Lisboa experimenta uso de falcões para espantar bandos de pombos no centro

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Samuel Alemão

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Cidade de Lisboa

11 Janeiro, 2018

Uma solução arrojada para um problema persistente, em relação ao qual já várias técnicas foram usadas, ao longo das últimas décadas. A Câmara Municipal de Lisboa (CML) começará, esta semana, e durante os próximos três meses, a testar o uso de falcões para espantar os bandos de pombos que frequentam o centro da cidade, sobretudo em áreas como o Rossio, os Restauradores, a Praça da Figueira ou o Campo das Cebolas. O objectivo é, não tanto que as aves de rapina deglutam os persistentes pássaros, por muitos vistos como uma praga, mas sim que os amedrontem, ao ponto de os afugentarem do coração da capital. Durante este período, serão realizados lançamentos de falcões, numa área compreendida entre Santa Apolónia e Cais do Sodré. “Vamos ver como corre. Se a experiência for positiva, poderá ser alargada a outras zonas da cidade”, explica a O Corvo o director municipal de Higiene Urbana da CML, Vítor Vieira, admitindo a dificuldade sentida pela autarquia em lidar com o fenómeno.

 

“Esta questão dos pombos é sempre muito polémica, divide as opiniões. Temos, por isso, que olhar para os dois pratos da balança”, afirma o responsável, reflectindo sobre a necessidade de lidar com sensibilidades antagónicas. “Se, por um lado, sempre existiu aquela ideia de muitas pessoas associarem os pombos a doenças, sujidade, destruição de património, como das casas e dos carros, entupimento de caleiras, ou até ao sujar a roupa nos estendais, temos também um fenómeno recente, relacionado com a defesa dos animais e que tem alcançado algum significado”, explica Vítor Vieira, dando conta do esvanecer do anterior paradigma de ver na proliferação de pombos algo exclusivamente negativo. Algo, aliás, corporizado pela recentemente mudança de estratégia da CML, ao inaugurar, a 25 de maio de 2017, no Parque Silva Porto, em Benfica, aquele que se pretende venha a ser apenas o primeiro de uma rede de pombais contraceptivos na capital.

 

Nessa cerimónia, o vice-presidente da Câmara de Lisboa, Duarte Cordeiro, dava conta dessa “mudança de política”, o que implicaria, “a prazo”, acabar com a prática de captura e abate de pombos, prevalecente durante décadas. Os tais pombais contraceptivos, dos quais se previa que, até ao final do ano passado, se contabilizassem sete unidades espalhadas pela cidade – mas cuja implementação está atrasada -, têm um funcionamento assente na retirada de ovos das crias da ave por muitos vista como invasora e na sua substituição por réplicas de plástico. Um trabalho dependente da colaboração de grupos de voluntários. “Este é, sem dúvida, o método mais eficaz, melhor que todos os outros que temos vindo a aplicar. O que nos leva a ter uma maior esperança de garantir uma convivência pacífica entre pombos e humanos”, garantia, naquela altura, o vice-presidente da câmara, que também tem a seu cargo o pelouro da higiene urbana.


Mas só esse sistema parece não chegar, admite agora o director municipal de Higiene Urbana, frisando igualmente a necessidade de dar resposta a uma nova sensibilidade demonstrada por alguns munícipes. “Tem-se assistido a uma crescente preocupação com o bem-estar animal e isso tem tido até reflexo nas propostas que nos chegam através do Orçamento Participativo. Foi, de resto, o caso dos pombais contraceptivos”, explica Vítor Vieira, concedendo, todavia, que, mesmo depois de instituída a tal rede de pombais contraceptivos, muito fica por fazer. Daí a necessidade de se tomarem medidas complementares. “Temos estado a estudar alternativas e percebemos que, no aeroporto de Lisboa, já se faz este trabalho com os falcões, e que parece ter vindo a dar bons resultados”, diz, referindo-se ao método utilizado pelos responsáveis daquela infra-estrutura de transportes, como forma de garantir a segurança dos aviões, evitando a entrada de aves nos reactores os mesmos.

 

 

A experiência de utilização da mesma espécie de aves de rapina nas zonas centrais de Lisboa, que nesta primeira fase custará aos cofres municipais pouco mais de 18 mil euros, será levada a cabo por uma empresa especializada. Neste projecto-piloto, que estava apenas à espera da autorização do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para arrancar, serão usados diferentes falcões em cada momento de espantamento. Nunca serão os mesmos em ocasiões sucessivas. “Vão rodando, para garantir a eficácia da sua acção”, diz o responsável a O Corvo. Por outras palavras, se eventualmente caçarem pombos e os comerem, pretende-se que não se deixem levar pela sensação de saciamento. Algo compreensível, se se tiver em conta que essa foi a razão pela qual, em grande medida, falharam diversos programas de controlo populacional de pombos que recorriam a milho contraceptivo. Isto porque muitos deles satisfazem o apetite com o que encontram em caixotes do lixo, logo não sentindo necessidade de comerem o milho manipulado.

