Já é difícil imaginar o mês de Outubro na capital sem o DOC Lisboa. A edição número 11 do certame organizado pela APORDOC (Associação pelo Documentário) começa esta noite, em simultâneo na Culturgest, no São Jorge e no City Alvalade, e decorre até dia 3 de Novembro, em vários espaços da cidade. Propõe, como sempre, diversos percursos entre a larga centena de filmes a exibir: longas e curtas, a concurso ou em secções temáticas.

Do realizador francês Alain Cavalier será mostrada, em colaboração com a Cinemateca Portuguesa, uma retrospectiva da sua obra. O cineasta integra, na sua prática, um questionamento profundo sobre um vasto leque de problemas que tocam os binómios corpo próprio e corpo filmado, dentro e fora de campo, materialidade e imaterialidade, vida e morte, oferecendo-nos diários filmados, que são também uma reflexão sobre o mundo.

Esta postura vai bem com os tempos que vivemos e, por isso, a direcção do DOC Lisboa assume no editorial desta edição esta filosofia: “Talvez esta seja a verdadeira força política e ética do acto de filmar: trazer para o meio de nós uma certa justeza entre o infinitamente perto e o infinitamente longe. Fazer dessa distância uma tensão e dessa tensão um movimento expressivo do eu e do mundo.”

O mundo onde entroncam os filmes da secção Urgências. Nela cabem testemunhos de cidadania, retratos alternativos à realidade mostrada pelos media e que, todos os dias, abrem os noticiários do mundo. Serão mostrados trabalhos de realizadores oriundos de países como a Turquia, a Síria, o Brasil ou Rússia.

Entre as novidades deste ano há também um olhar retrospectivo sobre o golpe militar no Chile, quarenta anos depois, que estabelece pontes com a herança brutal que esse Setembro de 1973 introduziu na sociedade chilena e que perdurou até aos dias de hoje.

 

Texto: Rui Lagartinho     

Imagem: Descomedidos y Chascones, de Carlos Flores del Pino

 

Programa completo em www.doclisboa.org

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