Cada vez mais gente diz que há demasiado ruído em Lisboa mas não se conhece a real dimensão do problema

REPORTAGEM
Sofia Cristino

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AMBIENTE

Cidade de Lisboa

7 Janeiro, 2019

Cada vez mais pessoas reclamam dos transtornos causados pelo excesso de barulho e os seus impactos na saúde física e mental. No Areeiro, o “volume exagerado” das canções de Natal levou um morador a queixar-se, várias vezes, à junta de freguesia. Na Penha de França, o ruído de motas já mobilizou os habitantes através de uma petição. As histórias repetem-se por toda a cidade, principalmente em zonas de animação nocturna coincidentes com áreas residenciais, como o Bairro Alto. Apesar do Ministério do Ambiente ter recebido apenas dez reclamações relacionadas com o ruído, em 2018, a associação ambientalista Zero garante haver mais. Segundo a vice-presidente da Zero, as segundas principais queixas a chegar ao Ministério do Ambiente estão relacionadas com o ruído. A dirigente critica ainda a “má coordenação” entre organizações como a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Câmara Municipal de Lisboa (CML). “Empurram umas para as outras e as queixas continuam a circular”, critica.

Patrícia Santana, 41 anos, sente-se impotente perante o excesso de ruído na zona onde vive. “Desde que começaram as corridas de motas, não tenho descanso. Estou exausta, já não sei o que fazer”, desabafa. Quando, em 2006, foi viver para a Rua Engenheiro Simões, ao lado da Avenida Marechal Francisco da Costa Gomes, na freguesia da Penha de França, não imaginava o que a esperava. “Pensava que vinha para uma zona relativamente calma, mas, à noite, isto é um autêntico autódromo, acho que é pior do que a Segunda Circular”, queixa-se. As reclamações relacionadas com o barulho, em Lisboa, já são antigas. E apesar da legislação existente, quem sofre mais com o flagelo continua a sentir-se desprotegido. Sobretudo, no centro da cidade, onde proliferam as fontes de ruído, os moradores queixam-se de haver pouca fiscalização e falta de soluções para o problema.

Juntamente com outros moradores, Patrícia Santana redigiu, por isso, uma petição, que conta com 300 assinaturas. A principal queixa são os “valores elevadíssimos de ruído das motas e carros, que passam a mais de 140 quilómetros por hora e, no caso das motas, podem chegar aos 200 km/h”. A poluição sonora causada pela circulação daqueles veículos, diz Ricardo Pereira, 33 anos, também morador na zona, deverá afectar cerca de 500 famílias. Vive ali apenas há dois anos, o tempo suficiente para sentir a sua qualidade de vida prejudicada. “O barulho e os ‘picanços’ causados pelas motas são de uma violência extrema, é uma loucura todos os dias. Em casa, torna-se impossível falar e, no Verão, se abrirmos as janelas por causa do calor, nem conseguimos ouvir a televisão”, relata. Além de não descansarem, os moradores queixam-se de não ouvirem os filhos a chorar. “Tenho um aparelho para bebés, que acende quando detecta ruído, de outra forma não perceberia quando o meu filho chora”, lamenta. Patrícia Santana, mãe de duas crianças, com nove e dois anos, sente o mesmo. “Foi uma tortura os primeiros meses da minha filha mais nova, nunca a ouvia”, conta.

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O ruído da circulação de motos à noite na Avenida Marechal Costa Gomes tem tirado o sossego aos moradores

No mesmo prédio, Vítor Vieira, 33, que deixou o rés-do-chão para ir viver para o oitavo andar, está arrependido da mudança. “Ouve-se mais o ruído cá em cima. Trabalho numa das avenidas mais movimentadas de Lisboa, a Almirante Reis, e não é possível comparar a intensidade do som. Na rua onde vivo, o barulho é muito superior”, critica. Alguns habitantes da Rua Engenheiro Simões já terão feito investimentos na ordem dos 4 mil euros, cada um, para reforçar as janelas, mas os níveis do ruído mantiveram-se praticamente iguais. “Os prédios não foram construídos para anular o som. Há tanto barulho que já nem ouvimos uma ambulância. É o dia todo, mas à noite, quando estamos a descansar, sentimos que uma mota entra no nosso quarto”, conta Vítor Vieira, que já instalou duas janelas duplas. Os peticionários estiveram na reunião descentralizada da Câmara de Lisboa, a 5 de Dezembro, para pedirem a colocação de três lombas de alcatrão, um radar de velocidade, um semáforo e a insonorização das paredes do túnel.

