Costuma dizer-se que o diabo está nos detalhes. Através deles, e retirada a retórica, poderá vislumbrar-se a essência das coisas. É o caso de como o espaço público é (mal) tratado em Lisboa. Veja-se este buraco existente num passeio da Rua Jacinta Marto, junto ao muro do Hospital Dona Estefânia, em Arroios. Há mais de um ano que espera da Câmara Municipal de Lisboa e da Junta de Freguesia de Arroios – e, antes dela, da extinta Junta de Freguesia de São Jorge de Arroios – uma acção que resolva de forma definitiva o problema. Intervenções já se viram algumas, mas a situação eterniza-se. E como não se tapa de vez o buraco, deitam-se-lhe umas guardas metálicas em cima, prevenindo males maiores – não vá alguém estatelar-se.

Tudo começou nos primeiros dias de Março de 2013, como o Corvo noticiou, no final desse mês. Depois de um pequeno rombo na calçada, começou a nascer uma cratera, com visível e crescente perigo para os peões. À boa maneira nacional, faltando intervenção, alguém colocou umas tábuas sobre o buraco e espetou por ali uma barras metálicas, às quais amarrou umas tiras plásticas de sinalização. Pouco depois, a polícia municipal (PM) isolou o local com as tais grades. Mas a intervenção de reparação do pavimento tardava. Só aconteceu no final da primavera. Durou alguns meses, até às primeiras chuvas. O buraco voltou a abrir, no final de 2013. Foi reparado. Mas, poucas semanas depois, o sorvedouro de terras renasceu.

 

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E assim ficou, até agora. Voltaram a ser colocadas as guardas metálicas da PM e, tal como no passado recente, o lixo vai-se acumulando dentro da reentrância deste pavimento vizinho do mais importante hospital pediátrico da capital. Face à ausência de obras, alguém achou que o melhor seria deitar as grades sobre o buraco. Talvez facilite a circulação. As mães com os carrinhos de bebé, muitas delas vindas do Dona Estefânia, avaliam a melhor forma de transpôr o obstáculo. Demais peões passam apressados e lançam olhares de soslaio para a cavidade. À noite, alguns tropeçam. No decurso do processo da transferência de competências e incompetências entre a câmara e as juntas, seria simpático que alguém interviesse.

 

Texto e fotografias: Samuel Alemão

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