No Areeiro, parece haver, enfim, uma “luz ao fundo do túnel” do Metropolitano de Lisboa e dos acessos que, há muito, se encontram vedados e sujos, na zona compreendida entre a Avenida João XXI e a Rua Padre Manuel da Nóbrega. O ano de 2016 será, possivelmente, aquele que irá permitir ultrapassar o impasse nas intermináveis obras de ampliação e remodelação da estação do Areeiro.

 

A transportadora garante agora ao Corvo que prevê executar a conclusão dos trabalhos no átrio norte ao longo do próximo ano. “A Transportes de Lisboa-Metropolitano de Lisboa encontra-se a consolidar o projeto de remodelação do átrio norte da Estação Areeiro, prevendo executar a totalidade da obra em 2016”, diz a empresa, em resposta às questões colocadas.

 

Depois de sete anos de incómodos à superfície, causados pela transformação da praça num estaleiro, prejudicando moradores e comerciantes, as obras iniciadas em 2008 tinham um fim previsto para 2011. Mas tal não aconteceu. Os trabalhos prolongaram-se e, em 2014, o anterior presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, que ali morava, “fugiu” do cenário que se deparava na Praça do Areeiro, como o próprio afirmou numa sessão da Assembleia Municipal de Lisboa.

 

Há um ano, depois de ter sido terminado o átrio sul, as obras transitaram para a zona compreendida entre a Avenida João XXI e a Rua Padre Manuel da Nóbrega, a zona do átrio norte. Mas foram suspensas, poucos meses depois, na sequência de um litígio com o empreiteiro, a Hagen – conflito que se revelou “insanável”, nas palavras da transportadora. E o território ocupado pelos estaleiros ficou a parecer uma terra de ninguém, em plena cidade, que todos sujam e ninguém limpa.

 

Lixos acumulados nas escadas de acesso à estação, agora tapadas por uma rede metálica, bem como ervas daninhas a crescer na área vedada estão ainda à vista, seja na zona virada à praça, seja na dos acessos da Rua Padre Manuel da Nóbrega. Cenário que entristece e indigna quem ali passa. “É degradante, com aquelas cercas horríveis. Uma mancha negra que retirou àquela zona a coerência urbanística que o Areeiro tinha. Se não vão fazer nada, então era melhor demolir o que lá está”, disse ao Corvo Ana Teresa Medeiros, uma antiga moradora, que ficou indignada quando recentemente ali passou.

 

Queixas e muitas têm também os comerciantes, que desesperam pelo fim dos trabalhos do Metro. Na Pastelaria Cinderela, que abriu portas no Areeiro em 1951, tem-se sentido bastante o impacto destas obras. “Estes últimos quatro anos têm sido terríveis, muitos clientes deixaram de cá vir”, diz José Félix, que ali trabalha há várias décadas. “

 

Com os acessos à estação fechados e a mudança da praça de táxis, que aqui existia, para o outro lado (agora junto às Chaves do Areeiro), houve muito cliente que se perdeu. A situação está muito difícil, não sei se vamos aguentar-nos”, acrescenta o dono da pastelaria. E nem quando O Corvo lhe diz que o Metropolitano de Lisboa prevê enfim realizar a obra o longo de 2016, José Félix se anima. “O quê? Ainda mais um ano? Isso é terrível!”, responde.

 

Mas tudo indica que é o que vai acontecer. Até porque o Metropolitano está ainda a rever o projecto e vai lançar novo concurso – processo habitualmente muito muito moroso. “A Transportes de Lisboa confirma que a obra de remodelação do átrio norte da estação de Metro do Areeiro se encontra suspensa, por incumprimento contratual, insanável, por parte do empreiteiro. A empresa está a atualizar o projeto, face ao que ainda se encontra por executar, bem como a preparar novo procedimento concursal, com objetivo de retomar e concluir as obras durante o próximo ano”, disse ao Corvo fonte da transportadora.

 

Texto: Fernanda Ribeiro

 

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