Manuel Salgado assegura que “choque” com impacto visual do novo hospital CUF Tejo mudará com o fim da obra

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Samuel Alemão

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URBANISMO

Alcântara
Estrela

20 Dezembro, 2018

O vereador do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Manuel Salgado (PS), admite que até ele ficou admirado com o impacto visual causado pelo novo hospital CUF Tejo, em construção em Alcântara, mas pede paciência aos cépticos. O cenário deverá mudar substancialmente, diz, aquando do término da trabalhos de edificação do imóvel. Uma confissão e uma garantia feitas na tarde desta quarta-feira (19 de Dezembro), em reunião pública do executivo municipal, após rememorar os passos essenciais do processo de licenciamento e os cuidados tidos com o impacto visual da edifício. O autarca dava resposta à interpelação sobre o assunto, feita pela vereadora comunista Ana Jara, que o confrontou com uma fotografia das actuais vistas obtidas a partir do Miradouro do Largo das Necessidades. “É evidente, hoje choca a imagem que lá está, é um facto. Mas também penso que, quando a obra estiver concluída, e não tiver aquele pano e não for uma massa uniforme e cinzenta, mudará significativamente o seu impacto”, disse.

Nos últimos meses, tem dado que falar o efeito cenográfico, sobretudo a partir do Miradouro do Largo das Necessidades, causado pela construção do complexo hospitalar do grupo Mello. Muitos queixam-se que deixaram conseguir de vislumbrar parte significativa do Tejo. Tem mesmo havido até quem, como o grupo cívico Fórum Cidadania Lx, coloque em causa o cumprimento integral das regras urbanísticas, nomeadamente no que se refere à preservação do sistema de vistas consagrado no Plano Director Municipal (PDM) da cidade. Mas o responsável máximo pela gestão do pelouro urbanístico da capital garante que “todos os estudos de impacto visual que eram exigidos constam do processo de licenciamento e foram objecto de aprovação em reunião de câmara, depois de submetidos a consulta pública”. Salgado informou os presentes, na reunião pública desta quarta-feira, que o processo esteve em consulta pública entre 20 de Abril e 11 de Maio de 2016, tendo a proposta acabado por ser aprovada pelo executivo camarário a 29 de Junho desse ano.


Manuel Salgado respondia à vereadora Ana Jara (PCP), que colocou esta questão, no período antes da ordem do dia. Pedindo para ser exibida para toda a sala, através de um projector, uma fotografia onde se vê o polémico edifício a partir da zona do Largo das Necessidades, a eleita comunista disse que a mesma confirmaria de forma inequívoca o seu enorme impacto visual. “Confessamos alguma perplexidade perante a altura desta construção e o facto desta ser ininterrupta”, afirmou a autarca, relembrando o facto de o seu partido ter votado contra o licenciamento da edificação deste equipamento de saúde privado, em terrenos outrora ocupados por instalações dos serviços de higiene da autarquia. “Hoje, é um facto que inspira as maiores reservas. A implantação excepcional não vai ao encontro das regras estabelecidas no PDM, pois o edifício tem 150 metros de frente, quando o que é permitido é 50 metros”, disse a vereadora, reconhecendo que a construção avançou à luz da excepcionalidade, permitida pelo plano director, relativa a um projecto com especial interesse para a cidade. E acrescentou não ter conhecimento dos resultados da correspondente discussões pública.

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Salgado garante que a retirada da tela "mudará significativamente o impacto" visual do edifício

Ana Jara deu conta de notícias segundo as quais o promotor da obra teria alterado a dimensão do imóvel face ao projecto, aumentando-lhe a altura, mediante o pagamento de uma multa. Referindo-se ao sistema de vistas inscrito no PDM, a vereadora questionou se o mesmo estaria salvaguardado com a construção do hospital CUF Tejo. “O interesse público está em causa quando a Câmara de Lisboa aprova projectos deste género. O sistema de vistas fica seriamente comprometido com casos destes, até porque há mais do que um, este não é o único”, considerou. A eleita do PCP lembrou ainda que, precisamente para preservar o referido sistema de vistas, o PDM prevê a obrigatoriedade de se realizarem estudos de impacto visual para obras com tal envergadura. “Estes estudos servem para a câmara aferir deste impacto e assim preservar o interesse público ou há margem e subjectividade nesta aferição?”, questionou.

