Moradores do antigo Bairro das Colónias e ativistas contestam abate de oito árvores

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Samuel Alemão

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AMBIENTE

Arroios

5 Dezembro, 2016


O planeado abate, marcado para 12 de dezembro, de oito tílias nas escadarias da Rua Cidade de Manchester, no antigo Bairro das Colónias, nos Anjos, está a provocar a contestação por parte da Plataforma em Defesa das Árvores e a divisão entre os residentes, alguns dos quais querem ter mais esclarecimentos. Uma oportunidade para os obter ocorrerá, ao final da tarde (18h30) desta terça-feira (6 de dezembro), na Escola Secundária Dona Luísa de Gusmão, numa sessão convocada pela Junta de Freguesia de Arroios, entidade responsável pelas obras de requalificação do arruamento, que poderão implicar o fim dos exemplares arbóreos com décadas de vida. Assim o recomenda um relatório técnico feito por uma empresa contratada pela autarquia. Mas alguns dos moradores, que reuniram no passado sábado (3 de dezembro), desejam obter explicações adicionais.

No referido documento justificativo do corte das tílias, feito em abril deste ano pela empresa Sequóia Verde, e ao qual O Corvo teve acesso, mais de metade dessas árvores é apontada como padecendo de um grau “moderado” a “elevado” de perigosidade, de acordo com uma avaliação feita através do método Risk Rating System – que estabelece uma escala de risco entre 3 e 10. Neste relatório, onde se inclui também a inspeção realizada a uma olaia (cercis siliquastrum) ali existente – o que perfaz um total de nove árvores -, é indicada a existência de dois exemplares onde o grau de perigosidade apresentado corresponde a 7 e um outro a 8. Cinco tílias têm avaliação de nível 6. O que leva a técnica relatora a escrever que as tílias “apresentam um estado de vitalidade moderado e uma estrutura deficiente, em constante conflito com as fachadas dos edifícios e provocando deformações significativas dos degraus das escadarias”.

Moradores do antigo Bairro das Colónias e ativistas contestam abate de oito árvores

Tal observação corresponde, mais à frente, à conclusão de que “a espécie arbórea em questão é desadequada para o espaço envolvente disponível”. O que leva a que se aconselhe a “substituição de todo o alinhamento”. Algo corroborado, meses depois da redação do relatório, já em 20 de outubro, pelo parecer técnico da Divisão de Planeamento, Gestão e Manutenção da Estrutura Verde da Câmara Municipal de Lisboa. Nele, diz-se que as oito tílias apresentam “patologias associadas a podridão de lenho” e “que as raízes destes exemplares arbóreos se encontram a levantar a calçada”. E acrescenta-se que o arvoredo daquela rua tem vindo a ser substituído por outra espécie “mais adequada ao local”, precisamente a cercis siliquastrum. Além disso, alegam os serviços da CML, todo o pavimento das escadinhas vai ser sujeito a renovação.

Moradores do antigo Bairro das Colónias e ativistas contestam abate de oito árvores

Toda uma argumentação que está longe de convencer alguns dos residentes, mas sobretudo a Plataforma em Defesa das Árvores – constituída por cidadãos e diversas entidades, como a Quercus, o Fórum Cidadania LX ou os Amigos do Jardim Botânico -, para quem a simples ideia de proceder ao abate nas escadinhas é um erro. No seu blogue, os membros do colectivo ambientalista garantem mesmo terem “garantia de um especialista em como estão em bom estado fitossanitário e podem ser podadas”. Na reunião de sábado passado – que terá contado com cerca de três dezenas de participantes, apesar da intensa chuva -, e segundo o relato feito ao Corvo por um dos moradores, ficou patente a existência de diferentes sensibilidades ante o anunciado corte.

Se a Plataforma contesta por completo o mesmo, tal como diversos residentes, algumas outras pessoas preferem esperar para obter mais esclarecimentos. E, nesse encontro, um dos moradores terá expressado o seu apoio ao abate das tílias. Os próximos dias serão decisivos para avaliar o grau de mobilização, num bairro ainda a celebrar a vitória, na semana passada, do projecto de construção do Jardim do Caracol da Penha, no Orçamento Participativo de Lisboa 2016.

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