 

O grupo de moradores ainda não conseguiu marcar um encontro com os seriços do município, solicitado por Ricardo Pereira nessa reunião camarária. Em resposta aos habitantes da Rua Engenheiro Simões, o vereador da Mobilidade, Miguel Gaspar, reconheceu, porém, o problema, e admitiu que a forma como a via foi construída impossibilita uma intervenção mais profunda da autarquia. “Está é uma das avenidas de acesso à terceira travessia do rio Tejo e foi, por isso, que foi desenhada com este perfil, quase de auto-estrada. Já não se faz cidade assim, é uma via demasiado agressiva para um bairro desta natureza. Os muros de betão desta via impedem-nos de ter outro tipo de intervenções mais humanizadas”, explicou.

 

Miguel Gaspar sugeriu a colocação de um semáforo e de um radar de velocidade, apoiando a solução proposta pelos moradores na petição, e a criação de “uma ligação pedonal a meio da via”, para aumentar a segurança. Rejeitou, porém, a sugestão da colocação de lombas. “Já pedi aos serviços camarários para estudarem a situação, mas não acredito muito na solução das lombas. Até acho que podem aumentar a insegurança para o peão, se o carro bater nelas”, disse o responsável pelo pelouro da Mobilidade. O autarca admitiu ainda que estas faixas são usadas “de forma abusiva por demasiadas pessoas”, mas não comentou o problema do ruído causado pelas motas, na Avenida Marechal Francisco da Costa Gomes.

 

A pouco mais de um quilómetro, na Avenida Guerra Junqueiro, Bruno Ferreira também não dorme bem desde que a Junta de Freguesia do Areeiro ligou a animação sonora de Natal. “A música está tão alta que, mesmo com janelas de vidros duplos fechadas, o ruído é incomodativo. Torna-se uma tortura trabalhar em casa”, reclama. O morador contactou a autarquia, que reconheceu que a música estava demasiado alta. Apesar das promessas em reduzir o som, garante, “não houve praticamente melhorias”. “As lojas só abrem às 10h00, mas o barulho começa logo às 9h00 e prolonga-se depois das 20h00, quando o comércio já fechou e já não há gente na rua, não se percebe”, lamenta.

 


 

As queixas ouvem-se um pouco por toda a cidade, principalmente no centro de Lisboa, onde o espaço público foi renovado, nos últimos anos, dando lugar a mais esplanadas e pontos de encontro e convívio. O projecto municipal Uma Praça em Cada Bairro tem sido um dos principais responsáveis pelas requalificações – a autarquia já fez obras em 17 sítios e pretende reabilitar mais 28 praças e ruas –, mas também o aumento do turismo impulsionou a reabilitação de vários prédios devolutos pela cidade, tendo alguns dado origem a restaurantes, cafés e outros sítios de convívio. A mudança no espaço público atraiu pessoas para outros lugares da cidade, alguns deles até então sem vida, criando-se novas fontes de poluição sonora. Nestas e noutras zonas, onde espaços de actividades nocturnas convivem com bairros residenciais, como no Bairro Alto e no Cais do Sodré, mas também em bairros afectados pelo barulho dos aviões, como são Campo de Ourique e Alvalade, repetem-se histórias de pessoas prejudicadas pelo excesso de ruído.

 

Luís Paisana, presidente da Associação de Moradores do Bairro Alto, diz que o número de queixas diminuiu, mas a descida não reflectirá a realidade. “Há menos reclamações porque já não há praticamente moradores. O problema, contudo, piorou, e a principal razão é o aumento do número de unidades de alojamento local. Estes apartamentos são mais pequenos e os turistas, principalmente jovens, preferem vir para a rua divertirem-se”, explica. O representante dos moradores critica ainda o preço “excessivamente barato” do álcool, que acaba por incentivar a um maior consumo. “Infelizmente, há cada vez mais estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas para a rua e a valores baixos. Como os bares fecham mais cedo, também há pessoas na rua mais cedo. Quem vem para cá festejar não tem consideração pelos residentes”, critica. Paisana elogia a implementação de dispositivos limitadores de som pela cidade, mas não deixa de reparar na falta de fiscalização. “A Câmara de Lisboa e as juntas de freguesia têm actuado pouco, há falta de recursos, mas também há falta de vontade política. A fiscalização é manifestamente insuficiente. O ruído na rua é um problema que continua a existir, e cada vez mais, por toda a cidade”, sublinha.

