Novo pólo cultural no antigo Hospital do Desterro talvez só mesmo no final de 2018

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Samuel Alemão

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URBANISMO

Arroios

27 Dezembro, 2017

Ainda não é uma certeza, apenas uma indicação de probabilidade. O projecto de reabilitação do antigo Hospital do Desterro e sua transformação num pólo comercial, turístico e cultural apenas deverá estar concluído no final do próximo ano. Essa é a expectativa da empresa promotora, a Mainside, a mesma que desenvolveu projectos como o LX Factory, em Alcântara, entretanto vendido, ou a Pensão Amor, no Cais do Sodré. Quando abrir, além de várias unidades de alojamento local, o espaço acolherá ainda áreas destinadas às terapias alternativas, à criação artística e ao comércio de produtos locais. Uma intervenção considerada, na altura do seu lançamento, em maio de 2013, fundamental para completar o processo de revitalização da Avenida Almirante Reis, iniciada no início da década, com as obras de reabilitação do Intendente e de diversos arruamentos da Mouraria – acompanhadas por diversos projectos de cariz sócio-cultural.

“Estamos em crer que será mais para o fim do ano. Mas não nos queremos dar uma resposta definitiva, devido aos atrasos que isto já leva e arriscar o ridículo por se voltar a não cumprir com a data prevista”, diz a O Corvo Susana Pais, actual responsável por um <strong><a href=”https://ocorvo.pt/transformacao-do-hospital-do-desterro-em-polo-cultural-parada-ha-quase-quatro-anos/”>projecto que se tem pautado por sucessivos atrasos</a></strong>, desde o seu anúncio. Quando o protocolo entre a Mainside, a Estamo (empresa que gere o património imobiliário do Estado) e a Câmara Municipal de Lisboa (CML) foi assinado, na primavera de 2013, prometia-se que o projecto estaria pronto no final desse ano. Ficaram as intenções, mas o tempo foi passando. Agora, na melhor expectativa, abrirá cinco anos depois. Daí que as expectativas em relação ao que surgirá sejam altas, admitem os promotores.

No final de 2014, e já depois de ser evidente a enorme delonga na concretização do plano anunciado pelo então presidente da CML, António Costa, como uma forma de garantir a regeneração de todo o território em redor do Intendente, ficou a saber-se que as alterações planeadas ao edifício haviam sido vetadas pela Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC). Isto porque colocariam em perigo a preservação de património classificado, nomeadamente a preservação de vãos e de caixilharia em madeira das janelas. Tal obrigou à revisão do projecto inicial por parte da Mainside, de forma a adequar-se às exigências patrimoniais. Algo que não explicará, porém, o prolongamento dos atrasos. “Essa questão do património já foi ultrapassada há muito. Temos demorado muito mais do que seria de supor, também porque existem outras entidades envolvidas, como a Estamo e a câmara, cada qual com o seu tempo de resposta”, explica Susana Pais, apontando para a burocracia como a principal responsável para que pouco ou nada tenha acontecido no local.

Algo que começou, contudo, a mudar há poucas semanas. Na fachada virada para a Avenida Almirante Reis, é agora possível observar tapumes recentemente colocados, atrás do qual decorrem trabalhos. Uma informação confirmada e explicada a O Corvo pela responsável da empresa de projectos imobiliários. “O projecto inicial era composto por várias fases, com diferentes tipos de intervenções, mas os atrasos sucessivos fizeram com que optássemos agora por compilar todas essas fases. Por isso, arrancámos já com a actual intervenção, para não atrasar ainda mais”, diz Susana Pais, salientando a necessidade de, ao longo do próximo ano, se respeitarem os prazos. Até porque, garante a responsável, apesar de já terem passado mais de quatro anos desde a concepção do projecto, “este manter-se-á inalterado”. “Será, grosso modo, mais ou menos que estava previsto”, assegura.

O que está previsto é a criação de diversas unidades de alojamento local, áreas para produtos locais – agrícolas, pois haverá espaço para hortas urbanas, mas também resultantes do trabalho de pequenos artífices -, espaços para terapias alternativas, bem como ateliês para artistas. Uma valência em sintonia com os pressupostos iniciais de transformar o espaço num “território experimental aberto a Lisboa e ao mundo” ou ainda de ali criar “grande escola, um campus de conhecimento”. Sobretudo numa zona de Lisboa que tem vivido um acelerado processo de regeneração e vindo a ser ocupada por jovens criadores. “Ter ali ateliês para artistas é sempre bom naquela zona da cidade”, considera Susana Pais, admitindo uma “grande expectativa em relação ao que vai surgir ali”.

Questionada em janeiro de 2017, por O Corvo, sobre as razões do atraso na prossecução do acordado com a CML e a Mainside, em 17 de maio de 2013, a Estamo, dona do imóvel, dizia que “o projecto em causa teve reformulações, que passaram pela ampliação da área de intervenção, seguindo subsequentemente a normal tramitação de aprovação de projectos de idêntica natureza”. E acrescentava: “Concluída tal fase, houve que seleccionar o empreiteiro, encontrando-se a empreitada, com um prazo previsível de seis/sete meses, em fase final de adjudicação”. Desta vez, questionada de novo, esclareceu não pretender qualquer comentário adicional ao que já foi tornado público.

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