Miradouro de Santa Catarina vai ter vedação e horário para tentar controlar enchentes e salvar espaços verdes

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Samuel Alemão

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URBANISMO

Misericórdia

26 Julho, 2018

Melhoria das condições de limpeza, de segurança e da manutenção dos espaços verdes são as principais razões invocadas pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) para avançar com a colocação, a breve prazo, de uma vedação em redor do Miradouro de Santa Catarina, impondo ainda um horário para a sua frequência. A novidade foi confirmada, na tarde desta quarta-feira (25 de Julho), em reunião pública de vereação, pelo vice-presidente da autarquia, Duarte Cordeiro (PS). A intenção da câmara passa ainda pela realização de obras de reabilitação daquele local. Além disso, pretende ainda responsabilizar quem tem actividade comercial nas imediações, em particular o quiosque ali instalado, pela adequada manutenção daquele sítio – muito procurado por grupos de jovens portugueses e turistas. Tanta é a demanda que a própria câmara fala em “carga excessiva”.

Interpelado sobre esta questão pela vereadora comunista Ana Jara, o número dois do executivo camarário confirmou que se avançará, a curto prazo, para a colocação de uma vedação e acrescentou os detalhes da operação de reabilitação planeada pela autarquia para aquele local. “É preciso uma obra de remodelação do espaço público, em particular dos espaços verdes. Mas também precisa de ser repensada a carga do espaço, que é uma carga excessiva e torna muito difícil a sua manutenção. O espaço é público e continuará a ser público. Mas queremos, por um lado, recuperá-lo, e, por outro, desejamos rever as responsabilidades que quem tem actividade comercial tem sobre o próprio espaço, seja ao nível da limpeza, da segurança e também em todos os aspectos relacionados com a manutenção dos espaços verdes”, informou Duarte Cordeiro.

O vice-presidente do município justificou ainda a delimitação do miradouro e a imposição de horários para a sua frequência com outros exemplos onde tal solução foi adoptada na capital. “Entendemos que só há uma forma de controlarmos melhor a carga excessiva. Existem muitos espaços públicos da cidade que têm a possibilidade de serem encerrados, como os jardins da Estrela, de Santos ou a Quinta das Conchas, onde existe também um horário de funcionamento”, afirmou o vereador, revelando que, numa primeira fase, avançar-se-á para a colocação da vedação. O que, diz, permitirá fazer uma “avaliação e tomar uma decisão sobre a carga do espaço”. Simultaneamente, explicou, deverá ser feita a recuperação do miradouro e “conferidas responsabilidades de manutenção a quem tem actividade comercial no espaço, em particular o quiosque”.

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A Câmara de Lisboa diz que a vedação visa combater o "excesso de carga" do local

Sobre este aspecto, aliás, Duarte Cordeiro informou que a Câmara de Lisboa encetará o mais depressa possível “o processo de negociação com quem tem o espaço comercial”. Mas, ainda antes de tal processo ter sido sequer iniciado, o autarca não deixou de dar logo como muito pouco provável o sucesso do mesmo. “Acreditamos que vai ser difícil, na forma como o contrato está desenhado, introduzir mais responsabilidades a quem tem aquele quiosque. Provavelmente, a câmara vai invocar interesse público e rescindir o contrato”, anunciou.


Estão longe de ser novas as queixas sobre o mau-ambiente no Miradouro de Santa Catarina, para o qual têm contribuído um sentimento difuso de insegurança, o tráfico de droga, a sujidade e a degradação do espaço público, sobretudo das zonas verdes. “O Adamastor é um ponto negro e tem de ser tratado como tal pelas autoridades”, dizia a O Corvo, em Novembro passado, Nuno Santos, vice-presidente da Voz do Bairro – Associação de Moradores de Santa Catarina e Misericórdia. Lamentos que o mesmo responsável já havia feito, quatro anos antes, em Novembro de 2013, quando O Corvo dava conta das preocupações dos residentes relativas à degradação do ambiente junto ao miradouro conhecido pela estátua do Adamastor e à artéria percorrida por muitos dos que o frequentam, a Rua Marechal Saldanha. Também Carla Madeira, (PS), presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, realçou preocupações com as questões da falta de segurança e de salubridade daquela zona, nas duas ocasiões em que foi questionada sobre o assunto, por este jornal.

 

O anúncio de realização de obras de reabilitação do espaço público no Miradouro de Santa Catarina surge pouco mais de cinco anos depois de o mesmo espaço ter sido sujeito a uma profunda remodelação. Na altura, como também foi destacado por O Corvo, foi alvo de grande polémica a colocação de pedra lioz no pavimento, substituindo a calçada até então ali existente.

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COMENTÁRIOS

  • João Fernandes
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    Este espaço ficou sem solução possível a partir da remodelação de há uns anos. Sempre achei graça ver cenas do “Pai Tirano” filmadas lá e comentar que aquilo estava na mesma. Precisava de uns arranjos sim, mas não o estropiamento que foi feito !

