Medina declara sucesso das bicicletas partilhadas e “derrota dos cépticos”

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Samuel Alemão

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Cidade de Lisboa

7 Março, 2018

Os números são bastante animadores, sobretudo para um projecto tão recente. Desde o início das operações do Gira, marca do sistema de bicicletas partilhadas de Lisboa explorado pela EMEL, em setembro passado, já terão sido realizadas mais de 130 mil viagens e estarão quase a ser alcançados os cinco mil subscritores dos passes anuais. Só em fevereiro passado, terão sido feitas três dezenas de milhar de deslocações. Os números são adiantados por Fernando Medina (PS), presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), e levam-no a declarar o investimento público de 23 milhões de euros como um inegável sucesso. E, por inerência, uma peça fundamental do sistema global de mobilidade da capital. O autarca fala mesmo numa clara “derrota dos cépticos”.

Falando perante a Assembleia Municipal de Lisboa (AML), durante a apresentação da informação relativa à actividade da câmara nos meses de dezembro e janeiro, ocorrida na tarde desta terça-feira (6 de março), Medina apontou para o Gira como um elemento essencial nas mudanças que estão a ser realizadas pela CML na área da mobilidade e considerou que “o sistema de bicicletas partilhadas é um sucesso na cidade de Lisboa e vai ser um sucesso ainda maior”. Razões, considera, para se congratular com tal cenário, sem esquecer de fazer críticas. “Gostava de salientar uma primeira derrota, que é a derrota dos cépticos, de quem sempre criticou a aposta da bicicleta como um instrumento complementar de mobilidade na cidade de Lisboa”, afirmou o autarca.

A declaração de vitória pela aposta no sistema de bicicletas partilhadas gerido pela EMEL, explica Fernando Medina, baseia-se na análise dos primeiros números, após quase seis meses de funcionamento. Com 43 estações a funcionar e 400 bicicletas em uso, ou seja, com um terço do sistema operacional – período que o presidente da câmara qualifica como “fase de testes” -, já existem quase cinco mil inscritos com passes anuais e já se realizaram mais de 130 mil viagens. “Só no mês de fevereiro, foram realizadas 30 mil viagens, numa utilização média de quatro viagens por bicicleta”, anunciou o edil, que, de seguida, tirou conclusões sobre os dados por si avançados.

“Pode-se reparar, numa análise qualitativa, como estavam certos aqueles que apostaram neste sistema como um complemento ao serviço transporte público. Porque as bicicletas partilhadas não são hoje um instrumento, fundamentalmente, ao serviço do lazer – que também o são, e bem -, mas, antes, um instrumento complementar às necessidades de mobilidade, nomeadamente em matéria de trabalho ou de estudo”, disse Medina, que vê nesta tendência de crescimento da utilização do Gira uma prova inequívoca do papel que as bicicletas partilhadas já desempenham, associadas à rede de transportes públicos.

Na mesma sessão, o deputado municipal Luís Newton (PSD), presidente da Junta de Freguesia da Estrela, embora sem o dizer de forma explícita, fez referência a uma notícia do jornal PÚBLICO desta terça-feira, que dava conta do facto de a CML ter mandado remover as bicicletas partilhadas da empresa privada oBike, por alegada falta de licenciamento. Newton disse que essa seria a demonstração de que muito haveria por fazer nessa matéria, pois, apesar do município gastar 23 milhões de euros com as bicicletas privadas, o “mercado continua sem ser regulado”, barrando-se assim a iniciativa privada no ramo, alegou o eleito laranja. Na resposta, Medina preferiu reforçar que o investimento em biciletas “que a todos servem” foi realizado com “equilíbrio e ponderação”.

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COMENTÁRIOS

  • José Encarnação
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    Já tive a oportunidade de comprovar que é muito útil o esquema de bicicletas da EMEL, ao verificar hordas de gente a chegar no Comboio e Metro e pegar quase todas a bicicletas no prazo de 3 minutos.
    Sim, funciona.

