U-Matic, Betacam SP, DV, DVD, Mini-Dv, Dvcam, Mini- Dvcam, HDV, VHS e HI 8, em vídeo, e 8mm, Super 8mm, 16mm ou outros, em película. Quase todos os formatos são válidos para resgatar ao esquecimento os muitos filmes amadores, caseiros e de família que existirão sobre a cidade de Lisboa ou feitos por lisboetas, ao longo de décadas. É como abrir um baú de imagens em movimento ainda por analisar, catalogar e preservar em formato digital. A campanha “Procura-se filmes”, iniciada na semana passada pelo Arquivo Municipal de Lisboa, através do seu serviço de Videoteca, tem como objectivo enriquecer o espólio da instituição, mas também preservar a memória colectiva da cidade. Esperam-se muitas surpresas contidas em filmes inéditos.

 

“A campanha começou na semana passada e já começámos a receber filmes e contactos de pessoas que nos querem fazer entregas”, confirma ao Corvo Inês Sapeta Dias, responsável pela programação da Videoteca de Lisboa, entidade nascida em 1991, mas que foi, há alguns anos, integrada nos serviços do Arquivo Municipal de Lisboa. “Com a nossa integração no arquivo, passámos a ter novas funções e uma das nossas missões passa agora também pela preservação das imagens que as pessoas têm em casa, mas, em muitos casos, já não vêem há muitos anos, ou porque os filmes caíram no esquecimento ou os formatos estão obsoletos”, explica a técnica, que salienta o facto de existirem em muitas casas lisboetas filmes em Super 8, formato muito usado nos anos 60 e 70 do século passado.

 

Os filmes – em bom estado de conservação, de qualquer época e feitos na cidade de Lisboa, dentro ou fora de casa, ou por lisboetas, desde que de alguma maneira incluam a menção a essa origem, sem restrições temáticas, mas com carácter documental e de retrato do quotidiano – podem ser entregues nas instalações da Videoteca, no Edifício da “Promotora”, no Largo do Calvário, em Alcântara. Depois de feita cada digitalização – não serão aceites filmes em mau estado, por poderem causar danos nos equipamentos -, a Videoteca fica com uma cópia do filme doado e oferece outra ao dono das imagens originais, em DVD ou em ficheiro MP4. A partir daí, é mais uma peça a enriquecer o acervo de imagens em movimento da capital. Dando a conhecer as pessoas, os hábitos, os edifícios e o espaço público.

 

“A ideia deste projecto, além de aumentar o nosso espólio, passa também por dar a conhecer outras perspectivas, inéditas, sobre factos já conhecidos – como acontecimentos com relevância histórica. Ao mesmo tempo, interessa perceber como é que as pessoas e as famílias se comportavam noutras épocas. Os filmes sobre piqueniques, por exemplo, são muito interessantes nesse aspecto”, afirma Inês Sapeta Dias, convicta do papel que tais filmes poderão desempenhar no desvelar de uma outra perspectiva sobre a história da cidade. “Será útil poder acompanhar, até do ponto de vista social, a forma como as pessoas se relacionavam umas com as outras”, observa a técnica, lembrando que estes filmes caseiros e familiares “estão muito próximos daquele que era o gesto primordial do cinema”.

 

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Mas a recolha não cumpriria na totalidade os objectivos a que se propôs, se a comunidade não pudesse ver os seus frutos. Por isso, o Arquivo Municipal/Videoteca está a preparar a organização da TRAÇA – Mostra de Filmes de Arquivos Familiares, que, a partir deste ano, exibirá os filmes recebidos e integrados no seu espólio. O formato ainda está a ser definido, mas a primeira edição da referida mostra deverá ter lugar entre Agosto e Setembro próximos, integrada no programação do Fitas na Rua, festival de cinema ao ar livre organizado pela empresa municipal EGEAC.

 

Nesta primeira edição da Traça, haverá lugar à exibição de curtas-metragens feitas por nove realizadores nacionais conceituados (Manuel Mozos, Susana Sousa Dias, Catarina Alves Costa, Margarida Leitão, José Filipe Costa, Sandro Aguillar, Edgar Pêra, Margarida Cardoso e Pedro Marques), que exibirão uma visão pessoal construída sobre frações dos filmes entregues pelas pessoas à Videoteca. Cada filme terá uma duração entre 5 e 10minutos.

 

Texto: Samuel Alemão         Imagens: Videoteca (Arquivo Municipal de Lisboa)

 

  • JoãoPedroPincha
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    RT @ocorvo_noticias: Lançada campanha para encontrar filmes amadores, familiares e caseiros de Lisboa – http://t.co/SSxM69E4VI

  • Rui Barradas Pereira
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    RT @ocorvo_noticias: Lançada campanha para encontrar filmes amadores, familiares e caseiros de Lisboa – http://t.co/SSxM69E4VI

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