Nova escola primária da Baixa abre em parte do antigo Tribunal da Boa Hora

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Samuel Alemão

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VIDA NA CIDADE

Santa Maria Maior

2 Maio, 2017

Durante décadas, acolheu uma das mais icónicas casas da justiça portuguesa, com inúmeros julgamentos mediáticos, mas sobretudo como um local por onde passaram muitas querelas judiciais anónimas. Agora, uma parte do edifício do antigo Tribunal da Boa Hora reabre como a nova escola básica e jardim de infância que servirá a Baixa de Lisboa. Com capacidade para 150 alunos – 50 para jardim de infância, dos 3 aos 5 anos, e 100 para alunos com idades entre os 6 e 9 anos (1º ciclo) -, a Escola Básica Maria Barroso, localizada no Largo da Boa Hora, ao Chiado, servirá as crianças das freguesias de Santa Maria Maior e da Misericórdia. A inauguração do estabelecimento de ensino ocorre nesta terça-feira (2 de maio), pelas 18h, com a presença do primeiro-ministro, António Costa, e dos titulares das pastas da Educação e da Justiça.

Foi Costa que, em julho de 2013, enquanto presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), assinou o contrato de venda de 70% do edifício à administração central, que assim recomprava um imóvel que deixara de ter as funções de tribunal quatro anos antes, com a mudança para o então novo Campus da Justiça. A ideia de criar uma escola na restante área fora anunciada pela CML em 2012. Depois de fechar, em julho de 2009, o edifício passara para a alçada da Sociedade Frente Tejo, mas a extinção desta, em 2011, ditara a sua entrega à autarquia. Meses antes do encerramento do Tribunal da Boa Hora, que funcionava nas instalações do antigo Convento da Boa Hora – construído após o terramoto de 1755 e encerrado em 1834, com a extinção das ordens religiosas -, chegara-se a falar na sua conversão num “hotel de charme”. Opção muito contestada, mas que acabou por cair.

A nova escola abre três anos após o inicialmente previsto, uma vez que em 2012 a CML apontava para a sua abertura em 2014. O estabelecimento de ensino, que apenas receberá alunos a partir do próximo ano lectivo (2017/2018), é anunciada pela câmara como a primeira na zona da Baixa “em muitos anos”. A escola estará distribuída por três pisos, com salas de jardim de infância, salas do 1º ciclo, pátios, recreios cobertos, cozinha, refeitório, ginásio, biblioteca e sala de informática. “Em termos de intervenção no edifício, foram utilizados materiais que estabelecessem uma relação de continuidade com os materiais existentes, de modo a assegurar uma integração perfeita”, explica a Câmara Municipal de Lisboa em comunicado.

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COMENTÁRIOS

  • Jorge Parente Baptista
    Responder

    Deve haver imensas crianças na Baixa,,,,

    • Rui Lopes
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      Imensas? Não. Algumas, suficientes para justificar a existência de ao menos uma escola em toda a zona? Sim

    • Angelo Menezes
      Responder

      Além de que se houver pais a trabalhar na área – e há-os – podem lá deixar as crianças.

    • Gomes Gomes
      Responder

      Mais vale uma escola, do que vender a estrangeiros ou criar mais um hostel ou uma loja de chineses ou o que for.

    • lara
      Responder

      Se não houver imensas crianças na baixa é um incentivo para que haja mais. Para que haja condições para criar família, e não só atrair turistas.

  • Sérgio Mártires
    Responder

    Lisboa nao é só a Baixa.

  • Marta David
    Responder

    É uma boa ideia mas parece-me que as crianças daqui são os filhos dos estrangeiros que conseguem comprar casas nesta zona

  • Margarida Noronha
    Responder

    Estava prometida, se bem me lembro

  • ana paula
    Responder

    Como é possível um monumento histórico, como o Tribunal da Boa Hora, azulejos e toda a sua arquitectura e envolvência interior cheia de história, fazerem deste espaço uma escola primária???? Meu Deus, que crime, os azulejos não vão restar para o património histórico de Portugal…… Acabam com tudo, até com a própria existência da história….!!!

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