Novo centro de escritórios de Lisboa entre Praça de Espanha, Sete Rios e Entrecampos

por • 16 Janeiro, 2017 • Actualidade, SlideshowComentários (12)1104

Uma revolução urbana e imobiliária com uma dimensão apenas comparável à ocorrida aquando da construção da Expo 98. A Câmara Municipal de Lisboa (CML) quer transformar o triângulo compreendido entre Praça de Espanha-Sete Rios-Entrecampos num novo “eixo terciário na cidade de Lisboa”, favorecendo ali o surgimento de um novo pólo de agregação de empresas e de serviços, possibilitando assim a criação de muitos novos postos de trabalho. A intenção está expressa na fundamentação da proposta para o lançamento da hasta pública dos terrenos onde, até setembro de 2015, existiu o mercado da Praça de Espanha, a apreciar pela Assembleia Municipal de Lisboa (AML), na tarde desta terça-feira (17 de janeiro). Trata-se do pontapé de saída para uma mega-operação urbanística, que deixará irreconhecível toda aquela zona da cidade.

 

A discussão e votação pela AML da venda dos terrenos municipais, com uma área de 3.275m2, através de uma hasta que terá como base de licitação 16,45 milhões de euros, acontecerá no dia seguinte à assinatura de um protocolo entre a CML e o Instituto Português de Oncologia (IPO) para a construção das novas instalações desta unidade de saúde, em terrenos contíguos ao local onde antes se concentravam os feirantes. O acordo firmado nesta segunda-feira (16 de janeiro), pelas 12h, entre ambas as entidades prevê a cedência de uma parcela municipal ao IPO, onde será edificada, a partir de 2018, uma unidade que agregará consultas externas, serviços de atendimento não programado, central de colheitas, laboratórios, hospital de dia de adultos, meios complementares de diagnóstico e terapêutica, fisioterapia, laboratórios, unidades técnicas de gastroenterologia, pneumologia, urologia, dermatologia e ainda a dádiva de sangue. Uma obra orçada em 30 milhões de euros e que garantirá o funcionamento do IPO no centro de Lisboa por mais duas décadas.

 

Durante esse período decorrerá, em simultâneo, uma profunda transformação urbana na zona, com a concretização dos objectivos agora definidos pela nova Unidade de Execução da Praça de Espanha, promovida pela autarquia. Nela, numa área de implantação de 168.218m2 – abrangida por um concurso de ideias a lançar, em breve, pela CML -, pretende-se promover a “requalificação do espaço público através da criação de um Parque Urbano, seguro, confortável, integrado na cidade de Lisboa, através das suas ligações à rede de transportes colectivos, à rede ciclável e à estrutura verde, com expressão relevante para a fixação de actividades de recreio e lazer”. O concurso será lançado pela autarquia em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian e o Montepio Geral, visando seleccionar a equipa que vai realizar o respectivo projecto. As propostas ordenadas nos dez primeiros lugares verão atribuído um prémio de dez mil euros.

 

Na proposta agora levada à assembleia, a intervenção na Praça de Espanha e zonas adjacentes – entre as quais se incluem a Avenida António Augusto de Aguiar e a Rua Dr. Nicolau de Bettencourt até ao cruzamento com a Rua Marquês da Fronteira; partes das ruas Eduardo Malta e Dom Luís de Noronha – é enquadrada numa mais vasta operação urbanística: a criação de um eixo terciário na cidade de Lisboa, acolhendo interesses públicos e privados. “A desactivação da Feira Popular em Entrecampos, a possibilidade de transferência da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Avenida de Berna para o Campus de Campolide, a par da possibilidade de reconversão da zona das antigas oficinas do Metropolitano e áreas adjacentes em Sete-Rios, (…), confluíram para a ideia de criar um eixo estruturante de desenvolvimento urbanístico que permitisse consolidar áreas de concentração de actividades terciárias de comércio e serviços, entre Entrecampos e a Praça de Espanha e Sete-Rios”, enuncia-se.

 

Um objectivo reforçado pelo ponto seguinte do texto agora colocado a apreciação: “Com a vocação terciária desta parcela de terreno municipal pretende-se criar um contexto favorável à empregabilidade e ao empreendedorismo e à instalação de novas empresas e serviços no centro da cidade, contribuindo para atenuar a conhecida carência de oferta na cidade de espaços de grande dimensão para escritórios”. Para ajudar a fundamentar tal ambição, é sugerida a articulação com os interfaces de transportes públicos de Entrecampos e Sete-Rios.

 

Texto: Samuel Alemão

 

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12 Responses to Novo centro de escritórios de Lisboa entre Praça de Espanha, Sete Rios e Entrecampos

  1. Novo centro de escritórios de Lisboa entre Praça de Espanha, Sete Rios e Entrecampos | O Corvo | sítio de Lisboa https://t.co/sNMJSHdxzP

  2. Sim, acho bem, primeiro expulsam os “lisboetas” de coração ou adoção para as periferias, bem longe e depois constroem-se complexos megalómanos de escritórios no centro para que os mesmos venham das periferias, só para trabalhar!

  3. Carros e mais carros. E porque não habitação a custos acessíveis à classe média?

  4. Novo centro de escritórios de Lisboa entre Praça de Espanha, Sete Rios e Entrecampos https://t.co/gbcnKcg3Ih

  5. José diz:

    Acho bem, como estava dava uma pessima imagem da cidade.
    Parabens para a camara de LISBOA.

  6. João Branco diz:

    Será que ninguém da Câmara repara que só na José Malhoa existem 4 enormes edifícios de escritórios devolutos? Num estava a Império, noutro estava IEFP, outro eram instalações da Judiciária e, por fim, o que estava ocupado pelo Banco Melo.

    A estes ainda se junta outro na Av. Columbano que não sei exactamente com que destino foi construído porque desde que foi construído, há já alguns anos,só a loja tem estado ocupada por um banco.

  7. Então não era a continuação do IPO ???

  8. Kabuki diz:

    Esses terrenos têm projetado o novo edifício e centro de investigação do IPO

  9. o poder imobiliário é do cão!!!!!!

  10. ao que sei vai dar para tudo,é uma alegria até um edifício para o banco montepio