Parece ser uma tendência difícil de estancar. A cidade de Lisboa mantém a sua dinâmica demográfica negativa, iniciada há mais de três décadas, e terá agora, de acordo com os dados mais recentes, relativos a 2014, pouco mais de 509 mil habitantes. Nesse ano, o território da capital terá conhecido uma perda de mais 1,5% da sua população residente, revelam os últimos indicadores fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), os quais confirmam também um inabalável processo de envelhecimento dos seus moradores. E isso tem consequências expectáveis: a taxa bruta de mortalidade do município é de 13,2%o, quando a média nacional ronda os 10%o.

 

No quadro relativo à dinâmica populacional em 2014, integrante da informação personalizada anual que o INE entrega a todos os municípios do país, percebe-se que a situação de Lisboa é particularmente negativa. Os 509.312 residentes do município, em 2014, são um claro decréscimo face 547.733 registados no Censos de 2011. Ou seja, menos 38.421 habitantes em apenas três anos. Tendência que se mantém. Só no último ano em relação ao qual existem dados disponíveis, a taxa de crescimento efetivo anual foi -1,5% face ao ano anterior. Um valor superior ao declínio populacional de Portugal em 2014, que foi de -0,5%. E claramente negativo se comparado com a Área Metropolitana de Lisboa, que até ganhou 0,1% de população.

 

E se os valores são negativos para a taxa de crescimento efectivo – ou seja, o crescimento real da população durante um ano por cem ou mil habitantes -, também o são para a taxa de crescimento natural – que é a diferença entre as taxas de natalidade e de mortalidade. Lisboa conheceu uma evolução negativa de -0,3%, superior portanto à redução de -0,2% verificada no país e, mais uma vez, em contraciclo com o valor verificado na Área Metropolitana de Lisboa (AML), no conjunto da qual se registou uma ligeira subida de 0,1% também neste indicador. Isto significa que há mais gente a morrer do que a nascer. A taxa de mortalidade bruta, como já se referiu, é de 13,2%o, quando a média nacional ronda os 10%o.

 

O já bem conhecido e debatido fenómeno do envelhecimento populacional da cidade é comprovado por um dado estatístico – constante do conjunto de dados disponibilizados agora pelo INE ao município – comparativo no âmbito da área metropolitana. Se é verdade que o município de Lisboa tem 18,1% da população da AML, note-se que acumula um quarto (24,7%) da população com mais 65% deste conjunto territorial. O que tem também reflexo no índice de potencialidade feminina – um indicador de fecundidade -, que em Lisboa é de 70,5%, inferior aos 73,3% da AML e aos 74,1% da média nacional.

 

Os actuais 509.312 habitantes da cidade podem ser comparados com os 564.657 de 2001. Em 1981, a população da cidade era de 807.937, passando para 663.394, uma década depois.

 

Texto: Samuel Alemão

 

  • José Fernandes
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    Continuem a transformar tudo em alojamento local e a só ver turista$. Falamos quando baixar para os 250 / 300 000.

  • Tuga News
    Responder

    [O Corvo] Lisboa não pára de perder população https://t.co/PQCitWDzS7 #lisboa

  • Arthur De Almeida
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    Pois… não é muito difícil de perceber os motivos para tal.

  • Rita Ponce
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    Alguns bairros devem-se estar a esvaziar mais do que outros….

  • Patricia Telles
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    A subida dos preços dos imóveis e o desemprego contribuíram com certeza: só estrangeiros de passagem conseguem comprar imóveis, e não ficam cá, vêm apenas alguns meses por ano…

  • Reinaldo Queiroz
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    E eu sou um deles.

  • Marta Carvalho
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    Continuem a investir somente nos hosteis e nos bares! Estão a transformar Lisboa numa cidade, habitada por quem dorme de dia e de noite faz uns part-times, para no dia seguinte fazerem mais uma noitada e beberem mais uns copos e não só, pois é o único objectivo de vida que têm … tristeza de mentalidades!

  • Filipe Marques
    Responder

    Lisboa não pára de perder população https://t.co/RDcxwFCwp7

  • Rui Martins
    Responder

    culpa da especulação imobiliária:
    rendas estupidamente elevadas
    e uma aposta irracional em casa própria… https://t.co/F9q8tqT5cY

  • Isabel Braga
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    Lisboa, cada vez mais, é uma cidade só para turistas. Um desânimo.

  • Vicente
    Responder

    Continuem a sufocar-nos com aumentos brutais de IMIS e mais taxas e taxinhas de tudo e mais alguma coisa – como a nova TMPC ( Taxa Municipal de Protecção Civil) – e podem ter a certeza que Lisboa perderá ainda mais!

  • Ricardo Martins
    Responder

    Continuem a fechar ruas ao trânsito automóvel, inventem e aumentem as taxas municipais…assim esvazia-se mais depressa.

    • Ricardo
      Responder

      São Francisco, Califórnia, tem visto a sua população crescer na última década. Um inquérito feito pelo município apurou que a razão mais indicada pelos novos habitantes para se terem mudado para a cidade foi o facto de não precisarem de carro em São Francisco.
      Essa mania de que uma cidade para os automóveis é uma cidade saudável é tão Século XX que até mete dó. Em toda a Europa, as cidades impõem restrições à circulação em automóvel. Por cá, o estúpido do Tuga continua a gastar mais energia a queixar-se de umas poucas regalias retiradas a quem circula de automóvel em vez de exigir mais e melhores alternativas a este.

  • Paulo Franco Henriques
    Responder

    Sofia!

  • Claudia Tavares E Castro
    Responder

    As razões não estão presas necessariamente ao turismo… mas sim à degradação da cidade, resultado do preço absurdo de compra de imóveis, do preconceito de se comprar uma casa “velha”, dos aluguéis antigos que fixaram as populações em casas que não podiam receber obras de conservação, dos aluguéis novos acima da capacidade financeira das famílias… porque nunca houve um plano social de fixação de populações mas que fosse viável economicamente aos pequenos proprietários…

  • Gonçalo Peres
    Responder

    Não será a única explicação, mas não é por acaso que decréscimo é inversamente proporcional ao aumento de carros privados, precisamente nas últimas 3 décadas. O espaço necessário para circular e estacionar esta gigantesca frota de veículos motorizados, altamente ineficientes em meio urbano, diminui o espaço disponível para habitação, comércio, serviços, escolas, hospitais, etc, fazendo subir o preço do m2 para níveis incomportáveis para muitos.

  • David Fernandes
    Responder

    Vivo em Lisboa e quero sair. Já vivi na Amadora e tinha muito melhores serviços de recolha de lixo, espaços verdes, estacionamento, biblioteca, etc. A cidade de Lisboa não é boa para viver.

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