    Só me oponho é a Lei Código da Estrada permitir que essa gente circule na estrada, sem Seguro ou Conhecimento e Obrigação de a cumprir.

    • regerv
      Responder

      mas qual obrigacao a cumprir ????? mas bate bem da mona? como peão também paga seguro? gente ignorante. Portugal há-de ser sempre um país de gente triste.

      • Afirma Pereira
        Responder

        Tem razão, caro regerv, onde é que já se viu exigir o que quer que seja a um ciclista?! Ciclista que circula pelos passeios a fazer slalon entre os peões é perfeitamente aceitável, mesmo que às tantas derrube alguém.
        Ciclista a passar pelos semáforos fingindo que não existem, fazendo-se matar por um automóvel também é normal. A culpa é pró gajo que ao volante pensava que o sinal verde era para passar.
        Ciclista neste país de gente triste é assim mesmo: desbunda total! E toca a abrir, regerv! A rua é nossa! Pedalemos freneticamente que para nós tudo é permitido!!! As ciclovias são pra meninos!!!

        PS – Seguro para peões? Sim, talvez seja melhor começar a fazer. Com os ciclistas de Lisboa em acção talvez os peões tenham que começar a assegurar o coiro…

  • lopes rodrigues
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    Este Medina se não é parvo anda la próximo quando ele fala de sucesso das bicicletas partilhadas para desgosto dos ceticos nem parece economista, devia aguardar pois com a publicidade toda vertida em jornais radios e televisões mal seria se o sucesso instantaneo não tivesse sido notorio daqui a um ano ou ate mesmo dois e que ele poderá falar se houve sucesso ou não e se a sua utilização é ou não uma rotina permanente. mas não pode nem deve ser medida à saída de uma estação de comboios ou de Metro.
    A Camara de Amesterdão esta a braços com um problema de gente atropelada nos passeios por uma percentagem muito elevada dos utilizadiores das 800 000 bicicletas e correspondentes ciclistas violentos, que não respeitam peões sejam crianças adultos novos ou velhos. eu tenho e ando de bicicleta e tenho visto atitudes de ciclistas menos prudentes ums outros muito pouco civilizados para com os peões ate mesmo para com senhoras com carrinhos de Bébé com policia por perto fazendo vistas grossas que necessitavam duma correção imediata.

    • regerv
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      Porque os peões andam nas ciclovias…. é como um peão andar numa via rápida, provavelmente morre atropelado não?

  • Ze
    Responder

    Oh sr Lopes e a utilização abusiva dos peões das ciclovias para passear também devia ser alvo de controlo.
    Cumps

  • regerv
    Responder

    mas qual obrigacao a cumprir ????? mas bate bem da mona? como peão também paga seguro? gente ignorante. Portugal há-de ser sempre um país de gente triste.

  • Afirma Pereira
    Responder

    Cansado estou eu de passar horas em paragens de autocarros, a ver a Carris enterrar qualquer réstia de credibilidade e respeito pelos seus utentes.
    Agora vejo porquê: a CML prefere apostar em actividades circenses.
    “Complemento ao serviço de transporte público”. Claro que a um complemento de um serviço que não presta para nada também não se vai exigir muito. E não exigindo muito o sucesso é seguro…
    Um sucesso no marketing, esta gente.

  • José N.
    Responder

    A política de facebook no seu melhor…

  • José Maria C.S. André
    Responder

    Investimento público de 23 milhões de euros e 5 mil inscritos: não vejo como é possível amortizar 4600 euros por cada inscrito, com o preço do passe anual. Além disso, os custos operacionais do sistema são uma fracção importante da despesa, pelo que não bastaria que os passes anuais amortizassem o investimento.

    Números redondos, se houvesse 5 mil inscritos a pagar anualmente 1000 euros, talvez o sistema não implicasse encargos para o contribuinte. Assim, no cenário actual, parece muito exagerado falar em aposta ganha.

