Medina diz que gosta do projecto do “mono do Rato”, mas não naquele sítio

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Samuel Alemão

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Santo António

1 Março, 2018

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Fernando Medina (PS), considera desadequado o enquadramento do edifício a construir no gaveto do Largo do Rato com as ruas do Salitre e Alexandre Herculano, e anuncia que a autarquia “entrará em diálogo” com os promotores do projecto para tentar “minorar o impacto na zona”. Respondendo ao apelo de um munícipe, durante a reunião pública de vereação realizada na tarde desta quarta-feira (28 de fevereiro), Medina diz que tudo fará para não passar a ser etiquetado como o autarca responsável pelo “mono do Rato” – nome pelo qual é mais conhecido o polémico projecto assinado pelos arquitectos Manuel Aires Mateus e Frederico Valsassina. Obra que, diz o autarca, criará uma “descontinuidade estranha” naquele sítio. Ainda assim, admitiu a sua impotência para travar o avanço do projecto, dado os “direitos adquiridos” de construção da empresa que pretende erguer o edifício.

“Tenho um enorme respeito pelos arquitectos. São dois dos melhores arquitectos que o país tem. Um deles, entretanto, galardoado com o Prémio Pessoa. Sou um grande admirador da obra dele e, certamente, da obra que ainda nos vai deixar na cidade. E até gosto do projecto em si”, disse o presidente da câmara, referindo-se ao imóvel que foi desenhado pela dupla de arquitectos em 2004, mas cuja autorização de construção conheceu um processo atribulado, nos seis anos seguintes. Desde 2011 que nada se sabia sobre o efectivo avanço da construção. Até há duas semanas, quando o actual quarteirão onde deverá ser edificado começou a ser rodeado por tapumes, antecipando a sua demolição. Reacendeu-se, então, a contestação popular ao avanço da obra, pelo mesmos motivos de sempre: o enorme impacto visual causado naquela área. Descontentamento ao qual, aparentemente, se junta agora Medina.


“Eu não gosto do projecto naquele sítio, acho que não é um bom projecto para aquele sítio. Acho que o projecto não é bonito naquele sítio, que cria uma disfunção naquele sítio, uma ruptura naquele local”, afirmou o presidente da Câmara de Lisboa, referindo, de seguida, que estava apenas a dar a sua opinião pessoal sobre o projecto. “A verdade é esta: não serei eu o presidente do ‘mono do Rato’. O projecto foi aprovado na câmara em 2005 e foi alvo de um intenso contencioso jurídico entre os promotores e a câmara, ao longo de vários anos. Foi alvo de um acordo em 2010 e agora é retomada a iniciativa de algo a que os promotores têm direito, de um licenciamento que foi efectuado”, acrescentou, antes de revelar o que a autarquia pensa fazer para apaziguar os protestos.

“O que podemos fazer é ter um diálogo com os promotores e tentar encontrar, na minha opinião, uma solução que minore o impacto da adaptação da zona. Não garanto o sucesso da operação”, disse, salientando, de seguida, que “o projecto está aprovado desde 2oo5” – na verdade, e como o próprio referira momentos antes, o projecto encontra-se aprovado desde dezembro de 2010, após o já mencionado acordo. Fernando Medina disse ainda ao munícipe que o interpelara sobre o “mono do Rato” que, com ele, “partilhava” a apreciação sobre o “gosto” e o “enquadramento daquele edifício, naquele local”. Mas, logo de seguida, fez questão de salientar que “aquele edifício, noutro local, seria extraordinariamente valorizador”, independentemente do onde se viesse a inserir. Mas, afinal, admite Medina, no sítio onde deverá surgir o prédio vai-se “criar uma descontinuidade estranha, principalmente com o início da Rua da Escola Politécnica e com a sede do PS, no Largo do Rato, com a igreja e com os edifícios contíguos, que precisam de levar uma certa volta”.

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