A notícia do encerramento, a partir de 14 de Abril, dos espaços de diversão noturna Jamaica, Tokyo e Europa está a ser lamentada por muita gente – tendo até já motivado uma petição. Mas para os representantes dos moradores da zona do Cais do Sodré acaba por ser recebida com alguma indiferença. “As discotecas sempre ali existiram, toda a vida lá estiveram com a porta fechada e, por isso, nunca nos incomodaram nada. O que nós queríamos é que fechassem todos os outros bares que continuam a servir bebidas aos clientes de porta aberta para a rua”, diz Isabel Sá da Bandeira, presidente da direcção da associação Aqui Mora Gente, que congrega moradores dos bairros de Lisboa mais afectados pelo ruído noturno.

 

“Estes estabelecimentos em particular nunca nos afectaram”, diz ao Corvo a dirigente associativa e moradora do Cais do Sodré, sobre o anúncio, nesta segunda-feira (7 de março), do fecho das três discotecas, para que o degradado prédio onde se localizam seja convertido num hotel. Mas tal mudança deixa em Isabel Sá da Bandeira uma série de dúvidas sobre o futuro da zona em redor da Rua Nova do Carvalho, mais conhecida por “rua cor-de-rosa”. “Isto vai alterar o chamariz da zona, é certo, mas de que forma ainda está por saber. Poderá ser benéfico, se aparecerem outros hotéis e outro tipo de pessoas. Mas se ficarem apenas os bares que servem para a rua, como sucede agora, o problema mantém-se”, afirma esta moradora, que contesta a “falta de respeito pele lei por parte desses bares”.

 

As queixas dos moradores daquela zona sobre os incómodos causados pela movida desencadeada pela inauguração, em Setembro de 2011, da “rua cor-de-rosa” – projecto promovido pela Câmara Municipal de Lisboa, pela Associação Cais Sodré e a marca Absolut Vodka – têm-se mantido constantes. Tanto que na última reunião descentralizada do executivo camarário – destinada a ouvir os residentes das freguesias da Misericórdia, de Santo António e de Santa Maria Maior e realizada na semana passada -, o presidente Fernando Medina e a restante vereação foram obrigados a defender-se das veementes queixas e acusações de conivência da autarquia com os excessos cometidos pelos estabelecimentos de diversão do Cais do Sodré e Bairro Alto e seus utilizadores.

 

De acordo com a informação ontem avançada pelo dono dos estabelecimentos em causa, em comunicado citado por vários órgãos de comunicação social, a discoteca Jamaica ainda poderá voltar a abrir, com uma renda atualizada – de momento, pagará cerca de 200 euros por mês. Assim o prevê o projecto de reabilitação do edifício. Mas para que tal se efective, os senhorios do prédio pretendem que a administração do Jamaica desista dos processos judiciais que tem a correr contra si, reclamando uma indemnização de 200 mil euros, por causa dos prejuízos surgidos na sequência de uma derrocada ocorrida em 2011 – e que obrigou ao encerramento do espaço comercial durante quatro meses.

 

Texto: Samuel Alemão

 

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