 

O número de exposições de ruído, em Lisboa, recebidas pelo Ministério do Ambiente e da Transição Energética (MATE), ao longo do ano de 2018, foi “residual, não chegando a uma dezena”, avança fonte do gabinete do MATE, em depoimento escrito a O Corvo. A versão não é, porém, corroborada pela associação ambientalista Zero, que diz receber várias queixas, essencialmente relacionadas com o ruído dos aviões à noite. A vice-presidente da Zero, Carla Graça, diz mesmo que “as segundas principais queixas a chegar ao Ministério do Ambiente, depois da baixa qualidade do ar dos centros urbanos, estão relacionadas com o ruído”, segundo dados apresentados pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em 2015, e estas são “as mais difíceis de resolver”. “Quando as pessoas se queixam, as actividades nocturnas já estão licenciadas, tornando-se mais complicado actuar. Não existe, também, uma boa coordenação entre organizações como a APA e a Câmara Municipal de Lisboa (CML), empurram umas para as outras e as queixas continuam a circular. Já fizemos uma queixa, em março de 2016, à Comissão Europeia, sobre a falta de planos de acção do ruído e da falta de cumprimento da legislação”, diz.

 

 

A dirigente explica que o ruído relacionado com o tráfego automóvel só pode ser reduzido através de políticas “mais integradas”. “Há zonas onde já se reduziu a velocidade de circulação, o que acaba por ajudar, mas continuam a entrar muitos carros em Lisboa. A cidade está muito potenciada para o tráfego automóvel, com vias rápidas, o que intensifica o excesso de ruído. Ainda há muito a fazer, mas é preciso coragem política porque sabemos que não são as medidas mais populares”, considera. À associação ambientalista Zero não chegam praticamente denúncias quanto ao barrulho produzido pelo tráfego automóvel, mas poderá haver uma explicação. “As pessoas, muitas vezes, não têm noção, mas convivem, diariamente, com um problema grave para a saúde. Interiorizam o barulho e habituam-se a ele, há uma acomodação quotidiana, mas o ruído continua a fazer muito mal”, alerta.

 

De acordo com um estudo sobre poluição sonora feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e divulgado no passado mês de Outubro, o barulho é um dos principais riscos ambientais para saúde física e mental e, por isso, a OMS pede a redução dos limites legais do ruído.  O relatório da OMS classifica, pela primeira vez, a emissão sonora relacionada com actividades de lazer, como clubes nocturnos, como “uma fonte de ruído potencialmente excessiva e prejudicial à saúde humana”. A exposição contínua ao som excessivo, ainda segundo o estudo, origina doenças cardiovasculares, podendo provocar enfartes, e doenças do foro psicológico, como depressões. O relatório da OMS inclui recomendações sobre limites ao ruído do tráfego de veículos automóveis, ferroviário e aéreo, e propõe, para o trânsito, um limite máximo de 53 decibéis, durante o dia, que cai para 45 decibéis, à noite.

 

O Plano de Acção do Ruído (PAR), aprovado pela Câmara de Lisboa, em 2014, identifica o tráfego rodoviário como a principal fonte de ruído da cidade. A criação deste documento visa melhorar a qualidade de vida dos habitantes, diminuindo o incómodo e os problemas de saúde associados ao ruído e, entre outros objectivos, a identificação de “zonas tranquilas promovendo estratégias de intervenção dirigidas à sua manutenção e extensão”. Toda a cidade está classificada, no Plano Director Municipal (PDM), como “zona mista” (habitação e serviços). Ao contrário de outros Planos de Acção do Ruído do país, o de Lisboa não classifica “zonas sensíveis” de exposição ao som excessivo, mas apenas “zonas mistas”. E poderá haver uma explicação. “Como Lisboa é uma cidade muito complexa, não foram designadas zonas sensíveis. Não é obrigatório defini-las, fica ao critério dos municípios, mas esta lacuna também mostra que o problema é transversal a toda a cidade”, conclui Carla Graça.

