A última Semana Europeia da Mobilidade teve em Lisboa não sete, mas 20 dias. Nós somos assim. É tudo em grande. Parte importante das medidas associadas à iniciativa relacionaram-se com a intervenção nas faixas laterais da Avenida da Liberdade, entretanto vocacionadas para residentes e ciclistas. Mas agora, que a festa desses dias passou, experimente-se subir a artéria a pé. Lá está, ainda fresca e visível, a “via partilhada” com a sua pista avermelhada para as bicicletas. O que não está fresco e vai ficando cada vez mais invisível são as passadeiras destinadas aos peões.

É que nem todos são ciclistas, embora eles estejam muito na moda. As passadeiras de peões das ruas transversais à avenida foram completamente ignoradas nos arranjos da grande artéria. Pelo menos do lado direito de quem sobe, não há uma com visibilidade digna, para não falar no piso, muitas vezes remendado e aos altos e baixos. Há locais onde não se percebe se ainda existe ali passadeira tal é o apagamento do que foi pintado sobre o alcatrão. É o caso da Rua das Pretas. Noutros perduram restos de traços indecifráveis. As fotografias falam por si.

Só uma dúvida final. No espaço de três semanas, O Corvo desceu ao chão e subiu a pé a avenida, dos Restauradores ao Marquês. Nem uma única vez viu ser usada a via ciclável. Mero acaso? Talvez sim, talvez não.

 

Passadeiras 2

Texto e fotografias: Francisco Neves

  • Paulo Ribeiro
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    O problema é que a suposta infraestrutura destinada a velocípedes, apesar de ainda não ter desaparecido como as marcações das passadeiras, tem graves problemas conhecidos que tornam a sua utilização bastante incómoda e pior do que isso, perigosa. Isto exlica bem porque não viram ninguém de bicicleta.

    Infelizmente, tanto pessoas a pé como de bicicleta continuam relegadas para último plano e a cidade continua refém do automóvel.

    • Sergio
      Responder

      Quanto ao conforto de acordo. Quanto ao perigo se os ciclistas se posicionarem corretamente no meio das vias de circulação partilhadas não vejo onde está o perigo.

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