Uma cidade é como uma casa. Nela se criam projectos de familiaridade, rotinas, intimidades. E recebem-se visitas, franqueando aos olhares exteriores lugares com identidade própria. A Lisboa Open House deste ano, a decorrer no fim-de-semana (dias 5 e 6), abrirá as portas de seis dezenas de espaços para que as pessoas os fiquem a conhecer para além do que é usualmente permitido. Observar o interior e o exterior, ver para além do óbvio e mergulhar nos bastidores de edifícios, lugares e equipamentos que tenham uma importância simbólica ou funcional reconhecida na cidade  – embora alguns sejam quase anónimos e de uso privado – é o objectivo desta iniciativa da Trienal de Arquitectura de Lisboa. Do Terminal Fluvial do Terreiro do Paço à Escola Alemã de Lisboa, passando pelos Paços do Concelho, a ETAR de Alcântara, a Pizzaria Casanova, o edifício da RTP, a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, o Edifício Franjinhas, são bastante diversificadas as portas e janelas por onde entrar, gratuitamente, nesta iniciativa, que regressa após o sucesso da primeira edição, em 2012.

Do século XVI ao século XXI, e divididos nas categorias Equipamentos, Infraestruturas, Comércio e Serviços e Habitação, os espaços poderão ser visitados através de um programa de visitas guiadas e passeios de bairro, sempre sem pagar. “A ideia é mostrar às pessoas coisas que, normalmente, não podem ver por terem acesso restrito ou observam de forma superficial, quando passam de autocarro. Muitos dos espaços não são correntemente visitáveis. Pretende-se revelar e reforçar uma segunda camada de interpretação”, promete Patrícia Marques, coordenadora da iniciativa, que é replicada em duas dezenas de cidades mundias, como Nova Iorque, Barcelona, Londres, Buenos Aires ou Roma. O Open House foi criado em 1992, por Victoria Thornton, fundadora do Open House e diretora do Open-City, que esteve presente na primeira edição lisboeta.

No ano passado, o Open House contou com a participação de cerca de 50 espaços arquitectónicos e recebeu mais de 13 mil visitas ao longo de dois dias. Este ano, contará com mais uma dezena de lugares visitáveis (a lista completa pode ser consultada em www.lisboaopenhouse.com e está dividida pelas áreas Ocidente, Oriente, Centro, Avenidas Novas, Norte e Centro Histórico), dando a conhecer não apenas o que foi edificado – e entre ele inclui-se algumas habitações particulares – mas também as paisagens. “Os itinerários de Lisboa Open House percorrem-se a pé, de bicicleta ou de transportes públicos, de preferência”, aconselha a organização desta celebração da vida urbana e que visa criar animação nos anos entre a realização de cada edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa.

Um dos lugares que, este ano, suscita mais curiosidade é o ainda por inaugurar novo Museu Nacional dos Coches, cujas inscrições para visitas estão já esgotadas. Aliás, das 60 propostas visitáveis, cerca de uma dezena já tinha as inscrições completas, a meio desta semana. “Prova de que certos edifícios e espaços continuam a suscitar grande curiosidade”, salienta Patrícia Marques, que chama a atenção para outras estreias no programa destes ano: Assembleia da República, embaixada de França, Liceu Passos Manuel e Reservatório da Patriarcal, bem como diversas habitações particulares. No domingo de manhã (10h), haverá uma passeio de bicicleta por um dos locais incluídos na lista, o Corredor Verde de Lisboa, com partida de Monsanto e término no topo do Parque Eduardo VII, onde decorrerá uma conversa com um arquitecto paisagista.

 

Texto: Samuel Alemão  Fotografia: David Clifford

Deixe um comentário.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com