 

 

Segundo o Ministério do Ambiente, compete às autarquias locais promoverem medidas de prevenção e controlo da poluição sonora. “Apesar dos municípios não serem tutelados por este ministério, da parte do MATE e das entidades por si tuteladas, foi constatada a necessidade de serem estabelecidos critérios harmonizados para a emissão e implementação da Licença Especial de Ruído (LER), da competência daquelas”, avança o ministério em depoimento escrito. A Câmara Municipal de Lisboa, segundo o MATE, tem desempenhado um papel importante na diminuição do ruído nos centros urbanos, mas não são avançados mais dados. “Enviou contributos, que foram integrados no Guia LER e participou como oradora na sessão regional (de Lisboa e Vale do Tejo) de divulgação pública do respectivo Guia, neste ano de 2018, tendo apresentado as boas práticas que tem vindo a implementar nesta matéria”, diz, referindo-se ao município. O guia da Licença Especial de Ruído foi elaborado pela Agência Portuguesa do Ambiente e as Comissões de Coordenação Regional (CCDR), e está disponível desde 2017 nos sites destas entidades.

 

No final do ano de 2017, o Grupo de Trabalho sobre Governação Integrada na Área do Ruído (GovInt), uma rede colaborativa informal de instituições públicas e privadas, apresentou também um projecto-piloto, intitulado Ruído Ambiente. No relatório, o GovInt refere que, de acordo com as estimativas da Agência Europeia do Ambiente, pelo menos 20% da população da União Europeia reside em zonas com níveis sonoros “inaceitáveis” de ruído, em período nocturno, superiores a 45 decibéis. O ruído, avança o estudo, é “um dos maiores problemas ambientais da União Europeia”, provocando efeitos na saúde, a nível fisiológico e psicológico, como o sono, a capacidade de concentração e de comunicação.

 

Os níveis sonoros de ruído ambiente exterior, no Plano de Acção do Ruído da Câmara de Lisboa, estão limitados a 65 decibéis, durante o dia, e 55 decibéis para o período nocturno, entre as 23h e as 7h00. O Corvo perguntou à Câmara de Lisboa se há fiscalização do cumprimento destes valores e se tinha dados sobre as queixas relacionadas com o ruído, discriminados por freguesia, mas até ao momento da publicação deste artigo não obteve resposta. O Corvo questionou ainda a Agência Portuguesa do Ambiente, a Provedoria de Justiça e a Polícia Municipal de Lisboa se têm recebido reclamações por causa do excesso de barulho, mas estas entidades também não responderam. Tentou ainda falar com o grupo de acompanhamento do ruído da associação ambientalista Quercus, mas este não teve disponibilidade para prestar declarações em tempo útil.

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COMENTÁRIOS

  • MG
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    Vivo no Conde Redondo e esta rua piora de dia para dia em termos de tráfego automóvel. Durante o dia entope, e são horas intermináveis de buzinadelas. À noite são carros e motas a acelerar, com acidentes violentos. Acresce ainda o problema de prostituição ruidosa, e a recente proliferação de alojamentos de estudantes e turistas, como a residência Marquês Collegiate, com grupos numerosos no exterior a fazer ruído até de madrugada. Já para não falar de obras constantes na recuperação de edifícios, que não têm regras nem horários nem param ao fim-de-semana.
    As queixas já são muitas, a junta de freguesia diz-se impotente, a CML ignora, as autoridades assobiam para o lado.
    É desesperante!

  • Jota
    Responder

    É igual praticamente em toda a cidade, devem ser muito poucas as zonas de Lisboa que não se queixam do mesmo. Querem ter sossego? Arranjem casa prós lados das embaixadas no Restelo ou na Lapa ou então numa zona onde more alguém do governo ou algum deputado, aí há sempre policiamento qualquer barulhinho e são logo corridos. Eu no meu caso moro entre o concelho de ministros e o ministério dos negócios estrangeiros zona dos prazeres e apesar de aqui existirem estes 2 organismos públicos e várias escolas nas redondezas, basta passar por aqui diariamente e ver droga, álcool, aceleras de carro e motas, tudo à vontadinha dos “trabalhadores do nada”, tudo a céu aberto. Queixarmo-nos? a quem? e p’ra quê? Á décadas(sim décadas!) que é assim e nada acontece, quem aqui manda está bem protegido!

