Após a reportagem do Corvo sobre o cenário caótico causado pela actividade ilegal dos graffiters naquela zona, junta e câmara decidiram banir qualquer pintura. Foi decretada tolerância zero para com o graffiti. E qualquer nova mancha colorida será apagada de imediato. A vigilância será assegurada pela Polícia Municipal. “É um bocado como com as crianças: se não se sabem portar bem, são castigadas”, diz Vasco Morgado, presidente da Junta de Santo António. Mas já há paredes grafitadas depois de pintadas de novo.

 

Texto: Samuel Alemão

 

A Calçada do Lavra e as escadarias que fazem a sua ligação ao Jardim do Torel foram consideradas pelas autoridades, desde a semana passada, uma zona interdita ao graffiti. Equipas de uma empresa especializada na remoção de pinturas com aerossol estão, desde a última quarta-feira (16 de março), a proceder ao apagamento de todas as superfícies preenchidas por uma anárquica profusão de cores. A onerosa operação, que é paga a meias pela Junta de Freguesia de Santo António e pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), não deverá, contudo, ter resultados garantidos. É que há paredes já grafitadas de novo, após as primeiras acções de limpeza.

 

Oficialmente, contudo, a proibição é total. A partir de agora, nem sequer é possível responder aos laivos de criatividade na área que lhes estava destinada, e que havia para o efeito sido instituída pela antiga Junta de Freguesia de São José, em 2011, após um acordo com uma marca de aerossóis. “Esta é uma medida correctiva. É um bocado como com as crianças: se não se sabem portar bem, são castigadas. Vamos ter ali uma intervenção total, sem abertura de excepções. De cada vez que se fizer um risco ou uma pintura numa parede, nós iremos logo limpar”, assegura ao Corvo o presidente da Junta de Freguesia de Santo António, Vasco Morgado (PSD).

 

O autarca reconheceu que a situação que ali estava criada, surgida de uma iniciativa por si lançada enquanto presidente da junta de São José – integrada na nova freguesia de Santo António, em Outubro de 2013 -, estava fora de controlo. “Infelizmente, não há respeito. Existe uma grande falta de civismo e as pessoas que fazem este género de acções e vandalizam o espaço público sentem-se impunes, porque há uma efectiva falta de fiscalização”, afirma o presidente da junta, fazendo notar que “isto só vai lá quando doer no bolso” dos prevaricadores. É que, a partir de agora, “a Polícia Municipal vai lá estar todos os dias, durante uns tempos”, para tentar evitar que as pinturas se repitam.

 

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Parede que já havia sido limpa voltou a ser grafitada, no dia seguinte.

 

O que não se assemelha como uma tarefa fácil. Logo no dia seguinte ao começo da intervenção de higienização, foi grafitada de novo uma das paredes pintadas de fresco pelos funcionários da empresa contratada pela junta e pela câmara municipal – que chegaram a acordo para terminar com a existência da área de livre uso por parte dos artistas urbanos. “Não é fácil e ainda vai demorar um pouco, mas as pessoas vão-se habituar as ver as paredes limpas. Mas o segredo é atacar logo que haja um risco”, explica Vasco Morgado, naquilo que qualifica de uma “tentativa de defesa do património” – a junta e a CML asseguram também a pintura das fachadas dos rés-do-chão dos prédios afectados.

 

“As pessoas nem imaginam o dinheiro que se gasta com esta operações de limpeza. Até para a Câmara de Lisboa é caríssimo”, diz o autarca sobre a tentativa de restabelecer o aspecto original do espaço público daquela zona da cidade, que assegura a ligação entre a Colina de Santana e a Avenida da Liberdade. Operação na qual está também empenhada a Junta de Freguesia de Arroios – comparativamente, muito menos afectada, pois a escadarias situam-se em Santo António, sendo a fronteira entre ambas as freguesias estabelecida pela Calçada do Lavra. Também a Carris despende, com muita frequência, quantias avultadas para repintar de amarelo o ascensor do Lavra.

 

  • Mario Fernandes
    Responder

    Aplaudido

  • Tuga News
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    [O Corvo] Junta de Santo António e CML declaram guerra aos graffiti na Calçada do Lavra https://t.co/ns74qExxsk #lisboa

  • Vera Fernandes
    Responder

    Não sei porquê… Muitos são verdadeiras obras de arte e melhores que paredes esburacadas. Além disso são de borla e não se gasta o pouco dinheiro que já temos. Mas nessa zona não conheço o tipo de grafittis que faziam. Para mim é uma forma de expressão, tendo bom senso claro.

