Crónica

As melhores laranjas das Laranjeiras, visualmente mais atraentes, são as que Rolando Sá Nogueira desenhou para a estação do Metro — laranjas hiper-realistas, gravadas em Alta Definição em azulejos cremes. As outras laranjas, lá fora, são simplesmente reais.

Nesta altura do ano, as laranjeiras plantadas atrás da estação e junto à Loja do Cidadão estão cheias de fruto. São muitos quilos de laranjas, mas ninguém lhes toca: as laranjas acabam por cair e apodrecer no chão.

Serão boas para comer?

A dona da tabacaria fez logo uma careta: “Acho que não”.

Um homem que trabalha por perto e que estava a estacionar o carro junto a uma das laranjeiras respondeu assim: “Pelo que ouvi dizer, devido ao tratamento que lhe dão, os frutos das árvores plantadas na via pública não são bons para comer”.

Na Junta de Freguesia, o funcionário que atendeu o telefone começou por dizer “sinceramente, não sei”.

– Nós aqui não fazemos essas análises, acrescentou.

Foi a Junta que plantou as árvores, não foi? O funcionário admitiu que sim, mas “sinceramente” também não sabia isso.

O metro chegou às Laranjeiras em 1988, quando esta área de Lisboa já não era a zona de “eminentes palácios e frondosas quintas ricas em pomares, hortas e jardins” referida em livros antigos. “Sá Nogueira quis deixar marcado de forma duradoira todo esse passado que, com a voragem do tempo, desapareceu, surgindo em seu lugar mais um local de intensa atividade urbana”, diz o site do Metro.

E as laranjeiras novas plantadas à superfície? Que fazer com aquelas laranjas todas?

O segurança do Metro riu-se: “Não sei se são boas, nunca comi nenhuma”.

Servem apenas para decoração!?

– Sim, devem ser isso, um elemento decorativo.

 

Texto: António Caeiro

 

  • Rosa
    Responder

    A junta não sabe? Então quem é que sabe?

  • Tuga News
    Responder

    [O Corvo] Laranjas hiper-realistas e em 3D https://t.co/BlUlLXfqAa #lisboa

  • Manuel Costa
    Responder

    Podem-se comer mas são amargas.

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