  • Carlos
    Responder

    É a Lisboa do Merdina.
    É só ideias megalómanas e avançadas á desgraça.
    Que se lixe a qualidade de vida

  • Afirma Pereira
    Responder

    Fixo-me na última frase do comentário de MG e assino por baixo.
    Porque é desesperante.
    Por toda a cidade.
    Todos, mas rigorosamente todos, os meus amigos, conhecidos, familiares, que moram em Lisboa, se queixam do mesmo.
    Começa pelo interior dos edifícios: Basta um atrasado mental querer dar música a todo o bairro e pode fazê-lo na maior impunidade. Se é de dia dizem que o regulamento do ruído assim permite. Se é de noite fiam-se na fraqueza das autoridades para o fazer cumprir.
    Para quando uma Lei do Ruído?! Uma lei sério. Que seja aplicável. Dissuasora.
    No que à via pública diz respeito o artigo está magnífico.
    Como o estava um artigo do jornal Público de há algumas semanas.
    Em comum a demonstração cabal da inoperância das autoridades (!?) camarárias no combate a esse flagelo. Para já não mostrar de forma flagrante que é o próprio município a incitar e a participar na bandalheira. Vejam o saloio estardalhaço dos festejos natalícios. Ou festivais e festivaizinhos que na zona do Martim Moniz e restante baixa impedem os seus moradores de usufruir das suas casas com o mínimo de qualidade.
    Para quando o combate à poluição sonora?!
    Para quando um estudo sério dos prejuízos para a saúde provocados pelo excesso de ruído na capital?!
    Para quando as acções judiciais contra a CML por nada fazer para proteger os seus eleitores? Os mesmos a que esbulha com impostos…

  • Flora Duarte
    Responder

    Uma vergonha como estes governantes nao fazem nada e nem se procupam com a saude das pessoas , no Cacem o barulho e constante e nem os fins de semana da para descansar.

  • Filipe
    Responder

    Em Campolide é os aviões a passarem de 5 em 5 minutos. Confesso que já nem noto muito mas se me focar no barulho que fazem, é demasiado! Às vezes parece que vão aterrar na minha varanda.

  • alexandre
    Responder

    Boa tarde,
    A lei do ruido já vigora à algum tempo mas da experiencia propria ninguem respeita:
    Desde comboios, aviões, corridas de motas e carros e até vizinhos.
    Ninguem cumpre.

    • JoseN.
      Responder

      Se se mudar para a Junta de Freguesia as coisas ficam mais silenciosas, porque problemas não existem e se existem é invenção dos cidadãos. É só política de facebook, começando no Medina e os restantes seguidores. As ruas do Arco e do Alto do Carvalhão são um trágico exemplo desta realidade caótica e em que qualidade de vida desapareceu. As prometidas obras antes das eleições autárquicas continuam a ver se chegam dias melhores e os acidentes de transito com atropelamentos e mesmo mortes sucedem-se. Muito trágico, para não dizer outra coisa…

  • Afirma Pereira
    Responder

    Tenho que aqui voltar para agradecer ao Corvo a informação da existência dum “Plano de Acção do Ruído da Câmara de Lisboa”.
    Não sabia que havia tal coisa.
    Faço daqui uma pergunta: Alguém sabe para o que serve? Quem é que lá trabalha? De quantos funcionários dispõe? Que salários auferem?
    E acrescento umas perguntas mais: Sabem de alguém que tenha sido multado por excesso de ruído? Empresa ou particular?
    De algum morador que tenha sido multado por pôr música alta fazendo da vida dos seus vizinhos um inferno?
    Alguém que tenha sido multado por ter um cão numa marquise a ladrar todo o dia e noites, até os outros moradores enlouquecerem?
    Alguém que pense que o mundo é seu e dê festas ruidosas noites e fins-de-semana a fio e por isso ter sido penalizado?
    Alguém da CML, ou da Polícia Municipal, se incomoda a dar resposta ao Corvo e respectivos leitores? É que o artigo já saiu. Mas o desespero dos habitantes de Lisboa ainda aqui está.

