A exposição “Cidade gráfica. Letreiros e reclames de Lisboa no século XX”, que pode ser vista, até 18 de Março, no Convento da Trindade, recorda-nos marcas de um tempo em que o tecido urbano da capital era, em parte, definido pela riqueza dos seus reclames. A mostra faz parte do ciclo “Mude fora de portas”, a acontecer enquanto decorrem as obras no edifício do MUDE (Museu do Design e da Moda), na Rua Augusta, que só reabre em Outubro de 2017.

 

Texto: Rui Lagartinho         Fotografias: Paula Ferreira

 

É uma constante: quando olhamos para as fotografias dos transeuntes do centro de Lisboa, entre os anos quarenta e noventa do século XX, vemos uma cidade vestida de escuro e com rostos tristes, a projetarem sombras de resignação.

 

Felizmente, quando a noite caía, esta realidade ficava disfarçada, mal as dezenas de néones que enchiam os telhados dos Restauradores e do Rossio maquilhavam a realidade e permitiam sonhar. A publicidade a bebidas, a relógios, a pastas de dentes ou a electrodomésticos tentavam acertar o passo de Lisboa com outras capitais europeias.

 

11-5

 

Todos os visitantes com mais de quarenta anos, e que cheguem à última sala desta exposição gráfica, vão reconhecer-se como nostálgicos a sua cidade. A festa feérica de luzes, que começou quando Georges Claude inventou o gás néon, foi-se apagando. Em Lisboa, os últimos letreiros foram desactivados por razões de segurança na viragem do século XXI. Os néones são o fim da festa desta exposição.

 

20-1

 

Até lá chegarmos, passámos por uma cidade de placas, letreiros, transparências, acrílicos ou de vidro. São centenas de peças resgatadas, muitas vezes ao lixo, e reunidas por Rita Múrias e Paulo Barata – os responsáveis do projecto Letreiro Galeria, que se associaram ao MUDE para mostrar este património.

 

Na preparação desta exposição, foi feito um levantamento dos principais arquivos – municipais e de instituições como a Fundação Gulbenkian – onde se identificaram desenhos técnicos e fotografias. Peças que mapeiam uma cidade em transformação, através do estilismo da mancha gráfica de letras e placas que adornam os seus edifícios e que, muitas vezes, a voragem dos tempos atira para o ferro-velho ou para o esquecimento.

 

4-8

 

Esta cidade das letras pode ser visitada até 18 de Março, no Convento da Trindade. Segue-se no Palácio Pombal um exposição sobre o universo gráfico das tatuagens.

 

O próximo Mude

 

A reabertura da sede do MUDE está prevista para Outubro de 2017. Desta vez, as obras contemplam os 15 mil metros quadrados dos oito pisos. O piso térreo será ocupado por uma loja dedicada ao design português de grande qualidade. Um restaurante e uma cafetaria renovada e espaços reservados para residências artísticas de designers portugueses ou internacionais juntam-se aos espaços expositivos alargados.

 

Informações em www.mude.pt

 

13-2

 

 

  • Álvaro Pereira
    Responder

    Que saudades dos reclames luminosos do Rossio!

  • Nuno Rebelo
    Responder

    Luzes da cidade
    A exposição “Cidade gráfica. Letreiros e reclames de Lisboa no século XX”,
    https://t.co/WJI7oAlnK1

  • João Barreta
    Responder

    Naquele tempo, talvez se desse mais importância às “luzes” do que propriamente às “iluminações”!!!!
    Neste tempo, de supostos “iluminados”, já poucas “luzes” se dão, mesmo a quem tanto delas parece necessitar!!!

  • Carlos Maciel
    Responder

    Luzes da cidade https://t.co/xvDN6FJzdV

Deixe um comentário.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com