Luzes da cidade

DICAS
Rui Lagartinho

Texto

Paula Ferreira

Fotografia

CULTURA

Cidade de Lisboa

12 Dezembro, 2016


A exposição “Cidade gráfica. Letreiros e reclames de Lisboa no século XX”, que pode ser vista, até 18 de Março, no Convento da Trindade, recorda-nos marcas de um tempo em que o tecido urbano da capital era, em parte, definido pela riqueza dos seus reclames. A mostra faz parte do ciclo “Mude fora de portas”, a acontecer enquanto decorrem as obras no edifício do MUDE (Museu do Design e da Moda), na Rua Augusta, que só reabre em Outubro de 2017.

É uma constante: quando olhamos para as fotografias dos transeuntes do centro de Lisboa, entre os anos quarenta e noventa do século XX, vemos uma cidade vestida de escuro e com rostos tristes, a projetarem sombras de resignação.

Felizmente, quando a noite caía, esta realidade ficava disfarçada, mal as dezenas de néones que enchiam os telhados dos Restauradores e do Rossio maquilhavam a realidade e permitiam sonhar. A publicidade a bebidas, a relógios, a pastas de dentes ou a electrodomésticos tentavam acertar o passo de Lisboa com outras capitais europeias.

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Todos os visitantes com mais de quarenta anos, e que cheguem à última sala desta exposição gráfica, vão reconhecer-se como nostálgicos a sua cidade. A festa feérica de luzes, que começou quando Georges Claude inventou o gás néon, foi-se apagando. Em Lisboa, os últimos letreiros foram desactivados por razões de segurança na viragem do século XXI. Os néones são o fim da festa desta exposição.

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Até lá chegarmos, passámos por uma cidade de placas, letreiros, transparências, acrílicos ou de vidro. São centenas de peças resgatadas, muitas vezes ao lixo, e reunidas por Rita Múrias e Paulo Barata – os responsáveis do projecto Letreiro Galeria, que se associaram ao MUDE para mostrar este património.

Na preparação desta exposição, foi feito um levantamento dos principais arquivos – municipais e de instituições como a Fundação Gulbenkian – onde se identificaram desenhos técnicos e fotografias. Peças que mapeiam uma cidade em transformação, através do estilismo da mancha gráfica de letras e placas que adornam os seus edifícios e que, muitas vezes, a voragem dos tempos atira para o ferro-velho ou para o esquecimento.

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Esta cidade das letras pode ser visitada até 18 de Março, no Convento da Trindade. Segue-se no Palácio Pombal um exposição sobre o universo gráfico das tatuagens.

O próximo Mude

A reabertura da sede do MUDE está prevista para Outubro de 2017. Desta vez, as obras contemplam os 15 mil metros quadrados dos oito pisos. O piso térreo será ocupado por uma loja dedicada ao design português de grande qualidade. Um restaurante e uma cafetaria renovada e espaços reservados para residências artísticas de designers portugueses ou internacionais juntam-se aos espaços expositivos alargados.

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COMENTÁRIOS

  • Álvaro Pereira
    Responder

    Que saudades dos reclames luminosos do Rossio!

  • Nuno Rebelo
    Responder

    Luzes da cidade
    A exposição “Cidade gráfica. Letreiros e reclames de Lisboa no século XX”,
    https://t.co/WJI7oAlnK1

  • João Barreta
    Responder

    Naquele tempo, talvez se desse mais importância às “luzes” do que propriamente às “iluminações”!!!!
    Neste tempo, de supostos “iluminados”, já poucas “luzes” se dão, mesmo a quem tanto delas parece necessitar!!!

  • Carlos Maciel
    Responder

    Luzes da cidade https://t.co/xvDN6FJzdV

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