Muitos dos atrasos no Metro de Lisboa serão causados pelo forçar das portas

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Samuel Alemão

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Cidade de Lisboa

14 Março, 2018


As queixas sobre os atrasos frequentes na passagem das composições do Metropolitano de Lisboa (ML) têm sido uma constante, nos últimos anos. Primeiro, como consequência dos cortes impostos pela troika no investimento e, depois, já durante o actual governo – que anunciou o retorno da aposta nos transportes colectivos -, com a tutela a responsabilizar a anterior pelo estado a que se chegara de degradação da qualidade do serviço. Certo é que, apesar das promessas de melhoria, da contratação de duas dezenas de operários para as oficinas do ML e da consequente reparação de algumas composições avariadas, persistem as demoras na circulação de comboios. E elas podem, afinal, acontecer por uma razão de que poucos se lembrariam: o forçar das portas das carruagens por parte dos passageiros, causando problemas mecânicos nas mesmas. A informação é adiantada a O Corvo por uma fonte sindical do Metro, cuja administração se recusa a comentar o assunto.

“Uma das avarias mais frequentes no Metro de Lisboa, e causa para os atrasos que as pessoas estão a sentir, tem que ver com os passageiros forçarem as portas. As pessoas estão constantemente a forçar as portas dos comboios para garantir que conseguem entrar ou até, muitas vezes, fazem-no na melhor das intenções, segurando-as para que quem vem atrasado e a correr possa também entrar”, diz um dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Metropolitano de Lisboa. “As pessoas querem dar uma de bons samaritanos, ajudando outras para que não percam o metro, mas o que isso provoca, cada vez com mais frequência, é a avaria do sistema de fecho das portas. Uma porta avariada é o suficiente para obrigar à imobilização da composição, até que o problema seja solucionado”, explica o mesmo sindicalista.

“Por uma questão de segurança, o comboio que apresenta uma indicação de uma avaria numa das portas não pode arrancar. Quando isso acontece, o maquinista tem de sair do seu posto e ir ver o problema, para o tentar resolver. Entretanto, já chegaram mais pessoas ao cais de embarque e temos mais passageiros a entrar nas composições”, conta a O Corvo a mesma fonte sindical, reconhecendo o efeito de “bola de neve” que tais paragens provocam no aumento dos tempos de espera ao longo de um percurso. Algo que se faz sentir com mais frequência nas horas de ponta e com especial incidência na Linha Azul, a mais longa da rede, ligando Amadora a Santa Apolónia. Um percurso mais propenso ao desgaste de material circulante e avarias. “A Linha Azul exige mais do material, pois, sendo longa, tem também mais subidas e descidas e curvas”, explica o sindicalista.

O Corvo questionou a administração do Metro de Lisboa sobre este problema, a 23 de Janeiro. “Confirma o Metropolitano de Lisboa tal facto? Quantas avarias do género foram reportadas nos últimos dois anos? Tem o Metro tomado medidas, ou planeia tomá-las, para resolver o problema?”, eram as perguntas, cujas respostas, porém, não chegaram até ao momento da publicação deste artigo. Refira-se que, desde setembro do ano passado, o ML tem levado a cabo uma campanha de promoção das boas práticas entre os seus utentes, denominada “Lembre-se, o Metro é de todos”, e que prevê “doze mensagens que pretendem promover o civismo, o respeito pelos clientes e, acima de tudo, a partilha de um conjunto de comportamentos e de atitudes que fomentem a adequada utilização dos serviços e dos equipamentos”. Entre elas estão os apelos “Não force as portas e canais de acesso!” e “Não danifique os equipamentos!”.

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COMENTÁRIOS

  • Joaquim Félix
    Responder

    Isso é a chamada desculpa de mau pagador, sem qualquer adesão à realidade. É atirar areia para os olhos das pessoas. Que, de qualquer maneira, como em geral não têm sentido crítico, aceitam, e se for preciso ainda se revoltam com a cambada de desordeiros que julgam ser os outros passageiros. Mesmo essa campanha referida é de um atraso mental, condescendência e paternalismo a toda a prova, como se os passageiros do metro fossem uns arruaceiros. E esta peça, em especial o título, que veicula a mensagem, é sintoma do que falo. O ‘disclaimer’ final, “O Corvo questionou a administração do Metro de Lisboa sobre este problema…”, não desculpa o título e a falta de profundidade e sentido crítico demonstrados pelo jornalista.

  • Ricardo Gomes
    Responder

    Concordo plenamente com a crítica deixada pelo leitor. É a falta de comboios que causa o forçar das portas em hora de ponta, pois muitas pessoas têm de apanhar o comboio para tentar chegar a horas. Eu não forço as portas quando o comboio está cheio, mas tento empurrar para conseguir entrar. Umas quantas vezes nem consigo entrar no comboio tão cheio que está.

    Como pai tenho de estar a horas para apanhar a minha criança no infantário, e em hora de ponta é praticamente impossivel apanhar lugar sentado e já fico contente se apanhar um lugar junto à porta que me permita chegar a horas, quando tal não acontece tenho de apanhar o metro seguinte, que em hora de ponta significa chegar atrasado ao infantário.

    Por isso o mentecapto que escreveu este artigo não deve andar de metro em hora de ponta.

  • Luís
    Responder

    Pois é. Esquecem-se do outro lado da questão: é frequente ver, à hora de ponta, nos terminais (por exemplo, Cais do Sodré), que os comboios ficam a fazer horas no fim da linha, chegam à estação à hora de partida, e mal abrem as portas dão o sinal de fechar portas, sem dar tempo às pessoas de entrar. Depois a culpa é dos passageiros?!

  • Armindo Pinto
    Responder

    Isto é de bradar aos céus! Se as portas não fecham é porque os metros vão cheios, e se vão cheios é porque há poucos e vêm atrasados, não o contrário. Que canalhice de artigo.

    • O Vingador
      Responder

      És alto acéfalo, ou isso ou analfabeto, le o artigo outra vez…

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