A Direcção Geral do Património Cultural (DGPC) determinou a abertura de um processo de classificação do Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, situado no subsolo do edifício do BCP Millennium, cujos vestígios arqueológicos e urbanísticos são considerados de “importância excepcional” e com “um valor patrimonial de interesse nacional”.

O núcleo já terá sido visitado por perto de 130 mil pessoas, desde que abriu ao público, em 1995, de acordo com uma estimativa feita por aquela instituição bancária – que promove visitas gratuitas ao espólio ali patente.

O despacho determinando a abertura do processo de classificação, datado de 6 de Janeiro passado, foi ainda assinado pela ex-directora da DGPC, Isabel Cordeiro – que entretanto se demitiu dessas funções – e foi publicado no Diário da República do passado dia 3 de Fevereiro. O prazo para audição dos interessados decorre até dia 24 de Fevereiro, segundo informação constante no site do Igespar, onde se pode ficar a conhecer também as razões invocadas para o pedido de classificação: “a importância excepcional dos vestígios arqueológicos e urbanísticos” da Rua dos Correeiros, que “têm uma valor patrimonial de interesse nacional”.

Este núcleo arqueológico, que actualmente está aberto ao público para visitas guiadas diárias – de hora a hora, das 10h00 às 12h00 e das 14h00 às 17h00, excepto aos domingos e feriados –, é rico em vestígios de diferentes ocupações da cidade, que vão desde a Idade do Ferro até às épocas Pombalina e Pós-Pombalina.

Nele se podem encontrar artefactos de diferentes momentos históricos, desde lamparinas do período islâmico, a urnas funerárias das necrópoles romanas, jarros e potes da Idade Média, entre muitas outras peças identificadas. Mais surpreendentes ainda, até pelo bom estado de conservação, são também visíveis estruturas, seja de casas com lareira que se supõe datarem do século III A.C, até aos tanques das antigas fábricas de conserva de peixe, já da época romana, onde se produzia o garum, um molho e condimento muito utilizado até ao século V e que era até matéria de exportação.

As riquezas deste núcleo arqueológico percorrem todo o subsolo do quarteirão entre a Rua Augusta e a Rua dos Correiros, incluem poços de vários períodos históricos e estendem-se ainda aos vestígios do período pombalino, em que se podem ver partes das estruturas em gaiola – que davam elasticidade às edificações e lhes permitiam resistir aos tremores de terra. Ali, são visíveis as traves e as estacas que mergulham ao nível do lençol freático, sendo este o único sítio em Lisboa onde é possível ao comum cidadão observar a existência destas estruturas.

Este núcleo arqueológico foi descoberto em 1991, quando se iniciaram as escavações para a construção de caves no edifício do BCP, um projecto que a instituição bancária abandonou ao encontrar os diferentes vestígios de ocupação da cidade, tendo então decidido musealizar as descobertas.

A abertura ao público verificou-se em 1995, então com visitas gratuitas às quintas e sábados, uma periodicidade que aumentou a partir de 2009, em que passou a haver visitas guiadas todos os dias, de segunda a sábado.

Com o processo de classificação aberto em Janeiro passado, o Núcleo Arqueológico dos Correeiros passará a beneficiar de uma zona de protecção de 50 metros, contados a partir dos limites externos do edifício que ocupa quase todo o quarteirão, entre a Rua dos Correiros, de 9 a 29, e a Rua Augusta, de 66 a 96.

 

Texto e fotografia: Fernanda Ribeiro

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