O Metro na Segunda Circular?

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Samuel Alemão

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Cidade de Lisboa

15 Janeiro, 2016

A imagem funciona como uma antevisão daquilo a que se poderia assemelhar uma linha do Metropolitano de Lisboa a construir no corredor central da Segunda Circular. E foi concebida por Nuno Raimundo, um arquiteto de 26 anos que decidiu apresentar a sua contribuição no âmbito do processo de consulta pública sobre o projeto de requalificação daquela via, anunciado pela Câmara Municipal de Lisboa no mês passado – a qual deveria terminar nesta sexta-feira (15 de Janeiro), mas viu o prazo prolongado por mais 15 dias.

“A ideia essencial passa pela sugestão de uma alternativa ao transporte individual para o mesmo percurso. Por que não aproveitar a barreira existente com o separador central? Ela vai lá continuar, pois a reformulação da via não prevê a colocação de passadeiras ou de semáforos”, afirma ao Corvo o proponente, para quem esta pode ser uma oportunidade única de concretizar a expansão do mais relevante transporte público da cidade. “Os autocarros, apesar de importantes, não podem oferecer o mesmo serviço”, diz.



Na verdade, diz Nuno Raimundo, para que a sua contribuição para o processo de reabilitação da Segunda Circular fosse eficaz nem seria necessário que a mesma se concretizasse através da construção de mais uma linha do Metropolitano de Lisboa. Um sistema de metro ligeiro de superfície ou até uma linha de eléctrico rápido também serviriam bem as mesmas funções: assegurar a ligação em transporte público de qualidade, como alternativa ao omnipresente automóvel, entre o Aeroporto de Lisboa e a estação de caminhos-de-ferro de Benfica, utilizando para tal o canal central da maior via distribuidora de tráfego automóvel da cidade. Uma possibilidade, afinal, já prevista, há alguns anos, no Plano Director Municipal (PDM) de Lisboa, quando se discutia a revisão.

Tal linha asseguraria a continuação da linha vermelha, a partir da atual estação do Aeroporto. A nova ligação, que o jovem arquiteto definiu como “Linha Laranja”, acrescentaria seis novas estações ao diagrama existente: Aeroporto – Terminal 2 (junto ao terminal 2 do aeroporto); Campo Grande (junto à atual estação de metro); Luz (junto às Torres de Lisboa e à nova ponte pedonal e ciclável); Colégio Militar (junto à atual estação de metropolitano Colégio Militar/Luz); Fonte Nova (junto ao centro comercial Fonte Nova); Benfica, (junto à atual estação de comboios de Benfica). De uma ponta à outra, uma ligação com 7,6 quilómetros de extensão.

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Como seria a rede de Metropolitano de Lisboa com a nova Linha Laranja.

As vantagens de tal projeto seriam muitas e significativas, de acordo com o seu autor. A primeira da quais seria a expansão da rede de metropolitano “para locais de alta densidade populacional e mal servidos de transporte público, nomeadamente a zona de Benfica, servindo cerca de 1,4 quilómetros quadrados adicionais de cidade, sem se sobrepor às áreas servidas pela atuais estações”. Tal “aumentaria a eficácia da rede de transportes colectivos de Lisboa, criando novas correspondências e ligações entre as linhas vermelha (Aeroporto), amarela (Campo Grande), verde (Campo Grande) e azul (Colégio Militar), e ainda com a linha de comboios de Sintra, na estação Benfica”.

Além disso, a nova ligação de metro “permitiria servir o Terminal 2 do aeroporto, em franca expansão, ligando-o ferroviariamente ao Terminal 1” e, defende o arquiteto, “melhoraria significativamente o ambiente da cidade, com mais impacto a longo prazo que a simples plantação de árvores, por constituir uma alternativa concreta ao transporte individual”. Embora não avance com uma avaliação económico-financeira, Nuno Raimundo diz que a extensão da rede de metro “não teria custos avultados em comparação com a criação de uma nova linha de raiz, visto que a infraestrutura básica já existe”. A isto juntar-se-ia ainda o já referido aproveitamento de uma barreira física também já existente constituída pelo separador central.

A propósito deste facto, a proposta refere: “O principal problema dos metros de superfície é a criação de uma barreira física, sempre de evitar. Ora, neste caso, a barreira física já existe, pelo que seria uma maneira de tirar o maior proveito dela e atenuar os seus efeitos negativos na cidade”. Mas o exercício não deixa de admitir, mais à frente, que a opção por uma solução de metro ligeiro, “tipo Metro do Porto”, “atenuaria o impacto visual e o efeito barreira psicológico”.

Para tal ligação se revelar possível, Nuno Raimundo diz que seria necessário proceder ao “encurtamento da largura das vias de rodagem da Segunda Circular para 3,00 metros ou, em alternativa, supressão de uma via por sentido” – o projecto que a Câmara Municipal de Lisboa quer levar a cabo prevê uma redução de 3,25 metros para 3,10 metros. As seis estações e seus acessos teriam acessos subterrâneos ou até elevados. Mas o arquiteto considera que “que se deve tirar partido do facto de a Segunda Circular já estar elevada para permitir às pessoas que acedam a partir da superfície da rua”.

Para tal ligação se revelar possível, Nuno Raimundo diz que seria necessário proceder ao “encurtamento da largura das vias de rodagem da Segunda Circular para 3,00 metros ou, em alternativa, supressão de uma via por sentido” – o projecto que a Câmara Municipal de Lisboa quer levar a cabo prevê uma redução de 3,25 metros para 3,10 metros. As seis estações e seus acessos teriam acessos subterrâneos ou até elevados. Mas o arquiteto considera que “que se deve tirar partido do facto de a Segunda Circular já estar elevada para permitir às pessoas que acedam a partir da superfície da rua”.

Não deixando de elogiar as qualidades e os méritos do projecto da CML – nomeadamente, a mitigação das atuais características de auto-estrada da Segunda Circular e a “a redução do impacto de barreira física e visual que a via cria na cidade” -, Nuno Raimundo considera que o facto de o mesmo não oferecer alternativas de mobilidade ao transporte individual. “Uma previsível consequência negativa deste facto é que, mesmo com as limitações impostas, as pessoas não procurarão meios alternativos de transporte. Por conseguinte, os problemas de trânsito agravar-se-ão”, diz.

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