  • abc
    Responder

    Conheço vários casos e queixas, que eu próprio também já fiz.
    Tirando os casos em que os visados decidiram voluntariamente parar com o ruído, nunca mais nada aconteceu. Pode-se pôr música alta dia ou noite, deixar cães a ladrar todo o dia e noites até os vizinhos enlouquecerem, dar festas ruidosas, especialmente, se for as autarquias pimbalhonas e ninguém dá resposta, não há multas, não acontece nada.

    • JoseN.
      Responder

      Infelizmente esta geração de autarcas da nossa capital é só politica de facebook e quando surgem problemas desaparecem…

  • Ana Frazão
    Responder

    É desesperante ouvir ruído permanentemente. Se não são várias obras a decorrer ao nesmo tempo, são aparelhos de ar condicionado obsoletos, sem manutenção há décadas ou as gargalhadas provocatórias da porcaria dos bares e restaurantes. Qualquer boteco imundo esoalha cadeirase mesas na rua onde se sentam pessias sem respeito sem maneiras que fumam ,riem aos gritos à hora que lhes apetece. A cidade está infernal porque está mal organizada. Quem deve fazer o seu trabalho demite se. Como se admite barulho de mûsica de natal? Wuem teve a ideia selvagem de destruir a paz. A magia do natal para criar uma atmosfera asfixiante que é a antítese do espírito de Natal? Ou a ideia é criar uma sociedade de surdos e dementes, vítimas do ruído? Sensação de descontrolo, incompetência, pouca preparação e insensibilidade de audm está no lugar onde pode agir.Só dã vontafe de saįr a partir as colunas que emitem som, partir tudo à paulada…..para criar algum silêncio para se poder dofmir em paz.

  • José Cunha
    Responder

    Não consigo entender algumas queixas de alguns moradores de Lisboa, tirando alguns casos como o ruido gerado pelas motas ou carros durante a noite, todos os outros são ruidos normais de uma cidade… Sou morador do centro da cidade, mais propriamente na Baixa de Lisboa, quando a animação foi aumentando só foi positiva…. A vida que há hoje nas ruas nada se compara com a degradação que existia à oito anos atrás e apesar de não concordar com a “guerra” que o Medina resolveu fazer ao estacionamento (que cada vez mais é dificil para quem tem carro, não ter lugar onde o estacionar), todas as restantes mudanças só vieram fazer com que Lisboa voltasse a ser uma Capital como tantas outras cidades europeias…. Eu até percebo que possa haver moradores com dificuldades e problemas em relação ao ruido, mas tambem temos de perceber que Lisboa não é uma aldeia ou uma vila e como em tantas outras grandes cidades capitais espalhadas pelo mundo tem de ter vida nocturna, em alternativa há sempre o suburbio que não tem tanto ruido como as grandes cidades….

    • Afirma Pereira
      Responder

      Não consegue entender?!
      Porque Lisboa não é uma aldeia os seus habitantes têm que aguentar a música do vizinho num volume que abafa o barulho de uma conversa normal?!
      Têm de aguentar o barulho que vem com bar em frente até à madrugada!? O cão a ladrar horas a fio!? A festa de quem pensa que todos têm que aturar a sua falta de educação?!
      Não, senhor Cunha, o subúrbio nunca terá que ser alternativa a coisa nenhuma! Quem mora no centro de uma cidade, seja ela qual for, tem o direito à tranquilidade na sua casa. Mesmo de dia. Mesmo que rodeado de largas dezenas de pessoas no mesmo edifício. Basta que sejam educadas e tenham uma coisa chamada “respeito”. Devia experimentar. Eu cresci num ambiente assim. No centro de Lisboa. E com um nível de ruído que todos mantinham decente. Outros tempo. Outros valores. Educação. Experimente ser educado com os seus vizinhos. Vai ver que vai ter outro nível de vida. Até vai ser visto com outros olhos. Como alguém que vale ter a viver ao lado. Acredite que vai gostar.
      Caso contrário a cidade deixa de ser habitável e converte-se num centro comercial. Ao abandono. Espaço para visitar e fugir.
      Se não consegue entender, se não tem inteligência de entender, se não tem a educação de entender, algo que é tão básico, senhor Cunha, tenho pena de si.
      PS – Se o problema onde estaciona o seu chasso o incomoda mais do que a poluição sonora, senhor Cunha, vá estacionar a lata nos subúrbios. Há lá muito espaço.

