A Câmara Municipal de Lisboa (CML) tem a ambição de estabelecer, até 2024, uma política de mobilidade urbana que permita que “qualquer pessoa se possa deslocar em modos de transporte alternativos para qualquer lado da cidade, com conforto, segurança, rapidez e energeticamente eficiente”.

A promessa foi feita por Manuel Salgado, vereador do Planeamento, Urbanismo e Reabilitação Urbana da autarquia, durante a Conferência Internacional “Crescer com Energia”, no Instituto Superior Técnico, realizada na tarde desta quinta-feira (23 de Outubro).

Nesta “ambiciosa visão estratégica a implementar até 2024”, Manuel Salgado realçou que, com a actual crise, já há menos carros a entrar na capital, mas não especificou, assim como também não identificou, as possíveis alterações ao tráfego automóvel individual, que disse serem necessárias fazer.

O encontro ficou igualmente marcado pelo receio expresso pelo presidente de autarquia, António Costa, de Portugal perder – “por opção nacional” – fundos comunitários destinados à reabilitação urbana e à mobilidade e eficiência energética.

Para António Costa, os fundos comunitários do novo quadro Europa 20/20, que podem permitir diminuir a fatura externa que Portugal paga com a energia, estão em risco de se perderem.

Para a mobilidade urbana, disse, foram atribuídos 132 milhões de euros a Portugal, dos quais 30 milhões para Área Metropolitana de Lisboa (AML). A eficiência energética recebe 200 milhões, sendo 30 milhões para a AML. O risco sísmico também foi comtemplado com 7,2 milhões.

“O desafio das alterações climáticas ganha-se ou perde-se nas cidades”, disse António Costa, referindo que é nas cidades que o consumo energético dos edifícios e do sector de transportes tem maior impacto nas emissões de dióxido de carbono.

O vereador Manuel Salgado reconheceu o impacto da entrada diária na cidade de cerca de 500 mil automóveis, chamando a atenção para o período em que se viveu, no país, um estímulo à compra de casa e à utilização do automóvel. Estima-se que, em Lisboa, duas em cada três viaturas vêm de fora do município.

Outro problema relacionado com a eficiência energética e abordado no encontro foi o do parque habitacional da cidade e, sobretudo, a sua idade. Em Portugal, 73 por cento das casas tem menos de 40 anos, mas em Lisboa e no Porto 70 por cento é de construção anterior a 1970. Ou seja, tem mais de 40 anos.

O autarca, que também é arquitecto, frisou que um quinto dos edifícios da cidade foram construídos há mais de 100 anos. Por isso, é, naturalmente, um parque habitacional envelhecido, em que 43 por cento necessita de obras de reabilitação. Esta situação tem efeitos na eficiência energética das casas, onde um quarto dos residentes tem mais de 65 anos.

Nesta conferência, estiveram presentes autarcas de França, Reino Unido e Suécia, do Grupo do Partido Socialista Europeu do Comité das Regiões, que sexta-feira se reúnem em Lisboa para analisar a mobilidade laboral e o emprego jovem.

 

Texto: Mário de Carvalho

Comentários
  • João Pimentel
    Responder

    Se o petróleo triplicasse de preço, esta “ambiciosa visão estratégica a implementar até 2024” seria implememntada amanhã!

    Conversa de chacha de político! Como se para colocar um calhau no início de uma rua para a tornar livre de tráfego motorizado, fosse uma tarefa estóica.

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