O Museu da Cidade vai mudar do Campo Grande para o Torreão Poente do Terreiro do Paço, onde, em Julho, será inaugurada a primeira exposição. A novidade foi anunciada, ontem à tarde (quarta-feira), por Catarina Vaz Pinto, vereadora com o pelouro da Cultura, na reunião semanal do executivo camarário. Será na mais central praça lisboeta que, a partir deste verão, se localizará o novo núcleo sede do Museu da Cidade – que viu, finalmente, serem anunciadas as linhas directoras do estudo encomendado pela autarquia a António Mega Ferreira. O trabalho, intitulado “Museu da Cidade/Museu de Lisboa. Novas Perspectivas” e entregue pelo escritor e consultor cultural já em 2012, custou à edilidade 19 mil euros. A sua apresentação pública era veementemente exigida, há meses, pelos vereadores do PSD e do CDS-PP.

O novo esquema desenhado por Mega Ferreira defende “uma visão crítica do Museu da Cidade”, que deverá funcionar como local de “representação do passado e do presente” e “instrumento de reforço das identidades urbanas contemporâneas”. A principal mudança passa pela aplicação de “uma perspectiva territorial alargada”, com a transferência do núcleo principal para a Baixa. Na prática, isto significa a divisão do museu em seis núcleos: a sede, no Torreão Poente do Terreiro do Paço; o Palácio do Campo Grande; o Museu de Santo António; o Percurso e Centro Interpretativo das Muralhas; o Museu do Teatro Romano; e as Galerias Romanas. O núcleo sede ocupará dois pisos e um sótão do Torreão Poente do Terreiro do Paço. Será dedicado, sobretudo, a exposições de longa e média duração, afirma Catarina Vaz Pinto, que aponta para uma transferência faseada para a nova casa.

A vereadora diz que a primeira exposição, a inaugurar já em Julho, será dedicada “aos anos 40” e constituída por material proveniente de diversos acervos. O livro “Lisboa, uma cidade em tempo de guerra”, de Margarida Magalhães Ramalho, servirá de base à mostra. Catarina Vaz Pinto promete ainda a apresentação, “até ao final do ano”, do estudo de animação e revitalização deste novo espaço. O edifício que, até aqui, funcionou como sede do museu vai conhecer uma modificação no seu uso, “voltando à vocação inicial de palácio do século XVIII pré-terramoto”. Nele, manter-se-á a conhecida grande maquete da cidade de Lisboa referente a essa época. Os azulejos e os jardins continuarão a ser outros pontos de atracção daquele que responderá, agora, pelo nome de Palácio do Campo Grande.

Quem não se mostrou especialmente impressionado com a curta apresentação feita pela autarca foram os vereadores da oposição à direita, que, há muito, vinham reivindicando conhecer os detalhes do estudo de Mega Ferreira. “Falta aqui referir a apresentação da Baixa a Património da Humanidade”, apontou a social-democrata Margarida Magalhães de Barros. Já o vereador António Carlos Monteiro, do CDS-PP, qualificou de “insuficiente” o estudo que foi apresentado e disse que, depois disto, se deveria “questionar se era mesmo necessário recorrer a um consultor externo” para realizar o referido trabalho.

 

Texto e Fotografia: Samuel Alemão

  • Jorge Lima
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    Epá… isto está a ficar uma fotocópia de Bruxelas. A Grote Markt / Grand Place, tb tem um Museu da Cerveja e um Museu da Cidade…

  • Rui Matos
    Responder

    Sim mas nós vamos ter dois museus da cidade numa só praça: o novo Museu da Cidade e o Lisbon Story Centre. A Troika sabe disto…

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