Um grupo de cidadãos mobilizou-se em torno da defesa urbanística, cultural e paisagística da zona e fundou a associação A Cidade Imaginada Parque das Nações (ACIPN). O objetivo principal passa por cooperar e “fazer-se ouvir” junto das entidades gestoras do espaço. Mas também por preservar a qualidade de vida e o legado patrimonial da Expo’98, que, segundo este colectivo, “tem vindo a sofrer uma enorme degradação do espaço público”.

 

Texto: Pedro Arede

 

Em 1991, quando Lisboa foi escolhida para acolher a Expo’98, parecia impossível que a zona oriental da capital, degradada, poluída e recheada de velhos armazéns e instalações industriais, acolhesse um evento de tal envergadura e fosse o palco de uma transformação tão profunda.

 

Agora, 18 anos após a exposição mundial, e depois de uma profunda e admirável intervenção, ao nível da renovação e requalificação urbana e ambiental, parece difícil acreditar na degradação de alguns equipamentos e espaços comuns da freguesia do Parque das Nações. É o caso de certos espaços verdes. Mas também há quem aponte a falta de manutenção na Alameda dos Oceanos e na Avenida Dom João II.

 

Por isso mesmo, para dizer “basta!” e devolver o brilho de outros tempos ao Parque das Nações, procurando manter o padrão de qualidade pós-Expo’98, um grupo de cidadãos decidiu unir-se e fundar A Cidade Imaginada Parque das Nações (ACIPN), uma associação cívica, cultural e ambiental, sem fins lucrativos, nem cor política.

 

“A ACIPN nasceu em Março deste ano, com o intuito de preservar a qualidade urbana do tempo da Parque Expo”, conta ao Corvo Célia Simões, presidente da direcção da associação. “Não temos qualquer ligação política e temos procurado mobilizar os residentes para se envolverem na discussão pública dos problemas de gestão urbanística”, acrescenta.

 

A Cidade Imaginada conta já com cerca de uma centena de associados e tem-se desdobrado em diversas frentes e actividades para promover a melhoria do espaço público da zona. Exemplo disso foi a ação levada a cabo na Alameda dos Oceanos e Avenida Dom João II e que permitiu verificar, por exemplo, que metade das lâmpadas dos candeeiros dessas vias estão fundidas ou desligadas.

 

Outra situação sublinhada por Célia Simões diz respeito às obras de requalificação dos Jardins Garcia de Orta, onde se constatou que arquitecta responsável pelo projecto, Cristina Castel-Branco, não foi envolvida no projeto de requalificação daquele espaço. “Infelizmente, muitas vezes é assim. Nunca nos procuram e fazem o que querem”, diz a responsável.

 

Mas, apesar de sentir que, muitas vezes, a ACIPN está a “remar contra a maré”, sobretudo quando se trata de estabelecer diálogo com a Câmara Municipal de Lisboa ou a Junta de Freguesia do Parque das Nações, a responsável afirma que, neste ainda curto percurso de vida, o apoio da população e dos comerciantes da zona tem-se feito sentir de forma vincada.

 

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