 

O falhanço destas medidas – que se sucederem a uma outra prática, a da captura e gaseamento dos pombos, levada a cabo durante décadas, mas considerada inaceitável aos olhos da sensibilidade mais recente da opinião pública – deixou as autoridades municipais frustradas. Os problemas relacionados com a sobrepopulação de pombos e as queixas a eles associadas persistam, apesar do muito dinheiro gasto no milho contraceptivo. Daí que, desde 2014, e a par da percepção de que a crescente preocupação com o bem-estar animal impedia a adopção de soluções letais, a Câmara de Lisboa tenha começado a pensar numa mudança de estratégia para lidar com a situação. Primeiro, os pombais contraceptivos, agora os falcões. “Estamos a aprender, a ver se isto funciona. A ideia é afastar os grande bandos de pombos que andam pelo Rossio, Restauradores, Praça do Município ou Campo das Cebolas. Se correr bem, podemos alargar ao resto da cidade”, diz Vítor Vieira.

 

A utilização de falcões para afugentar grandes populações de pombos tem sido, com frequência, experimentada pelas autoridades de algumas das maiores metrópoles. Nova Iorque já o fazia no início da década de 90 do século passado e Londres tem-no feito, amiúde, desde 2008, em algumas das suas zonas mais icónicas, como é o caso de Trafalgar Square. Los Angeles começou a fazê-lo em novembro passado. No mês anterior, também Paris anunciava que iria avançar para uma solução semelhante, apesar dos protestos de grupos de cidadãos que saíram em defesa dos pombos. Alegou-se crueldade contra estes animais. Em Lisboa, além do aeroporto, existe um projecto-piloto no Centro Comercial Vasco da Gama, com o objectivo de afastar as inúmeras gaivotas que importunam os comensais que fazem as suas refeições na varanda.

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COMENTÁRIOS

  • H. Nande
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    Também vão usar furões para espantar os ratos? É que é vulgar vê-los aqui pela zona da Av. de Berna… Descansadamente a passear, assim que o sol se põe, sobretudo perto de estabelecimentos hoteleiros e supermercados…

  • Henrique
    Responder

    Há por aquelas bandas outras espécies que causam transtorno… Se a modalidade de intervenção agora é essa, por que não empregar também os sapos???

  • João Morgado
    Responder

    Quer dizer, espantam os pombos do centro e o pessoal da periferia que se aguente com eles.
    Ou seja sacode-se a água do capote, em vez de resolver um problema!

    ““Estamos a aprender, a ver se isto funciona. A ideia é afastar os grande bandos de pombos que andam pelo Rossio, Restauradores, Praça do Município ou Campo das Cebolas. Se correr bem, podemos alargar ao resto da cidade”, diz Vítor Vieira.”

    Pessoal da Amadora, Loures, Odivelas, Oeiras que se lixem…
    Muito boa solução…

  • Jokka
    Responder

    Proibição de alimentação dos pombos com fiscalização eficaz e multas como em Veneza

  • Catarina de Macedo
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    Não existia uma comida dada aos pombos pela CML que os tornava inférteis?

  • Ana GONÇALVES
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    Será que também resulta com os vendedores de droga que proliferam em Lisboa?

  • Teresa Fontão
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    Um pombal contraceptivo não é suficiente? Pois não. Ponham os outros a funcionar. Muito mais barato e eficiente!

  • Carina
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    na maioria das vezes existem soluções éticas e bastante simples para resolver os problemas…
    https://sospombos.wordpress.com/pombal-contraceptivo/pombais-contraceptivos-na-alemanha-3/

  • Antonio
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    Muito bem ate que enfim ! Já foi testado noutros países e resultou ,so peca pela demora. Devem juntar multas pesadas a quem alimentar os pombos- O Porto devia fazer a mesma coisa ,Não sei do que estão a espera

  • Manuel Costa
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    Sabem quantos ovos põe uma pomba de cada postura e quantas vezes faz isso ao ano?
    Sabe que as crias de uma pomba passado meio ano já estão a fazer o mesmo que a progenitora
    Sabia que essas crias ainda conseguem criar uma vez nesse mesmo ano?
    Sabia que um pombo dura +- 5/6 anos e não tem predadores.
    Agora faça as contas e veja quanto a população dos pombos, aumenta num ano?
    Tenham paciência, isso do ovos, milho contraceptivo, Falcões, espetos ou redes é tudo uma treta, elas saiem de um lado e vão para outro, não faltam sítios para nidificar e o mesmo vai acontecer com as gaivotas. A única solução de controlar é captura por armadilhas de captura de pombos e o abate, não existe milagres, por muito que custe.

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