É verdade que se tratou de um mero acaso, pois coisas destas sucedem o tempo todo nas ruas da cidade. Mas lá que está carregado de simbolismo, isso é inescapável. O final de tarde deste sábado tornou-se assaz complicado para a circulação automóvel e de peões na ligação entre a Praça da Figueira e o Rossio, quando dois veículos pesados de transporte de turistas tocaram entre si na ponta final da Rua da Betesga, na passadeira que dá acesso à Rua Augusta, e aí se imobilizaram. Um daqueles autocarros de dois pisos e sem tejadilho, que asseguram circuitos pelos locais mais emblemáticos de Lisboa, e um mais extravagante e novo veículo anfíbio que por aí anda bateram ao de leve entre si, ao desfazer da curva da Betesga que marca a entrada na Praça Dom Pedro IV.

 

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Foi o suficiente para causar a confusão naquele ponto da Baixa, já sempre apinhado de gente – sobretudo de turistas. Entre a notória dificuldade acrescentada à circulação automóvel e pedonal, muitos foram os que ficaram a observar as diligências da polícia de trânsito, a opinar sobre o que teria sucedido e a quem se poderiam assacar eventuais responsabilidades, mas também a tirar fotos. Num momento em que são cada vez mais as vozes a questionarem a dimensão que o negócio turístico está a atingir em Lisboa, e as suas possíveis consequências nos mais diversos aspectos da dinâmica urbana, não é sem uma certa ironia que se aprecia uma cena destas.

 

Texto: Samuel Alemão

  • Paulo Bastos
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    Tudo ao monte e fé em Deus

  • Jorge Parente Baptista
    Responder

    Acidentes acontecem em todo o lado. Somos um país quase sem indústria, por isso não mordam no turismo, que dá de comer a muito português.Isto parece a página do Velho do Restelo..

  • Alexandre Nunes
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    Parque temático no seu melhor…

  • Responder

    Se os Jorges preferem investir no turista estrangeiro porque ele já traz o dinheiro prontinho, pouco há a perceber porque é fácil perceber. Mas ser modelo de futuro é que é mais dificil.
    O que é verdade é que, por exemplo com o modelo das auto-estradas e dos estádios de futebol – a construção cívil – também foram vias que nos fizeram acreditar nelas, mas hoje sabemos o que acabaram por trazer.

  • Lino Palmeiro
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    Chama-se a isto “Meter o Rossio na Betesga”.

  • João Véstia
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    Por acaso já tinha visto esse barco autocarro envolvido num toque aí mesmo à saída da Rua da Betesga, por alturas do último natal.

  • hUGO rAMOS
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    Eis a xenofobia lusitana a renovar-se: os imigrantes já se foram todos embora, vamos dizer mal dos turistas! Vai-te embora ó camone que fazes mal ao trânsito!

    O contraargumento nem é o emprego que o turismo cria nem o equilíbrio do défice com o dinheirinho vindo de fora. Termos turistas na nossa cidade devia ser um orgulho; se eles vêm é porque acham que temos uma capital linda, digna de visitar.

    É má educação e falta de hospitalidade querer enxotá-los a pretexto de “questionar a dimensão que o negócio turístico está a atingir em Lisboa”.

  • Jorge Parente Baptista
    Responder

    Sr Luis, o dinheiro prontinho do turista é um dinheiro limpo. Só cá vem quem quer e ainda bem que os turistas vêem. Quem constroi hoteis são os privados, que nada têm a ver com estádios ou auto-estradas…

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