Lisboa experimenta circulação de motos e de ciclomotores nos corredores BUS

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Samuel Alemão

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Cidade de Lisboa

14 Março, 2016


Atenção aos condutores de autocarros e aos taxistas. A cidade de Lisboa vai avançar para uma experiência-piloto de utilização partilhada das faixas BUS pelas motos e pelos ciclomotores. Isto apesar de se saber, desde já, que a mesma conta com a oposição da Carris e dos representantes do sector do táxi. Desconhece-se ainda quanto tempo será necessário até que a Câmara de Lisboa chegue a uma conclusão.

Mas se os resultados da experiência, que se deverá realizar em três locais – Avenida Calouste Gulbenkian; Avenida de Berna, entre a Praça de Espanha e o Largo Azeredo Perdigão; e Rua Braamcamp, entre a Rua Rodrigo da Fonseca e a Rua Duque de Palmela – forem satisfatórios, a sua prática alargar-se-á a todas as vias da capital.

O projecto– que será discutido na próxima reunião do executivo camarário, na quarta-feira (16 de março) – resulta de uma proposta do CDS-PP aprovada por unanimidade, em Fevereiro do ano passado. Foi no seguimento dessa iniciativa que os serviços da autarquia procederem à realização de um estudo e pediram pareceres à Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) e ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMTT).

Ambos os pareceres, refere a proposta agora apresentada pelos vereadores Manuel Salgado e Carlos Castro, “se bem que sem carácter vinculativo, vieram, na sua generalidade, apoiar e incentivar esta medida, desde que fiquem acauteladas as necessárias medidas de segurança rodoviária e a necessária monitorização e avaliação do projeto-piloto, essencialmente ao nível da sinistralidade”.

Ainda de acordo com a proposta, o “referido estudo e a escolha das vias ora em deliberação tiveram por base, entre outros, critérios de segurança na circulação, fluidez de tráfego e a ligação entre pontos de atração, zonas residenciais, polos de emprego, redes de transportes públicos e interfaces”.

No dossiê que acompanha o documento que será discutido e votado em reunião de câmara, é possível constatar a veemente oposição a esta alteração quer por parte da Carris, quer por parte da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) e da Federação Portuguesa do Táxi. As três entidades alegam a falta de garantias de segurança e a redução da velocidade de circulação.

Críticas que não surpreendem João Gonçalves Pereira, o vereador do CDS-PP que originalmente propôs a aplicação da medida. O autarca diz não ser verdade que a velocidade de circulação de autocarros e dos táxis vá diminuir, lembrando que “esta prática já foi adoptada em muitas cidades do mundo”. “Depois, na passagem da aplicação da medida das zonas-piloto ao resto da cidade, não vai haver qualquer constrangimento”, afirma.

O vereador centrista diz que “tem de haver bom-senso” e prefere relevar o propósito maior de tal alteração. “A vida na cidade e o ambiente vão melhorar, porque isto visa o incentivo do uso da moto em detrimento do automóvel. Permite a circulação das pessoas e isso pode ser feito com mais segurança e menos sinistralidade”, alega.

Apesar de satisfeito com o facto de o executivo socialista aproveitar a sua proposta inicial, João Gonçalves Pereira critica os “15 meses que demoraram para avançar com esta proposta” e, sobretudo, o que considera ser a reduzida área sujeita a esta experiência. “Apenas três zonas-piloto é poucochinho”, ironiza o eleito do CDS-PP, salientando que “podiam ser muito mais”.

Gonçalves Pereira alerta ainda para o facto de a proposta de experiência-piloto ser omissa no que se refere ao prazo. “Reparei nisso e vou perguntar na reunião”, diz ao Corvo o vereador, notando que o tempo necessário a tirar conclusões “nunca deverá ultrapassar os três ou quatro meses”.

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