Alargamento da zona de acesso condicionado deve entrar em funcionamento ainda este mês, mais de dois anos após decisão do executivo municipal. Só entram veículos autorizados ou de moradores.

 

Texto e fotografia: Luís Filipe Sebastião

 

Plásticos negros cobrem os sinais de trânsito, mas a antena de “portagem” e a câmara de vigilância deixam antever que a circulação automóvel vai passar em breve a ser condicionada na envolvente dos largos Barão de Quintela e do Calhariz. O ainda vereador da Mobilidade na Câmara de Lisboa, Fernando Nunes da Silva, adianta que se trata do alargamento da zona condicionada de Santa Catarina/Bica.

 

A zona de acesso automóvel condicionado de Santa Catarina/Bica foi criada pela Câmara de Lisboa em Maio de 2004. Ano e meio depois do condicionamento do acesso a veículos no Bairro Alto e Alfama, esta zona histórica da cidade passou também a ser controlada, através de pilaretes retrácteis, a veículos estranhos. Daí para cá, a autarquia alargou a medida ao Castelo e Madragoa, bairros históricos da capital onde a entrada de viaturas é reservada para moradores e casos excepcionais, como as cargas e descargas.

 

A zona condicionada de Santa Catarina/Bica estava delimitada pela Rua Poço dos Negros, Calçada do Combro e Largo do Calhariz (a norte); ruas da Boavista e de São Paulo (sul); Rua das Chagas e Calçada da Bica Grande (nascente), e Rua das Gaivotas (poente). Agora o perímetro vai ser alargado ao miolo urbano limitado pelas ruas da Emenda, das Chagas e das Flores. No entroncamento do Largo Barão de Quintela com a Travessa Guilherme Cossul já se encontra instalada a antena de leitura de dispositivos electrónicos de acesso, uma câmara de vigilância e a sinalização rodoviária (ainda tapada).

 

A Rua da Horta Seca, onde está instalado o Ministério da Economia, fica de fora da zona para permitir a ligação com o Largo do Camões. Segundo Fernando Nunes da Silva, a montagem dos equipamentos e da sinalização destina-se ao “alargamento da zona de trânsito condicionado de Santa Catarina, aprovado em 2010, mas que só agora foi possível pôr em prática.”

 

O vereador da Mobilidade – eleito para a assembleia municipal nas autárquicas de domingo passado, pela lista PS/Cidadãos por Lisboa – reconhece que o processo não foi pacífico entre os moradores. “As pessoas precisam de perceber que a criação destas zonas não tem a ver só com os seus interesses imediatos, mas também com a sua segurança e da cidade”, observa o autarca, que acrescenta às queixas “de moradores que não conseguem estacionar” as dificuldades dos bombeiros para circularem nestas zonas históricas.

 

“Às vezes passamos com os carros quase a raspar os automóveis estacionados”, confirma a O Corvo um elemento dos Bombeiros Voluntários de Lisboa, com quartel no Largo Barão de Quintela. Os residentes, na opinião da mesma fonte, estão divididos no condicionamento do acesso mais por causa das dificuldades para visitas de amigos e familiares, que terão de passar a estacionar fora da zona. “Os moradores estão 50/50”, comenta uma comerciante, no que toca aos adeptos e opositores da medida.

 

Para já, a entrada em funcionamento da zona condicionada deverá ocorrer ainda este mês, embora ainda sem uma data precisa. A Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa, responsável pela gestão do acesso, só arrancará com o condicionamento após um período de esclarecimento dos moradores e entrega dos dísticos e dispositivos electrónicos para as viaturas autorizadas a entrar na zona.

 

  • Aqui mora gente
    Responder

    O que é de lamentar é que o encerramento de ruas ao trânsito no Centro Histórico não tenha sido acompanhado da necessária gestão do espaço público, transformando as vias públicas em prolongamento dos bares pela noite fora.Foi assim em 2004, no Bairro Alto e Bica, mais recentemente, em 2011, no Cais Sodré, com a Rua Rosa e aguarda-se para ver o resultado em Santa Catarina…

  • Carlos Moreira de Pádua
    Responder

    Moro na Rua da Emenda, rua tranquila!
    Vai bastar fechar a rua para proliferar os bares e espaços de venda de bebidas alcoólicas de 4 metros quadrados. E onde farão depois “sala”? Na rua claro!!!
    Rua que se vai tornar barulhenta, conflituosa, imunda, a cheirar a urina por todo o lado…basta olhar para os outros locais onde sucedeu o mesmo.
    O comentário anterior de “Aqui Mora gente” faz todo o sentido.
    Esperem e veremos o que vai dar!

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