Lugar de estacionamento substituído por espaço público na Rua Poço dos Negros

ACTUALIDADE
Samuel Alemão

Texto

URBANISMO

Misericórdia

27 Maio, 2015

Saem os automóveis, nasce um lugar para conviver ao ar livre no centro da cidade. Dois lugares de estacionamento existentes em frente ao número 119 da Rua do Poço dos Negros vão, em breve, ser substituídos por uma plataforma de madeira que visa prolongar o passeio existente e onde será possível estar sentado ou arrumar a bicicleta. Isto porque os 500 euros necessários à construção desta estrutura, designada de parklet, já foram reunidos através de um processo de doações de crowdfundig, anunciaram ontem os dinamizadores da ideia, o projecto de reabilitação e regeneração urbana Rés do Chão. A construção da plataforma ocorrerá de 6 a 13 de Junho, durante a semana das Festas de Lisboa e promete retirar mais um par de automóveis do espaço público.

O sistema parklet, que consiste no prolongar do passeio através da supressão de lugares de estacionamento, foi pela primeira vez implementado na cidade norte-americana de São Francisco, em 2010. A ideia associada ao projecto da designer italo-brasileira Suzi Bolognese era de, com esta simples operação, aumentar a oferta de espaço público, incentivando a permanência na rua, o uso da bicicleta e a utilização do comércio local. O parklet rapidamente se revelou popular, tendo-se expandido numa primeira fase para Nova Iorque e São Paulo. E continua a ganhar adeptos. Há várias cidades norte-americanas, canadianas e pelo menos uma mexicana que aderiram.

No caso do Parklet Poço dos Negros, a iniciativa partiu do projecto de reabilitação e regeneração urbana Rés do Chão, criado em 2013 por quatro jovens arquitectas (Margarida Marques, Mariana Paisana, Marta Pavão e Sara Brandão) – no âmbito do concurso Faz – Ideias de Origem Portuguesa, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian em parceria com o Instituto de Empreendedorismo Social e apoiado pela Cotec Portugal. O Rés do Chão “tem como principal objectivo a revitalização e dinamização das cidades, através da reocupação e reabilitação de pisos térreos desocupados” e, desde 2014, ocupa o 119 da Rua Poço dos Negros. Naquele espaço, onde trabalham designers e artistas, são desenvolvidos “modelos de arrendamento partilhados e sistemas de ocupação temporária, promovendo formas de ocupação sustentáveis”.

O projecto da Rua do Poço dos Negros, que contará com áreas para vegetação, foi concebido no seio deste colectivo – que é apoiado pelo programa BIP-ZIP da Câmara Municipal de Lisboa – e o financiamento garantido através de uma campanha de angariação lançada, a 30 de Abril, numa plataforma de crowdfundig. Os 500 euros de orçamento resultam da soma de 250 euros para mão-de-obra, 150 euros para materiais –prevê-se a reutilização e reciclagem de paletes de madeira -, 50 euros para transporte de materiais e igual valor para divulgação. Ontem à tarde, o projecto contava 570 euro colectados junto de 24 apoiantes.

MAIS ACTUALIDADE

COMENTÁRIOS

  • Tuga News
    Responder

    [O Corvo] Lugar de estacionamento substituído por espaço público na Rua Poço dos Negros http://t.co/QHyEmRpON9

  • Henrique
    Responder

    Acho isto uma VERGONHA! Assim se pensa que se engana o povo…. em vez de se montar um explanada, monta-se um Parklet. Muito sinceramente acho é indecente. Primeiro que tudo não existe lugares de estacionamento à frente do numero 119 da Poço dos Negros, mas sim do outro lado da rua, que por mera acaso é a porta n.º 132 e é a entrada para um café! Que coincidência! Para alem disso, é um enorme desrespeito com os moradores, pois eles já se queixam do barulho que existe à noite, com esta esplanada encapuçada vai ser o fim da macacada até altas horas da noite! Realmente é só chico-espertos.

  • J Morais
    Responder

    Lugar de estacionamento substituído por espaço público na Rua Poço dos Negros http://t.co/Fs8vZroMMY

  • Maria Redondo
    Responder

    Que bem que fica… tanto estética, estilo, e a rua foi muito bem escolhida. Continuo emocionada com as autoridades, as arquitectas…. Tudo

  • Salomão Antunes
    Responder

    Brites

    • Bruno Brites
      Responder

      Numa Rua que é um caos para o trânsito, nada como apreciar uma limonada e umas tapas com monóxido de carbono.

      • António Matos
        Responder

        Concordo!
        hipóteses: reitrar o parklet e construir uma autoestrada? ou reduzir o número de carros que passam lá até próximo de… zero!?
        Parece-me que prefiro a segunda, visto que permite VIVER e não circular na cidade.
        Daí: viva este e os futuros parklets.

    • Salomão Antunes
      Responder

      Pshiu. Para os turistas será uma… “experiência única.”

  • Rui Matos
    Responder

    Deve ser uma experiência única, pois quem a fizer só fará uma vez.

  • celisa
    Responder

    Bem não acredito uma rua de imenso transito gente doida querem e palhaçada pois deve ser mais um local para vandalismo e falta de respeito pelos os moradores se arranjassem os buracos da estrada e do passeio francamente só nesta cidade de gente doida Quem terá ganho dinheiro com esta porcaria

  • José Fernandes
    Responder

    Não vamos pod bom caminho nesta bossa cidade. Em vez de we criarem condições para moradores criam-se “coisas” para pseudo intelectuais disfrutarem do seu gin ao fim de tarde. Criem estacionamentos para moradores e fiscalização now lugares taxados com parquímetros. Criem espaços para crianças correrem ou para os idosos jogarem as cartas. Parem com as esplanadas, quiosques e outras modas europeias. Há muito que fazer primeiro.

  • Marta Baptista
    Responder

    O «parklet» parece ser uma solução interessante, para conquistar espaço público que possa estar afecto às pessoas – de permanência.
    Mas não funciona se as Câmaras não criarem alternativas aos lugares de estacionamento dos bairros, em simultâneo. Assim resolve-se um problema de Desenho Urbano e Urbanismo para todos.

Deixe um comentário.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com

Send this to a friend