Muito lixo nas ruas? Lisboa prepara “grande campanha de sensibilização” da população

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Samuel Alemão

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AMBIENTE

Cidade de Lisboa

13 Junho, 2018




O problema é antigo e sobre ele muito se tem escrito, ao longo de décadas. Lisboa é ou não mais limpa que as outras grandes cidades europeias? A sujidade no espaço público já foi bem pior ou, pelo contrário, estamos a descer os padrões? E, afinal, de quem é a culpa por essa mais ou menos difusa sensação de insalubridade? As respostas dependerão sempre de padrões de apreciação relativamente subjectivos. Mas a Câmara Municipal de Lisboa (CML), principal responsável pela limpeza do espaço público da capital, parece dar razão aos que dizem que há muita gente a precisar de receber umas lições de civismo. Por isso, está já a preparar o lançamento, entre o fim deste ano e o princípio do próximo, de uma “grande campanha de sensibilização” da população para a necessidade de “comportamentos adequados” ao nível da higiene urbana. Mas, ao contrário de outras campanhas já realizadas, esta não se cingirá aos tradicionais meios de divulgação. Prevê também o envolvimento dos cidadãos no papel de educadores dos demais.

 

Os contornos da acção de comunicação têm estado a ser discutidos entre a Câmara de Lisboa e a Valorsul, entidade responsável pelo tratamento dos resíduos sólidos urbanos de 19 municípios da Grande Lisboa e da Região Oeste, adiantou Duarte Cordeiro, vereador com o pelouro da Higiene Urbana, durante a última reunião descentralizada do executivo municipal, depois de uma munícipe se queixar da falta de limpeza do espaço público. “Estamos a definir com a Valorsul aquilo que queremos que seja a campanha, para enviarmos às agências de comunicação para podermos ter propostas e, até ao final do ano, adjudicarmos a campanha de sensibilização”, revelou o também vice-presidente da autarquia, salientando que a mesma terá como objectivo alertar para a necessidade de fazer reciclagem e suscitar “comportamentos adequados do ponto de vista da higiene urbana”. Mais que isso, o autarca tem a ambição que a campanha envolva também os cidadãos, não se limitando apenas aos meios de comunicação.

“Estamos a pensar uma campanha que permita ter materiais para os moradores poderem sensibilizar os vizinhos, para as juntas de freguesia poderem elas também fazer campanhas e para as escolas poderem ter materiais onde as crianças possam aprender e sensibilizar os pais”, explicou Duarte Cordeiro, dando conta da intenção de transformar a planeada acção de comunicação institucional num mais vasto projecto de consciencialização da população em torno da questão da higiene urbana. Isto apesar de, logo de seguida, relativizar as frequentes críticas à sujidade das ruas da capital portuguesa. “Acredito que somos muito mais limpos que outras cidades. De cada vez que viajo, reparo no lixo e tenho a convicção de que há cidades muito piores que nós do ponto de vista da higiene urbana. Mas nada disso serve de desculpa. Partilho da ambição de fazer a cidade bastante mais limpa do que actualmente é”, confessou o vereador.

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COMENTÁRIOS

  • blahblah
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    Querem ver que é agora que vão começar a ensinar os turistas a portarem-se de forma civica?

    Esses mesmos que na terra deles andam sempre na linha mas que quando chegam a portugal é tudo à vontade?

    Um dos grandes problemas são os responsáveis pelo alojamento local e os turistas que, como não se estão para chatear, deitam tudo para a rua e de qualquer maneira. Já para não falar dos responsáveis pelas lojas de “souvenirs”.

    Mas pronto, a culpa é sempre dos alfacinhas, essa raça quase extinta…

    • José Fernandes
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      O caixote do lixo do nosso prédio na Av. General Roçadas desapareceu há 4 meses. São 4 meses de pefidos e insistências junto da CML mas os caixotes continuam esgotados. Desde então alguém ou “alguens”, suponho que do prédio, em vez de procurar um local próprio para o efeito prefere deixar o saco do lixo na rua encostado ao prédio. Definitivamente necessitam da campanha, quem larga o saco do lixo e a própria CML que ao fim de 4 meses ainda não repôs o caixote do lixo.

