Lisboa vai ter recolha de lixo ao domingo nas “zonas de maior pressão turística”

ACTUALIDADE
Samuel Alemão

Texto

AMBIENTE

Cidade de Lisboa

28 Junho, 2018

Uma importante mudança de estratégia perante a evidência de que as coisas não têm corrido bem no campo da higiene pública. A Câmara Municipal de Lisboa (CML) deverá, a médio prazo, começar a proceder à recolha de lixo doméstico ao domingo nas “zonas de maior pressão turística”. A novidade foi dada, na tarde desta quarta-feira (27 de Junho), durante a reunião pública do executivo camarário, pelo vice-presidente da autarquia, Duarte Cordeiro (PS), que detém o pelouro dos Serviços Urbanos. A alteração deverá acontecer só depois de a câmara ter chegado a acordo com os trabalhadores e os seus representantes sindicais, comprometeu-se o executivo, ao subscrever uma moção nesse sentido apresentada pelo PSD. Os social-democratas queriam alargar a recolha dominical a toda a cidade, mas acederam a alterar o âmbito da moção para as “zonas de maior pressão turística”, por sugestão de Duarte Cordeiro. O documento acabou por ter apenas a abstenção dos dois vereadores do PCP.

Na apresentação da sua moção, na qual se pedia o alargamento da recolha de lixo ao domingo a toda a cidade, o vereador João Pedro Costa (PSD) lembrou as alterações trazidas pela grande demanda turística da capital portuguesa, ao nível da higiene pública. “Com os seus 4,5 milhões de turistas e 505 mil habitantes, Lisboa tem tido um aumento da produção de resíduos, que se situarão na ordem das 800 toneladas por dia. Este fenómeno é particularmente visível nalguns bairros e nas zonas históricas, aos feriados e aos fins-de-semana, em que se acumula lixo na via pública”, notou o vereador laranja, salientando estarem em causa a imagem e a saúde pública da cidade, bem como a fruição do seu espaço público, sem esquecer a recente nomeação de Lisboa como Capital Verde 2020. Por tudo isto, argumentou João Pedro Costa, é recomendável que se ponha fim a esta situação. “É possível recolher lixo todos os dias, sem, dessa forma, prejudicar os direitos dos trabalhadores afectos a esta actividade”.

A proposta foi bem acolhida por Duarte Cordeiro, que lembrou que a Assembleia Municipal de Lisboa (AML) até já havia aprovado uma moção com o objectivo de reforçar a recolha do lixo ao domingo, embora com algumas diferenças na sua formulação. “Objectivamente, temos de procurar dar resposta aos problemas que temos na zona turística da cidade. Concordo que a Câmara de Lisboa deve iniciar um processo de diálogo com os trabalhadores e com os sindicatos, no sentido de alargar a recolha ao domingo”, declarou o vice-presidente da autarquia, antes de alertar, porém, para a importância de distinguir sobre os locais onde a nova prática deva ser aplicada. O vereador socialista salientou que “já há recolha ao domingo na cidade, mas nas zonas históricas, e muito limitada”. Duarte Cordeiro admitiu que “faz sentido alargar a recolha ao domingo, porque as áreas de pressão turística correspondem a uma área superior aquela que é hoje a área de recolha ao domingo”.


 




O vice-presidente da câmara disse, no entanto, que discordava da proposta de João Pedro Costa (PSD) de alargar a recolha de lixo “a toda a cidade, sete dias por semana, 365 dias por ano”. E explicou porquê. Antes de mais, falou em motivos de “natureza ambiental”. “Quando introduzimos a recolha porta-a-porta, uma das grandes diferenças foi a racionalização do número de recolhas, para que as famílias e os cidadãos planeiem um pouco a sua produção de resíduos. Facilitar a deposição não é, por isso, a melhor solução ambiental. Tem de haver um equilíbrio entre o ter, por um lado, a cidade limpa e lidar bem com a pressão turística, e, por outro, não ir para além daquilo que é essa posição”. Por isso, Duarte Cordeiro defendeu que “o melhor será alargar a recolha ao domingo a toda a zona histórica de maior pressão turística, em acordo com os sindicatos, a par de outras soluções”.

Entre elas conta-se a adopção, nas zonas pressionadas pelo turismo, de alterações ao sistema de recolha de resíduos sólidos idênticas à adoptadas na Bica e no Bairro Alto, onde se passaram a utilizar contentores comunitários. Mas também, promete Duarte Cordeiro, “a utilização da taxa turística para financiar uma melhor limpeza por parte das juntas de freguesia das zonas históricas”. Um processo que, garante o autarca, deverá ser levado a reunião de câmara em breve.