    Gostaria que a Câmara esclarecesse o que se passou com a empresa oBike, que tentou disponibilizar bicicletas sem encargos para a Câmara. Aparentemente, a Câmara gastou bastantes milhares de euros por pessoa para que 5 mil pessoas possam andar de bicicleta e proibiu uma empresa de proporcionar à população bicicletas sem encargo para o Estado (e para o contribuinte).

  • Luis Costa
    Responder

    Mais uma desilusão a somar a tantas outras. Gasta-se o dinheiro dos contribuintes, neste caso perto de 30 milhões de euros, e depois é o exemplo acabado da ineficiência. Ainda gostava que os Sr.s da Emel me explicassem porque é que existem estações colocadas em locais em que praticamente de uma estação pode-se avistar a outra a olho nu, a maior parte do tempo sem qualquer utilização, como é o caso do parque das nações que tem 10 estações mas que praticamente só a que está em frente à estação do oriente é que está quase sempre vazia de bicicletas, e não há uma estação junto à estação de Sta Apolónia para que quem usa o comboio possa ter uma bicicleta partilhada à disposição. Este investimento está nitidamente a demonstrar que serve alguns turistas, uma elite que vive em Lisboa e que tem umas bicicletas à porta para dar uma «voltinha» de vez em quando, o que como é óbvio garante votos nas eleições, mas melhorar a mobilidade é uma autentica miragem. O Sr. presidente da câmara esquece-se que a mobilidade dentro da cidade não é só para os moradores e turistas, deve ser também para aqueles que vem da periferia e todos os dias têm de usar a cidade, que cá deixam o dinheiro e que sem estes a cidade era uma coisa morta. Quem pensou o local das estações e não contemplou locais como estações ferroviárias do Rossio, Stª Apolónia, algumas estações de metro, nitidamente estava a pensar noutra coisa mas que com a certeza absoluta não era a mobilidade. O sr presidente devia levar os seus correlegionários da Emel até Paris para ver o que são as bicicletas partilhadas e que servem realmente a mobilidade. O que isto vai ter como consequência é dar razão à outra senhora que ficou em 2º lugar nas ultimas eleições em Lisboa, e que diz que vai acabar com as ciclovias e vai fazer avenidas tipo auto estrada para encher a cidade de automóveis. Com este exemplo de falta de eficiência de um investimento desta grandeza ela tem mais que razão, infelizmente, digo eu!

  • Luís costa
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    Sem dúvida que a opção de usar a bicicleta pode ser uma excelente opção, ainda mais quando se prometem mais kms de ciclovias. È claro que não hà bela sem senão. O investimento de milhões pago pelos contribuintes serve na sua maioria os turistas. A estratègia da EMEL está bem demonstrada, pois se quisesse que as “giras” fossem realmente uma alternativa de mobilidade para os que usam diariamente a cidade, as estações estariam colocadas em lugares para servirem os portugueses e não os turistas. Estariam junto às estações de metro ou comboio onde chegam as grandes massas de pessoas que deslocam de e para Lisboa diariamente. Isso seria realmente mobilidade alternativa e ecológica. Mas veja-se o exemplo da estação do comboio de sta Apolónia; onde a EMEL colocou a estação das giras? Junto ao terminal de cruzeiros para os turistas usarem. Os portugueses que pagam o investimento é que chegam e partem aos milhares diariamente daquele terminal ferroviário, continuam a usar o autocarro, o metro etc…. Pagamos para os estrangeiros se servirem. Temos políticos que são dignos de servirem a Venezuela ou Angola.

  • Luís costa
    Responder

    Quase um mês depois do último comentário que fiz, infelizmente confirma-se o pior cenário. Mais uma estação das giras colocada onde???? Junto ao terminal de cruzeiros, distante do terminal dos barcos da Praça do comércio e da estação ferroviária de sta Apolónia que é para terem a certeza que os portugueses que vêm trabalhar para cidade de Lisboa, essa cambada de inúteis, não usam as bicicletas partilhadas, que é para estas estarem a brilhar quando os navios de cruzeiro cheinhos de turistas atracam no terminal. Isto é que é fomentar a mobilidade…..

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