Como um massacre. As livrarias e os alfarrabistas do centro de Lisboa vão sendo encerrados a ritmo acelerado. Uma semana após se ter consumado o fecho da antiga livraria do Diário de Notícias no Rossio, é agora a vez de a Sá da Costa, na Rua Garrett, ao Chiado, conhecer o mesmo fim, no ano em que comemora o seu centenário. A livraria foi esta semana considerada insolvente pelo Tribunal de Comércio de Lisboa. A notícia foi avançada hoje pela agência Lusa, citando uma fonte do tribunal. Segundo a mesma fonte, a assembleia de credores, realizada na passada segunda-feira, “não aprovou o plano de viabilização da empresa, que tinha sido apresentado no dia 2 de julho, pelo que foi decretada a liquidação total”. Esta liquidação concretizar-se-á com a venda de todo o património da Sá da Costa, para pagamento aos credores, e com a extinção da empresa. O processo decorre no 3.º juízo do Tribunal de Comércio de Lisboa e teve início no dia 23 de maio de 2011.

A livraria, que actualmente emprega cinco funcionários, foi fundada em 1913 e abriu portas naquelas instalações desde 1943. Um funcionário da livraria, Pedro Oliveira, disse à Lusa que “apenas se sabe que já não se abrem as portas na segunda-feira”. No sábado, às 22.00, é apresentado na livraria o “Manifesto contra o desastroso encerramento das livrarias da cidade de Lisboa, no Centenário da Livraria Sá da Costa”, editado pela Letra Livre. A Livraria Sá da Costa foi posta à venda em 2010, sem sucesso, no Portal das Finanças, com uma base de licitação de 175.000 euros e, em 2011, o tribunal decretou a venda judicial pelo mínimo de 415.498 euros, mediante proposta em carta fechada. Apesar de terem sido recebidas duas propostas, a venda da livraria não foi avante, segundo a agência noticiosa.

 

Texto: Samuel Alemão

Comentários
  • António Rosa de Carvalho
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    Depois da Livraria Portugal, da Barateira, Livraria do Diário de Notícias, e diversos alfarrabistas, agora, a Livraria Sá da Costa …
    Toda ela, fachada, Lettering e Interiores é património do Século XX.
    Estará Lisboa a tornar-se apenas num décor … um palco de eventos globalizados vividos por residentes temporários, determinados pelo ritmo dos “eventos” e “animação” ?
    António Sérgio Rosa de Carvalho.

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