 

Essa informação já havia, todavia, sido avançada por Duarte Cordeiro a O Corvo, a 11 de Dezembro passado, num artigo em que se dava conta das enormes dificuldades das juntas de freguesia com mais frequência turística para lidar com a limpeza do espaço público e a recolha de resíduos sólidos urbanos. “Recorde-se que as freguesias passaram a ter competências próprias, que lhes permite gerar mais receitas, nomeadamente com o licenciamento, fruto do crescimento da actividade económica da cidade”, informou, na altura, o vereador, após esclarecer que a câmara municipal e as juntas de freguesia têm feito uma avaliação permanente dos meios disponíveis, “que têm de ser permanentemente reavaliados em função das dinâmicas evolutivas”.

MAIS
ACTUALIDADE

COMENTÁRIOS

  • LM
    Responder

    É triste ver a cidade tão suja! Envergonha. Eu moro em Campo de Ourique e não me lembro de ver tanta sujidade nas ruas.
    Enviei um email para a junta de freguesia a reclamar e a resposta foi : “O problema é a falta de civismo*. Sem duvida que esse é um grande problema, mas haja quem eduque as pessoas e para além disso limpe o que está sujo.

  • Oliveira
    Responder

    Desde que a recolha do lixo passou para as freguesias piorou.
    Por onde quer que ando só vejo sacos pretos no passeio com lixo e até os caixotes de lixo dos estabelecimentos comerciais
    passaram a estar o dia todo nos passeios, o que até á pouco tempo isso não era visto.
    Chama-se a isto impunidade e olhar para o lado.

  • Lopez
    Responder

    Destaco o lixo artístico borrado nas paredes da cidade de Lisboa!! As entidades que gerem a limpeza urbana estão a perder a batalha contra os vândalos que à custa da sua “arte” sujam e estragam a propriedade alheia. Quanto a mim isso é crime!! Onde andam as equipas camarárias que limpavam essas borradas? Na cidade do Porto não se vê esta miséria, que faz parecer Lisboa uma cidade do terceiro mundo.

  • Lopez
    Responder

    E os tristes espaços ajardinados que o visionário Medina eleitoralmente criou em Lisboa, que mais parecem campo abandonados pecados de ervas secas?? Será que está criatura não percebe que Lisboa não tem clima para plantar relva e flores? Será que não percebeu que os jardins e inúmeros canteiros que mandou fazer exigem manutenção assídua?? É degradante ver inúmeros jardins de Lisboa ao abandono.. .. secos, com trampa de cão, cheios de lixo!! Veja-se o jardim das amoreiras, da Alegria, do Torel, de Campo de Ourique e tantos outros. O vereador dos espaços verdes da CML deveria fazer um estágio a outros países para aprender como se gere os espaços verdes….. muito triste e só dá má imagem da nossa cidade aos estrangeiros e aos lisboetas.

  • JOSE MANUEL BAPTISTA
    Responder

    muito sinceramente e estou a dizer com factos e provas concretos!
    desde que as juntas passaram a ter a incumbência da limpeza das ruas, tudo piorou!
    alguns colaboradores da câmara passaram para a competência das juntas e os que ficaram na câmara, passaram a ter 5 pelouros! é mesmo assim! são os que recolhem o lixo comum. os que recolhem o plástico, os que recolhem o papel, e aqueles que são chamados para a recolha de volumes pesados e os que recolhem o vidro
    e então e digo-o pelo que sucedem na junta à qual pertenço – santa maria maior.
    a recolha é feita diariamente com excepção dos domingos (anteriormente vinha um carro ao domingo, que deixou de circular), e estes colaboradores só recolhem o lixo comum – tudo o que é principalmente cartão é atirado para o lado – tenho provas testemunhais disso!
    os que recolhem cartão – que só acontece às 5ªs feiras, chegam ao facto de 1 caixa de cartão ter lixo comum, despejam o lixo para a via publica!
    a recolha do plástico é feita às 3ªs e 6ªs feiras
    o vidro é recolhido às 2ªs, 4ªs, e 6ªs, feiras, quando passam!
    a limpeza da rua é feita por colaboradores da junta que nesta junto não andam com os carrinhos – segundo invocam – porque existem muitas calçadas, becos, ruas estreitas! no meio entender isso não deve servir de desculpa, porque poderiam andar com os carrinhos e nesses becos, escadinhas, levavam os sacos de plástico para a recolha ! não é difícil, assim haja vontade
    a junta tem carros e colaboradores mas só ando nas ruas principais!
    a zona do Chiado, da Baixa, Praça Comercio, Martim Moniz, aí existe uma limpeza especial!
    no que toca à lavagem das ruas nem vale a pena falar! antigamente a lavagem era feita semanalmente, depois invocaram a falta de agua e agora é quando calha! foi lavada na manha do dia de Santo António porque no dia seguinte passava a procissão! já passaram 3 semanas e nada!
    resumindo, eu pago os meus impostos e taxas camarárias como todos os outros e sou “obrigado” a viver nesta imundice!

  • pedro
    Responder

    se o problema fosse so as zonas turisticas..

    andar pela penha de frança ou arroios em alguns dias ate mete nojo tal a quantidade de lixo que se ve por todo o lado.

Deixe um comentário.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com

Send this to a friend