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Rui Lagartinho

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CULTURA

Cidade de Lisboa

7 Maio, 2014

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Maio é mês de marionetas




Até ao fim do mês, oito palcos de toda a cidade recebem mais uma edição anual do FIMFA. Apesar dos cortes de orçamento, o festival das marionetas resiste.

Para os mais distraídos, a presença no Chiado de um escocês gigantesco de quase três metros vestido com as saias de rigor, caminhando sobre andas e acompanhado de um rafeiro indisciplinado, pode ser o sinal de que o FIMFA (Festival Internacional de Marionetas e formas Animadas) está de volta a Lisboa. Big Rory & Ochie the Dog regressam pela terceira vez a um festival que se faz de cumplicidades entre quem vem e quem os recebe – e produz uma festa que se conta entre as mais importantes deste género de expressão artística em toda a Europa.

“Só agora, que nos sentámos para tomar fôlego e balanço para o que ainda aí vem, é que reparámos na coincidência: 2014, 14 anos, 14 espectáculos”, confessam Luís Vieira e Rute Ribeiro. Os directores artísticos do festival vivem aquelas horas decisivas de grande cansaço que antecedem o arranque de um certame que, ano após ano, se consolida nas propostas artísticas. Mas que continua cercado pela precariedade face aos sucessivos cortes no orçamento. Mas, depois, há o sorriso que se impõe, os olhos que brilham quando enumeram o que aí vem e que é de grande qualidade.

O espectáculo de arranque chama-se “Départ” – 7 e 8 de Maio no Teatro Municipal São Luiz. Vem da Finlândia, onde o colectivo WHS concebeu uma apresentação de novo circo e teatro visual sobre o paradigma da solidão acompanhada que é a vida de um casal.

Também outro paradigma, mas desta vez de uma família grande de apelido alemão, é “Os Buddenbrooks”. Os Puppentheater Halle adaptam o imenso fresco burguês baseado no romance de Thomas Mann – 9 e 10 de Maio, Teatro Municipal Maria Matos.

Ainda uma história de família está na base de “Savanna: A Possible Landscape”. O israelita Amit Drori concebe a partir das peças de um piano que a sua mãe tocava obsessivamente um conjunto de seres animais, fantásticos mas reais, nas perplexidades que inspiram. No Teatro Nacional Dona Maria II, 17 e 18 de Maio.

Numa escala ainda mais íntima, regressa o “Mironescópio: A Máquina do Amor” do coletivo português A Tarumba. Um consultório erótico em forma de Peep Show, com uma estrutura que homenageia os pioneiros das imagens em movimento e que, pela festa dos sentidos que proporciona, tem sido bem acolhido nos festivais europeus por onde tem passado.

Entre os portugueses, participam também um grupo referência de várias gerações, o Teatro de Marionetas do Porto (“Pelos Cabelos”, no Museu da Marioneta, a 17 e 18 de Maio),  e a dupla  de novos criadores Miguel Fragata e Inês Barahona (“A caminhada dos elefantes”, no Teatro Meridional, a 24 e 25 de Maio).

E para medir o glamour desta forma de arte através da patine do tempo, aí está o documentário de Richard Butchins sobre o lendário marionetista Frank Mumford. Um gentleman que, nos anos que se seguiram ao final da Segunda Guerra Mundial, espalhou a sua arte por casinos, cabarets e grandes teatros do mundo Ocidental, incluindo uma memorável passagem pelo Cinema Jorge, em Lisboa. No Teatro Municipal São Luiz, dia 11.

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