A inscrição “você está aqui” na planta de um cemitério pode ferir a sensibilidade de visitantes mais susceptíveis em matérias relacionadas com a morte? Não se sabe se será por esse motivo que, no Alto de São João, o mapa desenhado em novas placas de sinalização ignora a localização precisa do observador naquele que é um dos principais espaços fúnebres de Lisboa.

As placas modernaças dos serviços de Ambiente e Espaços Verdes da Câmara Municipal de Lisboa (CML) destacam-se entre a envolvente arquitectónica clássica do lugar. Um mapa, por cima de uma descrição genérica do cemitério criado em 1833, na sequência de um surto epidémico de cólera, assinala os principais pontos do espaço: capela, forno crematório, sala de espera, serviços administrativos, sala de lavagem de ossos, cendrário, instalações sanitárias e cripta dos combatentes. O número de cada secção não é esquecido, devidamente distribuído pelo perímetro de 22 hectares desenhado na encosta poente do vale de Chelas.

O visitante é informado que está na que, durante mais de um século, foi a maior necrópole da capital, “razão que explica o seu carácter ecléctico”, com construções de cariz popular misturadas com monumentos arquitectónicos, como os jazigos à entrada, da Misericórdia e do visconde de Valmor. O crematório, de 1925, foi o primeiro do país. A autarquia está a promover um projecto de valorização do património funerário, através da sinalização dos jazigos com interesse cultural.

 

AS Joao 2

 
Embora a CML disponibilize um serviço de mini-bus para facilitar as deslocações no recinto, há placas que omitem o local onde estão implantadas. Assim, para os visitantes menos assíduos torna-se difícil decifrar onde se localizam os diferentes espaços. Quem, por exemplo, se deslocar a um ossário na secção 18 pode ter dificuldade em descobrir o Jardim da Saudade – um dos quatro cendrários para depositar cinzas e que dista apenas alguns metros da placa.

A par da necessidade de reabilitação de muitos ossários e de jazigos – indispensável para a salvaguarda do património e deste espaço de memória, onde repousam os restos mortais dos heróis de uns e de vilões para outros –, a sinalização no mapa ajudaria os visitantes com menor capacidade de orientação. Nem que fosse com uma simbólica estrela…

Texto e fotografias: Luís Filipe Sebastião

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