O antagonismo deve ser substituído pela colaboração, se quisermos alguma eficácia na melhoria das condições de vida em Lisboa, diz o responsável por uma plataforma de cidadania que, depois de amanhã, lança uma campanha destinada a ganhar maior relevo.

 

Texto: Francisco Neves     Foto: Site lxamanha.pt

 

Um especialista em transportes português e um urbanista alemão, ambos na casa dos 30 anos, acreditam ser possível mudar os hábitos lisboetas de escassa participação nas questões da cidade. Para isso, criaram o site lxamanha ), que vão promover, na quinta-feira, mês na Fábrica do Braço de Prata.

 

Os autores do projecto, inspirado numa platafoma semelhante criada em 2009 para a cidade portuária alemã de Hamburgo, reconhecem que as relações entre o município e os munícipes estão de algum modo inquinadas, seja por escassez de informação, seja por desconfiança face ao poder local.

 

“Hoje, há um grande antagonismo entre poderes públicos e os cidadãos, ao contrário do que acontece em países anglo-saxónicos, onde a colaboração é uma coisa normal”, diz Luís Neves Filipe,  de 36 anos, um engenheiro do ambiente mestre em transportes, que trabalha no Instituto Superior Técnico. O seu parceiro é o urbanista Johannes Bouchain.

“Apesar de em Lisboa – ao contrário de Hamburgo – se trabalhar com um orçamento participativo, que de alguma forma funciona, o envolvimento dos lisboetas com a cidade é muito fraco, só resultando em acções pontuais. Isto faz com que muitas coisas que poderiam funcionar bem não funcionem. Este é um dos factos que contribuiu para a criação da plataforma online”, acrescenta Luís Filipe.

 

No lxamanha.pt, qualquer pessoa pode deixar a sua sugestão para melhorar o futuro de Lisboa. Uma das características mais evidentes do sítio, criado há cerca de um ano, é o mapa de Lisboa onde cada um pode inscrever a sua proposta. Actualmente, as três ideias mais votadas são a pedonalização da Rua Garrett, uma campanha de educação dos donos de cães e a melhoria da circulação pedonal na Praça Duque de Saldanha.

 

“Qualquer pessoa pode lá inserir a sua proposta. Claro que pode lá incluir o problema do buraco no passeio da sua rua, mas defendemos temas mais fundamentais, para lá do que deve ser resolvido pela gestão corrente municipal.A nossa ideia de participação tem a ver com infraestruturas da cidade, com o desenvolvimento futuro da cidade e não apenas com o seu funcionamento”, explica o engenheiro.

 

“Gostaríamos de fomentar uma relação com a Câmara, se possível colaborativa e não antagónica. Queremos, aliás, ter uma posição independente da CML, que nos apoia pontualmente na operação de lançamento no Braço de Prata”, diz a mesma fonte. “Todos temos a ganhar com uma relação mais equilibrada”.

 

O especialista em transportes admite que há um caminho a percorrer pelos dois lados: “Não existe passagem de informação para os cidadãos, não por má vontade, mas porque não faz parte da nossa cultura. Devia haver na Câmara uma cultura de comunicação pro-activa. Isso torna fácil a manipulação, seja pela positiva seja pela negativa. Por outro lado, a motivação normal das pessoas para uma participação é a circunstância de estar contra alguma coisa. Ora, achamos que também se devem habituar a participar quando estão a favor”, comenta.

 

“O nosso intuito é gerar debate. Não podemos promover a execução dos projectos que acolhemos. Embora haja muita coisa que as pessoas, os vizinhos, podem fazer. Julgo que é exemplo disso as parcerias interessantes conseguidas pela associação de moradores da Alta de Lisboa, por exemplo.”

 

O site organiza a sua apresentação formal depois de amanhã, pelas 20h00, na Fábrica de Braço de Prata, que contará com um encontro em que será aprovada uma proposta a apresentar em reunião da Câmara Municipal de Lisboa.

 

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