  • Jorge Jesus
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    E quando são os próprios serviços de recolha de lixo e reciclagem da câmara a deixar um rasto de resíduos como restos de papel e outros detritos, Pergunto: será que há alguém a fiscalizar, monitorizar ou acompanhar estas equipas que fazem a recolha ou deixam-nos à vontade sem qualquer fiscalização?

  • Daniel
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    Mas só depois dos Santos para não parecer mal… podiam começar por aí… ou pelas áreas de roulottes ou o que dizer do lixo que fica depois das corridas?

  • Vítor
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    Lá vão gastar mais uns euros em campanhas que não surtem efeito nenhum. Melhor seria investir na fiscalização, com a a Polícia Municipal e PSP também a aplicar multas. Isto já não vai com balelas pedagógicas. …

    • Teresa
      Responder

      Absolutamente de acordo. Campanha ou não campanha, sem aumentar a fiscalização não vamos lá.

  • Deocleciano Oliveira
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    Hoje pelas 11H00, no centro de Lisboa Rua Augusta, Rua do Ouro Rossio, Praça da Figueira e Rua 1ª de Dezembro até á estação do Rossio Paço até aos , pois não passei daí, havia montes de os sacos pretos com lixo a cada esquina, em especial na rua 1º. de Dezembro junto da estação do Rossio chegava a havia o passeio a bloquear o passeio.
    Moro em Benfica aí o cenário das ruas não varia muito, pergunto a mim mesmo para onde vai o dinheiro da Taxa diária cobrada aos turistas, pois não se vê ninguém a recolher o lixo das ruas.

    • Teresa
      Responder

      Sim, pelo menos na zona histórica que tem prédios pequenos que não têm contentor, a recolha deveria ser diária. Como não há recolha aos feriados e domingos as ruas ficam um mar de lixo…

  • Pedro Miguel
    Responder

    A Câmara tem apenas de reforçar a limpeza porque se vão depender da civilidade nunca se fará nada.

    Há muito lixo? ajam de acordo.

    Lixo, obras e os seus detritos, urina um pouco por todo e que com o aproximar do calor apenas torna a baixa ainda mais naseabunda, pedintes ciganos a cada 50 metros.

    É simples, limpem!

    Porque as pessoas são porcas e não há nada a fazer…

    Apenas estes funcionários públicos e políticos é que transformam algo em demagogia e auto-promoção.

  • Paulo Só
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    Quero assinalar um problema que constatei aliás até nos restaurantes do Avillez: os sacos de lixo de plástico preto que são arrastados pelos passeios e deixam as pedras brancas indelevelmente tingidas de preto. Isso acontece no Largo do Picadeiro e até no Largo de São Carlos. Por mais que se lave ficam aqueles marcas pretas. Pergunta: não seria possível pelo menos usar sacos que não deixassem esses traços? O mesmo acontece com as pneus dos carros que sobem nos passeios, mas nesse caso não vejo solução: os carros é que mandam em Lisboa. Os carros, os tuktuks e os autocarros de poluição e turismo.

  • agenor bacchin junior
    Responder

    Tudo ao mesmo tempo:
    Conscientização da população
    Multa para os infratores
    Serviços voluntários para coleta, como forma de incentivar a mobilização dos moradores da área
    Participação do comércio local(fornecer material para coleta, e sítios para guardar o material)
    Conquistar a simpatia da mídia para que esta possa noticiar o trabalho voluntário aliado à iniciativa pública

    • Teresa
      Responder

      Não é só de lições de civismo que a população e visitantes precisam – é de informação mesmo. Muita gente põe o lixo na rua quando lhe apetece por falta de civismo sim, mas outras é por desconhecimento. E não percebo porque demora tanto tempo a preparar uma campanha. A Junta de Freguesia devia fornecer materiais informativos (um letreiro?) dos dias e horários de recolha de lixo a todos os prédios e reforçar essa informação regularmente. Isso é particularmente importante no centro histórico onde os prédios são pequenos, sem contentor e muitas vezes não têm condomínio organizado. Nessas zonas é também indispensável haver recolha diária. E depois há que reforçar a fiscalização – sem isso nada muda, infelizmente.

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