  • Leonilde Silva
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    Este espaço à muitos anos que devia ter sido,tratado.Na minha opinião nunca deviam ter permitido que aquele espaço verde ,se tivesse tornado em um lugar de droga e álcool.Tenho saudades de ver aquele jardim limpo.Tenho pena de não puder frequentar aquele jardim com os meus pais ,como fazia em pequena.Espero que esta situação se consiga resolver.Mas eu duvido muito.

  • Jorge Simões
    Responder

    Mas será que ninguém percebe que colocar um relvado com uma inclinação enorme e num local cheio de gente em cima dele não resulta? Em vez de relvado o que aquilo tem é um terreiro! Não seria muito melhor fazer uma escadaria como já se fez noutros lugares da cidade de grande inclinação de forma a poder estar sentado a apreciar o fantástico pôr do sol ao fim da tarde?

  • Susana Simoes
    Responder

    Eu gostava que alguém pudesse questionar a autarquia sobre a sua forma de agir em situações que à partida são semelhantes mas consegue encontrar soluções distintas que por vezes parecem à medida do interesse que é pouco publico!
    Então, na altura em fizeram as obras do Cais Do Sodré, o quiosque que lá estava foi substituído por outro novo e o arrendatário permaneceu o mesmo e com a mesma renda que tinha no passado! Não tem quaisquer obrigações relativamente ao espaço publico, segurança ou sequer ecológicas! E o acesso ao WC é negado!!!!!
    Já no jardim de Santa Catarina é o que se sabe é q se vê…
    O arrendatário do quiosque vai ser expropriado sob a máxima do interesse público ou será do interesse privado das redondezas???

  • sonia louro
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    Sou de Santa Catarina, passei a infância nesse jardim . Culpo os” doutores” e arquitectos do urbanismo da CML ao longo dos anos, sobretudo com camaras socialistas que , além de espoliar e delapidar património de todos, nao fazem rigorosamente mais nada de útil politicamente, PELA VERGONHA QUE ESTA O JARDIM DE SANTA CATARINA , NA RUA DA PALMA ONDE QUEREM FAZER UMA MESQUITA HORROROSA QUE VAI CRIAR CONFLITOS SOCIAIS NÓS SOMOS CATÓLICOS. PENSEM BEM ONDE VOTAM

  • ANTONIO
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    Este espaco tornou se improprio para consumo, So trafico de droga ,sujidade uma anarquia completa. Grandes obras, Para que? A Camara não sabe o que fazer com o dinheiro? O que e preciso e policia permanente e boa iluminação.Acho muito bem que todos os quiosques sejam responsabilizados PELA MANUTENCAO DOS ESPACOS PUBLICOS QUE ESTAO A UTILIZAR (TAXA ESPECIAL SOBRE LIXO E MANUTENCAO)

  • Manuel Pessôa-Lopes
    Responder

    O mais importante é pensar que o Miradouro do Adamastor é antes do mais uma praça pública, independentemente da forma como se recupera… não pode ser vedado, temos o direito de aceder a ele 24 h. por dia nos 365 do ano, e nos 366 dos bissextos. Quanto à segurança resolve-se com policiamento e a higiene o Município do Fernando Medina e a Freguesia da Carla Madeira, têm meios para resolver o problema. Agora esta repentina vontade de recuperar e de limitar o acesso é algo bastante tendencioso quando vai abrir ao lado um hotel de 5 estrelas. A população de Lisboa (os que ainda cá estão) não pode permitir este atropelo dos seus direitos e exigir que lhe seja devolvido o Miradouro do Adamastor.

  • Carlos Branco
    Responder

    O miradouro de Santa Catarina está um caixote do lixo a céu aberto principalmente pela culpa dos brasileiros, que ainda por cima lançam o lixo para os edifícios que se encontram em baixo, os residentes tentam tomar medidas com cartazes para a sensibilização de não deitarem o lixo, mas em vão. É só estar lá uma ou duas horas e estar atento, deixam as garrafas de cerveja no chão, fumam cigarros de drogas leves. A estátua está cheia de grafites, é um bem patrimonial a preservar. A polícia da Camarária de Lisboa nada faz anda com os carros de um lado para o outro, pura e simplesmente a gastar combustível pagos pelos contribuintes, e não toma medidas nenhumas. Será que este presidente da Câmara passa pelas ruas da cidade, Alfama e Bairro Alto, e o elevador da Bica com mais de cem anos de história todo grafitado, Alfama com dezenas de sacos do lixo da qual chegam a ser mais de 30, será que o lixo é recolhido? Numa das ruas de Alfama junto ao fontanário em recuperação, um colchão ali se manteve com mais dez sacos de lixo, durante duas semanas, será que há recolha de lixo, ou estão ainda a contar com a desertificação do bairro, sem verem que agora está habitado pelos turistas?

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