“Mais emprego” leva câmara a dar luz verde a novo arranha-céus em Picoas

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Mário de Carvalho

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projecções 3D integrantes do processo

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URBANISMO

Avenidas Novas

3 Dezembro, 2014




A primeira sessão de apresentação e debate do projeto imobiliário Torres da Cidade, que prevê a construção de um prédio de 17 andares no cruzamento das avenidas Fontes Pereira de Melo e 5 de Outubro, decorreu ao final da tarde desta segunda-feira (1 de Dezembro), no Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL). E a mesma aparentou não ter passado de uma formalidade imposta pela legislação, pois nela todos pareciam já terem aprovado a obra a edificar em Picoas, nas traseiras da Casa-Museu Doutor Anastácio Gonçalves, prémio Valmor, em 1905.

Manuel Salgado, ex-vice presidente de autarquia e atualmente vereador com o pelouro do Planeamento, Urbanismo e Reabilitação, não deixou dúvidas no primeiro debate público sobre o projeto, que está registado nos serviços camarários como “FPM14”: “a câmara admite construção mais alta e mais área, sim senhor! [É isso que está previsto] para projetos de grande qualidade arquitectónica, de acordo com PDM (Plano Diretor Municipal)”.

O projecto, da autoria do ateliê Barbas Lopes Arquitectos, encontra-se em discussão pública no sítio da Câmara Municipal de Lisboa (www.cm-lisboa.pt/viver/urbanismo/licenciamento) e nas instalações da Junta de Freguesia das Avenidas Novas, até à próxima sexta-feira (5 de Dezembro).

A intervenção urbana para a construção do edifício de escritórios, envolvendo uma área de 2.134,84 metros quadrados, é justificada pelo vereador desta forma: “A densidade alta é um factor positivo nesta zona, pois permite criar mais emprego e espaços de qualidade”.

torre3.jpg

No debate realizado no Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL), a arquiteta Patrícia Barbas, autora do projeto, deu maior ênfase aos espaços verdes e à relação do edifício com a casa-museu. Advogou que será uma construção amiga do ambiente, com “máximo de luz natural” e aproveitamento das águas para a rega.

Sobre os impactos no ambiente urbano num local sensível da cidade, e onde o tráfego automóvel é intenso, nada foi dito pela autora do projeto. Na zona será criada ainda uma ciclovia que ligará a Avenida Fontes Pereira de Melo à Avenida da República.

O projeto “FPM14” foi aprovado por uma comissão presidida pelo arquiteto Manuel Martins, dum conjunto de seis propostas, tendo, a 24 de Outubro, a Secção do Património Arquitectónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura emitido parecer favorável.

Sobre o pretenso bosque que Patrícia Barbas disse que irá surgir entre a Maternidade Alfredo da Costa, o Hotel Sheraton e as Torres da Cidade, foi clarificado que apenas terá o nome, pois não configura um ecossistema com essas características. A propósito, um dos poucos intervenientes no debate disse: “Não vai existir nenhum bosque, mas um conjunto de árvores dispersas”.

O vereador Manuel Salgado lembrou aquilo a que chama de “triângulo virtuoso” do PDM, que assenta na estratégia “mais empresas, mais emprego e melhor cidade”, manifestando o seu apoio ao projeto em discussão pública.

Daniel Gonçalves da Silva (PSD), presidente de Junta de Freguesia das Avenidas Novas – na qual detém também os pelouros dos Recursos Humanos, Proteção Civil, Ação Social, Instalações, Serviços Administrativos e Patrimonio -, estava satisfeito, referindo que já estudou o projeto e está “completamente de acordo”.

Curiosamente, o sítio de junta de freguesia não faz uma única referência ao processo de discussão pública em curso, enquanto a Câmara Municipal de Lisboa o disponibiliza na sua totalidade, indicando que o debate público decorre entre 27 de Novembro e 5 de Dezembro.

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COMENTÁRIOS

  • Rui Ribeiro
    Responder

    Costa em plena angariação de fundos para a campanha que ai vem…

  • pedron
    Responder

    RT “@ocorvo_noticias: “Mais emprego” leva câmara a dar luz verde a novo arranha-céus em Picoas – http://t.co/H7YT5CturD”

  • Vítor Carvalho
    Responder

    Chamar a um edifício com 17 andares um arranha-céus é manifesto exagero.

  • André Nacho
    Responder

    “Arranha céus “

  • Claudia Arriegas
    Responder

    contra! tenho dito

    • Pedro
      Responder

      LOL “tenho dito”, como se o que diz fosse lei ou algo do género, ao menos podia explicar porque está contra, enfim…

      E 17 pisos ser um arranha-céus só num país de mentalidades pequenas, tacanhas e atrasadas.

  • Paula Marques
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    Aproveitar para recuperar o edificado que se encontra devoluto e transformar em escritórios seria mais bonito do que continuar a construir de raiz mamarrachos. Existem edifícios do estado que estão fechados, outros em ruínas, é só show-off estes mega-projectos. Que desperdício de dinheiro.

  • Sheila Radburn Nunes
    Responder

    no entanto, a av. josé malhoa (uma avenida fantasma) tem 2 ou 3 edifícios enormes que estão fechados…

  • José
    Responder

    Ridículo, chamar arranha-céus, a um prédio com 17 andares.
    Todas as capitais tem prédios com, 20,30,50 100 pisos.
    Lisboa continua com sempre atras, chamar arranha ceus a um prédio com 17 pisos,sinceramente.
    Exemplo em Londres, quase todos os anos, aparece um edifício com 30,40,50 pisos.
    Lisboa nunca mais, 17 ARRANHA CEUS.