 

Perante tais dúvidas, Manuel Salgado fez uma extensa recapitulação dos cuidados tidos em Lisboa, através do Plano Director Municipal, com a preservação do mencionado sistema de vistas – a propósito, referiu que no PDM revisto em 2012 se transpõem os cuidados já tidos no anterior plano, de 1994, embora com ligeiras adaptações. Uma delas, prevista no ponto relativo ao “subsistema da frente ribeirinha” (artigo 18 do actual PDM), salienta Salgado, cria uma excepção em relação a “edifícios cujos programas obrigam a ter uma dimensão superior a 50 metros e que, por isso, teriam que ser considerados de excepcional interesse para a cidade, submetidos em consulta pública e aprovados em reunião de câmara”. Características em que se enquadrará o hospital CUF Tejo. O vereador explicou que a dimensão do edifício em causa “decorre do seu programa”. “Um hospital é um edifício que é difícil organizar em fatias mais pequenas, de 50 metros”, frisou.

 

 

Em todo o caso, salientou Manuel Salgado, o projecto agora contestado pelo seu impacto visual terá cumprido todos os requisitos legais neste aspecto, como nos restantes. Algo que, explicou, era já garantido na memória descritiva do processo de licenciamento entregue, em 2013, nos serviços de urbanismo da autarquia, com uma referência explícita aos pontos de vista. Nela, eram disponibilizadas foto-montagens com vistas a partir do largo fronteiro ao Palácio das Necessidades, vistas a partir do Instituto Superior de Agronomia, bem como dos viadutos da Infante Santo e de Alcântara-Mar. Além disso, assegurou, em conjunto com o projecto de arquitectura, foram entregues peças desenhadas com perfis gerais que permitem ver “a relação visual entre o edifício que era projectado, o projecto que foi aprovado e a situação real”.

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COMENTÁRIOS

  • João Fernandes
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    O impacto visual desta obra não se faz sentir apenas à distância. Basta passar na zona, em qualquer direcção e percebe-se claramente que é um volume demasiado grande para aquela zona. A justificação do Sr. Manuel Salgado demonstra mais uma vez que este senhor pensa que todos os outros à sua volta são estúpidos. Este edifício não tem a mesma estrutura da sede da EDP (as torres intervaladas), a parte oposta ao rio é um bloco único, quando a tela sair a única diferença que se vai notar é a cor, deixa e ser escuro e passa a ser claro … isto tem impacto visual mas não o suficiente para evitar mais um atentado urbanístico deste senhor que já devia ter percebido que não tem o apoio de praticamente ninguém a não ser dos seus amigos arquitectos a quem decide adjudicar todo o tipo de obras.

    • Goncalo Serras Pereira
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      Claro está que não devia projecto algum de recuperação, ou de raiz , de edificios desta dimensão, ser efectuado sem imagens 3d do exterior sobre as vistas que oculta, corta, ou iniube desde uma distancia de 15km atá 50m por comparação com o que existe. Este projecto devia ir a consulta pública às Juntas de Freguesia limitrofes da Junta onde irá ser construido. Deve ser divigulgado na internet quer nos sites das Juntas de Freguesia referidas anteriormente que no site da Camâra. Tenho a certeza e apesar de ser um hospital que não foram feitas amostras ao carvão subterraneo, que se acumulou na zona resultante da armazenagem da antiga central do Tejo e à possibilidade de contaminacçao dos solos, bem como ddas linhas deagua subterraneas da zona. Por outro lado desconhece-se a autonomia energética do Hospital e a recuperação das águas de todasas origens possiveis.

  • Vm Guerr
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    Pois eu estou muito entusiasmado com a contrução do novo Hospital da CUF em Alcântara porque acredito que Alcântara também tem direito a evoluir como o resto da cidade e deixar de ser um bairro pobrezinho condenado ao tráfico de droga e à porcaria. Ainda que a evolução seja um choque para muita gente provinciana eu acho que o que alimenta estas notícias é sobretudo a mesquinhez e a necessidade de falar de tudo por parte de certas pessoas que não querem que se faça nada porque a porcaria e talvez o trafico droga seja o que lhes convém. O pcp por exemplo quanto mais miseria em Alcântara houver melhor, mais votos tem…

    • Pedro Pedroso
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      Vm Guerr você quer brincar ou então é daqueles que gostariam de ver a cidade cheia de arranha-céus sem critério como está a acontecer com Luanda. Só pode ser um brincalhão…. ou amigo do patrão. Essa de colocar o PCP e os votos na conversa é só para distraír o pagode, só pode. Será comediante. Não tem muito jeito, não.

  • Campino
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    Os lisboetas estão a ser roubados! E o Salgado bate palmas!!!

  • Nuno Matos
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    Prepara-se o mesmo para o antigo Hospital da Marinha…. uma tristeza! Esta vereação do urbanismo está ao nível das que nos anos 70 e 80 arruinaram arquitectónicamente a Av da República, Almirante Reis e afins… ficarão na História pelas piores razões!