      • José Cunha
        Responder

        Diga isso aos meus vizinhos, porque se morasse no meu prédio com casas que tem soalhos de madeira, até os “peidos” que eles dão se ouvem dois pisos acima… O seu problema é o ter vívido sempre na cidade e não ter outros conhecimentos para comparação, se realmente quer silêncio experimente passar uma temporada numa localidade no interior de Portugal que se vai sentir maravilhada, mas infelizmente o que há em alguns sítios não é fácil ter numa cidade como Lisboa ou Porto por exemplo…. Já foi a Nova York? A Londres ou até mesmo a Madrid por exemplo? Se tivesse ido não estava a falar assim, porque nessas cidades por exemplo é muito pior comparativamente a Lisboa, mas eu percebo a sua indignação, chama-se a isso falta de conhecimento e por isso mesmo eu a desculpo a sua arrogância… Já agora em relação aos carros, nem me refiro ao meu, que.o uso uma ou duas vezes por mês… Falo sim de todos os moradores que usam e precisão de carro para o dia a dia e que não tem outra alternativa, mas mais uma vez a sua arrogância ultrapassa o ridículo porque só mostra que você só pensa no seu umbigo e o seu outros que se lixem… PS: Lamento também informar mas já existe leis do ruído, faça uso delas, agora o que você pretende que é o silêncio absoluto faça dia ou noite isso não há, lamento informar…

        • Afirma Pereira
          Responder

          Já morei no interior.
          E conheço bem Madrid.
          E reafirmo que cresci em Lisboa. No centro (freguesia de Arroios). Prédios velhos. O que faltava de condições de habitação sobrava em respeito pelos vizinhos. Era eu chavalito novo e já estava bem doutrinado pelos meus pais: pusesse em música alta e tivesse queixas da vizinhança e o chinelo e o meu traseiro teriam que travar conhecimento abrupto.
          Aprendi a respeitar os vizinhos.
          Sabia perfeitamente que do outro lado das paredes estava alguém que tinha direito a usufruir da sua casa. E eu tinha que o respeitar. Mas isto sou eu que “só penso no meu umbigo”.
          Sim, José Cunha. É possível morar no centro de Lisboa e ter silêncio. Não absoluto. Mas silêncio. É só preciso educação. E que a lei do ruído seja aplicável. Porque não é.
          E voltando a Madrid, e a título de exemplo: Começam as aulas nas universidades e chovem as queixas nas esquadras de polícia. As residências universitárias são um foco de poluição sonora e a vizinhança não hesita em revoltar-se a exigir o sossego a que tem direito.
          Já da Suíça nem é preciso dizer nada. Julgo ser do domínio público a dureza na aplicação da lei no que ao ruído aí existe.
          Lisboa não tem que ser uma bandalheira. Lá porque alguns estão habituados a viver em lixeiras não devem pensar que essa situação é natural.

    • Jose Fernandes
      Responder

      Ficamos a aguardar que indique algumas dessas capitais europeias onde a vida noturna decorra sem regras.

      • José Cunha
        Responder

        Meu caro José Fernandes não vamos mais longe, a última vez que estive em Londres fiquei num hotel ao pé do parlamento, centro da cidade e ao lado tinha um hospital, era a noite toda a ouvir as sirenes das ambulâncias a passar, já para não falar do bar em frente ao hotel que tinha barulho até a meia noite durante a semana e com música ao vivo até às duas sexta e sábado…. É assim, se quiser até lhe dou a morada para ir confirmar e o hotel para ler os comentários de que se queixa tem sobre as ambulâncias… Agora eu pessoal quando viajo escolho sempre os centros das cidades para não ficar muito dependente dos transportes e porque ando muito a pé… Se o ruído me afectar teria de escolher outras alternativas e essas seria não ficar no centro das cidades, mas é a minha opinião…

        • Afirma Pereira
          Responder

          Vai a Londres e pensa que toda a cidade é aquilo que viu e ouviu da janela do hotel?
          A primeira vez que veio a Lisboa e passou junto às arcadas da Almirante Reis deve ter pensado que todos os Lisboetas dormem ao relento… (desculpe a ironia).
          Não dormem. Dormem em casas normais. Acredite. E até há poucos anos dormiam em zonas silenciosas. Arroios, Penha de França, Areeiro, Avenidas Novas, Anjos…, naquilo que eram zonas residenciais. Onde as pessoas tinham de trabalhar no dia seguinte e precisavam de descansar. Como tal tinham que se respeitar mutuamente.
          E, senhor José Cunha, não quero que se ofenda com a dureza do meu tom, mas a minha fúria contra o estado de coisas a que chegámos tem precisamente a ver com o facto de eu conhecer uma Lisboa silenciosa. De ter vivido numa cidade em que era possível viver sem medicamentos para dormir, ou sem ter que tapar os ouvidos. E isto no Centro. Porque não será possível voltar a este estado de coisas? A uma cidade habitada mas onde reina o respeito pelo vizinho?

