Algumas das intervenções murais concebidas, há pouco mais de um mês, pelo artista britânico Tim Etchells, para vários locais da cidade de Lisboa, foram esta semana vandalizadas, dias antes de ele receber a medalha municipal de mérito, “grau ouro”. Etchells, que teve durante todo o ano de 2014 um residência artística na capital portuguesa, integrada na bienal Artista na Cidade, caracteriza-se pela sua intervenção multidisciplinar e viu os seus talento e trabalho reconhecidos, ao receber a distinção das mãos da vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, no sábado (15 de Novembro) à tarde, no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz.

 

O Corvo pôde constatar, na tarde deste domingo, que pelo menos três das suas dez intervenções realizadas em diversos pontos de Lisboa ainda se encontravam vandalizadas. As intervenções consistiam em frases pintadas em muros. Os trabalhos do criador britânico, fundador e director artístico do colectivo Forced Entertainment, e que se expressa em áreas tão diversas como o teatro, a performance, o vídeo, a fotografia, as artes visuais ou a reflexão escrita, foram colocados numa dezena de sítios de Lisboa – a maioria no eixo ribeirinho -, no início de Outubro.

 

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A ideia partiu da Galeria de Arte Urbana (GAU) da autarquia, que convidou Tim Etchells “a escrever 10 frases para Lisboa, 10 frases que interpelem os lisboetas e transeuntes e os convidem a descobrir este artista”. Com execução a cargo dos artistas Daniel Teixeira e José Carvalho, as frases foram colocadas no muro do CCB, no muro AIP (Alcântara), Quinta do Cabrinha, Faculdades de Belas-Artes, Calçada de São Francisco, Calçada de Marquês de Tancos, Avenida Almirante Reis, Armazéns Abel Pereira da Fonseca, Galeria Filomena Soares e Armazém 23.

 

O certo é que alguém terá levado o programa à letra e se deixou interpelar pelas frases, ao ponto de tomar a iniciativa de sobre elas intervir. Por cima dos ditos idealizados pelo artista inglês, sempre com um carácter mais ou menos programático sobre o sentido da arte – “art that hurts”, “art that opens eyes” ou “art that remembers” -, foram feitos riscos em graffiti e, acima ou abaixo delas, apostas inscrições sem aparente ligação ou outro propósito que o da mera sabotagem. Isso acontece, pelo menos, nos casos da Faculdade de Belas-Artes, da Calçada de São Francisco e no muro do Hospital do Desterro, na Avenida Almirante Reis.

 

No momento da entrega da medalha de mérito municipal, grau ouro, a vereadora Catarina Vaz Pinto salientou tratar-se de uma distinção que o município entrega “a pessoas especiais em momentos especiais”. O projecto Artista na Cidade 2014 resultou da colaboração entre diversas entidades: o Alkantara Festival, o British Council, o Carpe Diem Arte e Pesquisa, o CCB, a Culturgest, a EGEAC, o Teatro Municipal Maria Matos, o Teatro Municipal São Luiz e o Temps d’Images.

 

Texto: Samuel Alemão

  • Maria de Morais
    Responder

    o feitiço contra o feiticeiro

  • Luís Brântuas
    Responder

    :

  • Luís Leal Miranda
    Responder

    das minhas vandalizações preferidas. parabéns aos autores.

  • António Pedro Borges Cruz
    Responder

    Será que o Tim dos Xutos alguma vez recebeu a medalha municipal de mérito, “grau ouro”.

  • Luís Leal Miranda
    Responder

    ora bem ^

  • Antonio Pinto Rodrigues
    Responder

    Sem defender nenhum lado – apenas pergunto : porque chamam vandalizar ao grafite em cima de outro grafite ?

    • Bruno
      Responder

      Porque o que fizeram por cima da frase não é graffiti

  • Mário Caeiro
    Responder

    Vandalizados ou recriados? O do ‘estudasses’ é simplesmente perfeito!

  • Madalena Paiva Boléo
    Responder

    Art that changes.

  • Ricardo Serrao
    Responder

    Hoje em dia, tudo é “arte”. Até umas meras palavras num fundo palido.

    É interessante saber que é preciso contratar artistas estrangeiros para fazer este tipo de “arte”. E que basta estarem ca um ano para ter uma medalha municipal, enquanto muitos outros artistas, alguns ate na area do graffiti, fizeram BEM MAIS pela arte e cultura… E ao longo de varios e muitos anos!!

  • Paulo
    Responder

    Conhecendo um pouquinho da obra do Tim Etchells, acho que provavelmente gostará desta interacção com as suas frases, que tal como as suas Palavras Eléctricas – frases em néones que colocou nos edifícios dos parceiros da bienal – interrogam o cidadão passante. Obviamente estas frases tocaram as pessoas o suficiente para as quererem transformá-las. Isto pode não ser mau, depende do ponto de vista como olhamos para a arte, para o espaço público e para as questões de propriedade na criação.

  • à deriva arte
    Responder

    “: Murais de artista homenageado sábado pela Câmara de Lisboa vandalizados – http://t.co/RNjZWsDUzK” 🙁

  • Vânia Gala
    Responder

    Alguém cá aproveitou o “Arts” apagado daí!!!!! 😀

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