Fiel e grato à cidade que o acolheu, Jorge Rivotti canta no seu novo álbum, “Lisboa a sete”, a urbe que vê da sua janela, que conhece de cor, quando pisa as ruas do seu bairro, que descobre sempre que a percorre de lés a lés. O músico revela ao Corvo sobre que falam as suas composições, cada uma delas “um monumento sem pretensões” que ele oferece à cidade.

 

Texto: Rui Lagartinho           Fotografia: Paula Ferreira

 

No novo álbum de Jorge Rivotti, o autor canta “Lisboa a sete”, apesar de este ser o seu sexto disco. O título pode enganar, pois não há qualquer tipo de aceleração nem de confusão. São sete canções tranquilas, para escutar sem pressa, como se o guitarrista celebrasse um encontro: “Lisboa, Lisboa/ Tu és a passagem por mim”, canta-se logo no primeiro tema, que se chama, obviamente, Lisboa.

 

“O disco nasceu como forma de celebrar pequenas demonstrações do que pode ser a vida nesta cidade”, conta-nos este baladeiro da capital, a quem basta uma guitarra e imaginação para celebrar o quotidiano e deixar a alguém que se ama pequenas confissões, como a que se faz no tema “Ao largo”: “Sabes?/ Gostava de levar-te a Paris,/ mas…agora não posso mostrar-te mais/. Que o Largo Martim Moniz!”

 

Conceptualmente, é um álbum. A arrumação facilita a vida, mas Rivotti não se importa e programou cada tema para ter uma vida separada, que se quer vagabunda e difícil de segurar entre os dedos. E se sentimentos como a nostalgia e uma certa melancolia que, teimosa, se instala são estados de alma que não costumam ter época marcada para se instalar, aqui e ali vão escorregando versos que são uma visão suave crítica da Lisboa actual.

 

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Não é por acaso que a Baixa ganha pernas e foge de Lisboa num destes temas: “Fugiu a Baixa de brinco de pérola ao Chiado/ Passou de passeio, de risco de alfaiate ao Combro/ Subiu de navio ao poço dos negros pontos,/ Dos sinais, no seu olhar.”

 

E também é só na Lisboa de hoje que se pode ver “Ao semáforo um navio”: “Vi um Navio Amarelo / Ali mesmo ao Cais Sodré/ Bem por baixo / Tinham umas rodas/ Mais parecidas com…/ botas sem pés”.

 

Lisboa a sete” vem embrulhado num objecto bonito: uma caixa de cerâmica, onde estão reflectidas o ocre ou o azul que também podem ser cores oficiais da cidade.

 

 

Participam no álbum o contrabaixista Pedro Gelpi, o guitarrista Pedro Jóia e o percussionista Filipe Simões. Juntos, ajudaram a plasmar, como explica Jorge Rivotti, “uma visão física da cidade”. Para o músico, cada um destes temas pode ser lido e escutado como “um monumento sem pretensões que eu ofereço à cidade.”

 

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