  • Victor Guerreiro
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    A sede da EDP que aqui é apontada algumas vezes como exemplo antes de terminada, como qualquer obra antes de terminada, era um mastodonte horrível e hoje é um marco e um exemplo apontado como bom por parte de que critica a o novo hospital da CUF, seja por razões ideológicas ou por não terem mais nada que fazer. Nunca a cidade de Lisboa progrediu tanto a nível urbanístico como nos últimos 8 anos e dizer-se o contrário só pode ser feito na minha opinião de má fé ou por pessoas que vieram da aldeia e estranham a vida na cidade. Alcântara continua a ser um local de Lisboa afastado da evolução das zonas nobres da cidade, Expo, Avenidas Novas, etc mas estando situada entre Belém e o Restelo de um lado e a Lapa e a Baixa de Lisboa do outro não vejo razão para as pessoas não gostarem de ver esta zona da cidade evoluir que não seja o já estarem habituadas a viver na porcaria.

    • Pedro Pedroso
      Responder

      Sr. Guerreiro tem nome de combatente, mas misturar alhos com bugalhos não é coragem de guerreiro é falta de lucidez. Ou então tem agenda escondida. O que é que tem a ver o desenvolvimento de que gosta tanto de falar com o respeito pela legalidade e o bom senso? Só ali havia lugar para construir um hospital? No meio de um cruzamento dos mais importantes da cidade? E na zona da avenida de Ceuta, do Alto da Ajuda ou se era tãoimportante assim porque não nos terrenos da antiga Mirandela ou Sidul ou lá no pátio de sua casa?
      Essa “conversinha” serôdia de pôr intenções nos outros só serve habitualmente para esconder as más-intenções de quem as atribui. E esconder o que está errado por detrás de um “progressismo” turbo-capitalista que tudo sacrifica pelo lucro imediato.

    • Miguel
      Responder

      A sede da EDP um marco?? Um exemplo??? que parolice.. fizessem aquilo em braço de prata. Em vez de valorizar o pouco que temos de bom estraga-se ao sabor destes novos patos-bravos.

  • Pedro Pedroso
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    Este Salgado ainda é mais inteligente que o primo. Então não querem ver que o homenzinho arranjou maneira de levantar todo o Palácio das Necessidades para repôr as vistas que o frete feito aos amigos dos hospitais emparedou? Isto é que é ingenhêro!!! Ah, pois, é arquitecto, não é?????????

  • Pedro Pedroso
    Responder

    Caro Samuel,
    Já tentou pedir ao gabinete do vereador Salgado as tais foto-montagens com as vistas??? Que tal compará-las com a realidade? É um bom exercício, pode crer.
    Abraço e Bom Natal

  • Paulo Só
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    Em nenhum lugar cilivilizado isso seria permitido, é a condescendência com os poderosos, as amizades, as pancadinhas nas costas, a convivência no mesmo meio, mas mesmas festas das mesmas famílias que continuam a mandar nisto tudo. Tudo isso me dá nojo de ser português. Não foi só a vista do Largo das Necessidades que desapareceu lá de cima foi o Palácio que desapareceu cá de baixo. Mas que interessa? Pensei que esse tipo de decisão tinha deixado de acontecer com o 25 de Abril, e a volta da democrcaia, voltei e vejo que está tudo na mesma, pelo menos na Câmara Municipal de Lisboa. Os vícios custam mais a ser eliminados que os políticos. Votar nesses partidos, nem pensar e não sei se nos outros a coisa está efetivamente diferente. “confessa alguma perplexidade” a vereadora comunista?” Se até as vereradora comnista confessa alguma perplexidade… isso foi aprovado por ela certamente…..Não tem remédio, está escrito na cutura portuguesa, do nosso subdesevolvimento e subserviência aos poderosos. O melhor é sair de novo.

  • Zardoz
    Responder

    Tudo aprovado por todos os partidos que tiveram a sua parte de leão no diferendo e eis mais um masmarracho como centenas que foram feitos na cidade mas que ninguém se lembra, a saber; o que fizeram no Martim Moniz com aquele prédio que ali está no meio, bloqueando toda a vista da parte antiga da cidade. Toda a av.24 de Julho com aqueles prédios dos ministérios. Quem está do lado Tejo já não vê Lisboa Antiga mas sim estes masmarrachos ali pousados, entre outras “Obras primas” do capitalismo selvagem. Mas o melhor está para vir!! Os restantes terrenos que envolvem esta polémica construção. De certeza que depois disto, já podem construir mais umas torres frente ao rio, porque Lisboa não é dos Lisboetas, mas da Grandes interesses imobiliários das Multinacionais que untam as mãos dos poderes Municipais.

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