  • José
    Responder

    É vergonhoso, ser este um assunto, de primeira pagina.
    A construção de um predio, simplesmente com 17 pisos.
    O projecto anterior que contemplava habitação, e tinha 30 pisos,foi simplesmente anulado. É UMA VERGONHA PARA LISBOA.
    Chamar arranha ceus a um predio de 17 andares.

  • Marco
    Responder

    Se para vocês um prédio de 17 andares é um “arranha-céus” aconselho-vos urgentemente a consultar um psicólogo.

    • Mike
      Responder

      Eu até compreendo este pessoal que é contra, é que eles vieram das aldeias que só os mais abonados possuem TV, e lá os prédios mais altos têm no máximo 3 andares e devido ao êxodo rural vieram pra Lisboa e confrontarem-se com um de 17 andares já é uma coisa do outro mundo! loool

  • Yannick Orvall
    Responder

    Arranha-Céus! LMAO!

  • Joana
    Responder

    «”Sobre o pretenso bosque que Patrícia Barbas disse que irá surgir entre a Maternidade Alfredo da Costa, o Hotel Sheraton e as Torres da Cidade, foi clarificado que apenas terá o nome, pois não configura um ecossistema com essas características. A propósito, um dos poucos intervenientes no debate disse: “Não vai existir nenhum bosque, mas um conjunto de árvores dispersas”.»

    Que grandes aldrabões! Quem visualizar os renders e consultar a memória descritiva do projecto fica com uma opinião diferente.
    Informação desonesta e enganosa!

  • Lx
    Responder

    Já deu para perceber que os autores deste site não têm noção de escalas. Esta fotografia é de Madrid. Isto são arranha-céus, quatro torres entre 220m e 250m:

    http://lh6.ggpht.com/_7tvXkH33_Nc/Si47EcLK0cI/AAAAAAAAFC8/CqT0X7vpyMg/s000/4Torres.jpg

    O novo prédio em Picoas vai ter 67m. Assim para a próxima vez escusam de escrever baboseiras. E ainda bem que o vosso site é em português. Se algum estrangeiro lê-se seria a chacota total.

    • jozhe
      Responder

      lesse.

    • Mike
      Responder

      Bela foto! isto sim, são arranha-céus, mas aqui em Lisboa seria praticamente impossivel, as mentalidades ainda são muito tacanhas para tanta evolução.

  • Nuno Parreira
    Responder

    Mais um cheque pro ladrões de gravata, era uma corda no pescoço e um pontapé no banco já chega de roubos

  • abelhinha
    Responder

    Os edificios de escritorios em Lisboa nascem como cogumelos. Porque será? Um bosque em frente à Maternidade Alfredo da Costa só pode ser para as cegonhas…a memoria descritiva do projecto neste ponto é uma anedota. Será que sabem o que é um bosque que ainda por cima tem um parque de estacionamento em baixo. Somos sempre originais.

    • Lx
      Responder

      Atenção que esse estacionamento subterrâneo já existe. Não faz parte do novo edifício.

  • Lx
    Responder

    Estocolmo, duas torres com 100m aprovadas, ou seja 30m mais altas que o prédio marreco de picoas:

    Berlim, torre com 150m aprovada, ou seja, mais do dobro da altura do marreco de picoas:

    • jozhe
      Responder

      Mais valia não terem aprovado porque são de arquitectura dúvidosa.

  • Lusoman
    Responder

    Não entendo. Não seria melhor fazerem outro pato bravo suburbano de 6 ou 7 andares com marquises em vez desse mamarracho moderno? O que vai ser da nossa Lisboa? Depois do horror do parque das nações, agora isto!

    • lucas
      Responder

      Desde quando o Parque das Nações é um horror, oh parolo!! Uma zona que estava degradada foi recuperada, uma exposição mundial que foi um sucesso e sim, deixou um legado, e você escreve uma baboseira dessas. Pobre Portugal, cheio de pessoas como você, que se auto-intitula ”luso”, com o prefixo ”man”. PAROLO!

  • haiduqque
    Responder

    Para os bimbos que têm vergonha de Lisboa não ter arranha céus com 160 andares ou mais: Lisboa tem colinas. Apenas as cidades chatas e planas precisam desses minaretes, para que se salientem no horizonte impressionando basbaques.
    17/20 andares são suficientes para uma cidade como Lisboa, que não precisa de se evidenciar pela altura – tem carisma e personalidade de sobra.

  • Helsal
    Responder

    Pelo que posso ver o que não faltam por aqui é comentários de arquitectos, engenheiros civis e construtores “a puxar a brasa à sua sardinha”. Então Lisboa, com milhares de espaços abandonados, centrais, em edifícios megalómanos sobredimensionados para a cidade que temos, precisa deste edifício? Falam aqui de construções autênticas noutras cidades. O que vejo quando as visito? Harmonia na paisagem. Quem já passa por aquela zona vê o despropósito desta proposta. Só a tacanhez e a força dos interesses instalados podem fazer avançar uma obra pobre de espírito como esta. De alguém que não nasceu na aldeia… Deixem de desperdiçar dinheiro sff!!!

    • Helsal
      Responder

      Correcção “de construções autênticas”= de construções idênticas.

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