perverso. O trânsito continua a fazer-se por ali, muitas vezes bloqueia, sobretudo às horas de ponta, em que há engarrafamentos, tornando mais moroso o acesso dos veículos de emergência médica ao Hospital de Santa Maria.

Há condutores de ambulâncias que, para aceder à unidade hospitalar e evitar os engarrafamentos, vão dar uma volta maior, indo pela Avenida das Forças Armadas, tendo em conta a lenta circulação na zona da Cidade Universitária e os engarrafamentos, que podem representar perdas de tempo bem maiores. Ou seja, as obras realizadas não só não condicionaram o trânsito na Alameda da Universidade, tal como pretendia o projecto que esteve na origem das obras, como estão a produzir efeito inverso.

Recentemente, um acidente registado na Alameda da Cidade Universitária bloqueou o trânsito, não deixando escapatória a quem ali circulava, levando um dos automobilistas que presenciou a situação a questionar: “E se fosse uma ambulância que ali estivesse, como era? Não passava”.

Sem qualquer sinalização que o indique, há porém um desvio que pode fazer-se e que contorna o estrangulamento. Imediatamente antes de se entrar na via única, há uma saída que segue pela lateral da Faculdade, vai depois rente ao Hipódromo e, por fim, desemboca junto ao Estádio Universitário. Mas poucos parecem conhecer este desvio. E para as ambulâncias traduz-se também num percurso maior.

Nada na Alameda da Universidade indica que as vias laterais se destinam exclusivamente a tráfego local, não tendo o restante tráfego sido ali proibido, pelo que veículos ligeiros e pesados continuam a circular pelas faixas únicas existentes de um e outro lado da Reitoria da Universidade de Lisboa.

Ainda antes das eleições autárquicas, o Corvo ouviu o vereador responsável pela Mobilidade, mas Fernando Nunes da Silva esclareceu que subscrevera para aquela zona uma proposta diferente, dos serviços da Direcção Municipal da Mobilidade e Transportes, a qual, porém, “não foi considerada adequada para o projecto de intervenção na Alameda da Universidade”.

“As obras em curso na Alameda da Cidade Universitária obedecem a um plano desenvolvido pelo pelouro do Urbanismo e estão a ser executadas sob a supervisão da Direcção Municipal de Projectos e Obras. Ambos os serviços estão sob a tutela do Sr. Vice-presidente Manuel Salgado”, disse Nunes da Silva. O Corvo tentou, ao longo de várias semanas, ouvir o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, mas sem êxito.

O projecto em curso está orçado em 800 mil euros. Os trabalhos já executados consistiram na retirada do estacionamento que existia em frente à Reitoria da Universidade de Lisboa, espaço esse que foi empedrado – tal como as vias de circulação laterais -, ampliando desse modo a praça fronteira ao edifício, que se estende agora com relvados até ao Campo Grande.

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Estes trabalhos tiveram como base uma proposta apresentada ao Orçamento Participativo de 2011, intitulada “Uma verdadeira Cidade Universitária” e na qual se propunha a execução de obras em duas fases. A primeira, de condicionamento do trânsito. “Esta proposta pretende criar um verdadeiro campus universitário”, começa por referir a proposta, recomendando que para tal “o trânsito seja condicionado, a zona requalificada e criadas as condições para a fixação de população estudantil”.

“A primeira parte é fácil e barata: condicionar o trânsito na cidade universitária. E para tal basta cortar a ligação da Alameda da Universidade ao Campo Grande, mas de modo a permitir a passagem de ambulâncias para acesso rápido ao Hospital de Santa Maria. Isto não tem inconvenientes de maior, o trânsito passa para a Avenida das Forças Armadas”, afiança a proposta.

Mas o projecto executado pelo pelouro do Urbanismo da câmara não parece ter sido fácil, nem barato. Orçou em 800 mil euros e grande parte do trânsito continua a fazer-se pela Alameda da Universidade.

A segunda fase da proposta apresentada ao Orçamento Participativo de 2011 dizia respeito à construção de residências para estudantes. “Para trazer vida a esta parte da cidade é preciso que as residências universitárias sejam mudadas para este espaço. Para não urbanizar ainda mais a zona, poderá tentar-se a saída do Hipódromo e do Horto do Campo Grande para outras zonas da cidade”, propunha o documento apresentado ao Orçamento Participativo de 2011.

“No espaço libertado , poderiam construir-se não só as residências como também equipamentos de apoio, supermercados, etc..”, afirmava a proposta, numa aparente contradição, já que na Avenida das Forças Armadas existem residências universitárias.

Desconhece-se se a autarquia pretende ter em conta esta segunda fase da proposta, uma vez que o vereador Manuel Salgado não respondeu ao pedido de esclarecimento que lhe foi enviado. Quanto à primeira fase das obras, o resultado está longe de cumprir o objectivo da proposta que lhe deu origem.

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COMENTÁRIOS

  • Luís Leite
    Responder

    Está cada vez mais difícil passar da zona ocidental para a zona oriental de Lisboa, atravessando o eixo Av. da Liberdade, Fontes Pereira de Melo, Saldanha, Av. da República, Campo Grande. Av. das Forças Armadas é uma ratoeira.

  • Shima Sara
    Responder

    Estas obras foram totalmente inconscientes e só dificultam a vida de quem diariamente acede, por exemplo, à faculdade de letras. Não só os autocarros demoram muito mais tempo como se perdeu estacionamento. A própria avenida das forças armadas é um caos incirculavel. Posso dizer que ainda esta semana, num dia de chuva, demorei 40 minutos da universidade católica à rotunda das forças armadas. É surreal!

  • PF
    Responder

    Parece-me que seria muito mais lógico, se o objetivo é limitar o trânsito, que a passagem fosse reservada a ambulancias e autocarros. Todo o restante tráfego apenas poderia aceder à “parte de baixo” ou à “parte de cima”, sem possibilidade de utilizar os desvios laterais, senão o problema mantém-se.

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