  • Vítor Vieira
    Responder

    Em Benfica, com início das aulas no politécnico, foram uns dias e noites sem descanso, um inferno. Questionei o presidente do politécnico, o qual, no alto da sua cátedra, não se dignou a responder-me até ao momento. A Presidente da JF de Benfica deu uma resposta redondinha e cor de rosa, dizendo, em síntese, que festas daquelas há por toda a cidade, que foi emitida licença de ruído e que acompanharam a situação. Ainda não lhe respondi, pois aguardo que me forneça cópia da licença especial de ruído. A situação não está esquecida….

  • Cláudia C
    Responder

    Quem vive em Lisboa há muitos anos, sabe que a cidade não era esta lixeira sonora.
    As pessoas estão cada vez menos educadas e as autoridades estão cada vez mais impotentes. É uma combinação que degenera na esterqueira que se observa. A complacência para com o lixo por todo o lado é correspondente à complacência para com o ruído. Quem cá vive há muito tempo sabe que não era habitual a cidade ter montes de lixo em todo o lado, tal como não era habitual este ruído permanente, disfarçado de ambiente de festa, como se a cidade tivesse sido transformada num qualquer resort manhoso.
    Os vizinhos não têm que ouvir música alto, há auscultadores. Os cães não têm que ficar a ladrar, pois são responsabilidade dos donos e são os donos que têm o dever de cumprir com as responsabilidades que assumiram. Os bares não têm que ter música aos berros, nem tem que haver cadeiras e mesas em qualquer passeio com mais de 20cm de largura, debaixo de janelas onde (ainda) mora gente.
    A festa é permamente, como se vivêssemos numas intermináveis férias e não tivéssemos obrigações a cumprir. Vendem-se as casas destinadas a serem residência permanente, vende-se o sossego dos cidadãos, vende-se a qualidade de vida, vende-se a cidade.

    E claro que logo surgem uns idiotas úteis que ainda não conseguem compreender quem deseja fazer ruído é que tem o dever de se afastar dos demais, para não os incomodar. Ninguém tem direito de perturbar o sossego que pertence a todos. Como se o direito do vizinho a ouvir música, do cão a ladrar, do bar a atrair clientela e da junta a fazer festas fosse superior ao direito de cada um de poder residir em paz na sua própria casa!

    “Vão morar para o campo”, dizem os surdos ao mais elementar bom-senso
    Devem estar a voluntariar-se para nos o ordenado do trabalho que teremos que abandonar para ir viver para “o campo”. Sugerem que abandonemos tudo e mudemos de vida para que outros idiotas possam continuar a perturbar impunemente os demais, se não fosse realidade sera uma boa anedota.

    Ruído só gera ruído. Basta um vizinho pôr música aos berros que você terá que subir a televisão para a poder ouvir e outros terão que falar aos berros para poderem simplesmente conversar. O barulho permanente a complacência para com o mesmo só são compatíveis com mentes sub-desenvolvidas, que parecem desconhecer que a mais elementar educação e civilidade consiste precisamente em nos abstermos de muita coisa por respeito àqueles com quem partilhamos casa, prédio, rua e cidade.

  • José Colaço
    Responder

    Como a Câmara Municipal de Lisboa não se preocupa nem com os ruídos nem com a poluição, as associações ambientalistas deverim preocupar-se com a enorme quantidade de oficinas de reparação automóvel que estão instaladas em prédios de habitação.
    Se forem encerradas, que grande alívio para nós residentes em Lisboa.
    Há zonas em Lisboa com poucos residentes e onde poderiam ser instaladas este tipo de empresas, autónomas dos prédios de habitação.
    O Corvo poderia fazer um artigo sobre este tema, ouvindo os ambientalistas e a CML?

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