    • Rui Félix
      Responder

      Idiota!

    • Paulo Ramos
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      Espero que façam um na sua propriedade ou no seu carro a ver se gosta

    • Vera Fernandes
      Responder

      Sr. Paulo Ramos não deve ter entendido o que disse. Aconselho o a ler melhor e a respeitar a opinião dos outros, chama se a isso educação. Mas eu respeito a sua. É claro que grafitti em carros e propriedade privada não é arte mas sim vandalismo, mas não comentei isso. Comentei que há prédios e muros a cair em estado lastimável que ficam muito melhor com este modo de expressão e que é preferível os jovens se expressarem assim do que andarem sem rumo. Cumprimentos e boa tarde.

  • Vera Fernandes
    Responder

    Li agora o artigo e se forem grafittis que embelezem e lembrem a bela cidade de Lisboa não vejo mal, mas aquelas letras e frases sem sentido feitas por crianças armadas em rebeldes com causa, isso já não concordo.

    • Ana Pires
      Responder

      Vê-se bem que não conhece a zona em questão, porque aquilo em que estava transformada, asseguro-lhe, já não tinha nada de artístico – era vandalismo puro e duro. E também não é zona de “paredes esburacadas”. Mas os moradores de uma das calçadas mais bonitas da cidade passaram a viver num ambiente de filme “da pesada” de bairro degradado. Eu não sou residente, sou utente do elevador, passo a pé na calçada, e sentia uma autêntica onda de fúria cada vez que lá passava. Aquilo era criminoso, e não tem outro nome. (E gosto de arte, é muito)

    • Paulo Ramos
      Responder

      Isso são grafites

    • Vera Fernandes
      Responder

      Sr. Paulo Ramos temos pontos de vista diferentes do que são grafittis. Veja o exemplo do que fizeram nos Açores em homenagem ao Nicolau Breyner. Mas fique com a sua opinião que eu respeito mas aconselho o a informar se melhor. Cumprimentos

  • Luis Maia Bento
    Responder

    sem mão pesada, não vai lá. ou, contratar um ‘grafiteiro Pro.’ que faça , isso siim: arte, ao longo da calçada e ond for possível. Normalmente, parecem respeitar-se uns aos outro num estranho código, digamos, de ética de rua.

  • Natacha Pereira
    Responder

    A junta de freguesia de s. António é muito dinâmica… Mesmo ao nível do apoio social. Agradecemos!

  • João Fernandes
    Responder

    Se no dia seguinte à pintura já lá estavam graffittis novos é porque a vigilância da Polícia Municipal não está a ser eficiente. Por outro lado compreendo a frustração de ter que deslocar recursos para impedir que um grupo de anormais ande a rabiscar paredes. Já agora só para deixar claro, eu também aprecio murais e arte de rua bem feita e em muitos casos embeleza o local. A iniciativa original da Junta em 2011 foi bastante bem conseguida … o problema são os abusos … não tenho a certeza se estou certo, mas julgava que em alguns casos, os graffittis não são necessariamente arte mas sim uma afirmação de “Eu estive aqui” o que não tem necessariamente de ter um sentido estético.

  • Magda Wallmont
    Responder

    Vivo na zona e claramente as medidas nao sao eficazes, e isto sem falar daquilo que fazem aos electricos. Devem por camada de anti-graffiti + câmaras CCTV, penalizar os responsaveis.

    • M.P. Carvalho
      Responder

      Câmaras CCTV não que é proibido !!! ; Não se asseguram assim as liberdades, direitos e garantias .. dos graffiters claro ! As das outras pessoas, não interessa ..
      É melhor gastar o dinheiro das câmaras x 1000 em repinturas .. no mercado da Ribeira já deve ir na pintura nº 78.527

  • margarida martins
    Responder

    INFORMO que quem esta a PAGAR a REMOCAO , que eu saiba, é a Camara Municipal de Lisboa.
    Ate agora so pediram as Juntas para monotorizar em conjunto.!

  • Vasconcelos Maria Rita
    Responder

    abençoados….

  • Atlas Lisboa
    Responder

    Junta de Santo António e CML declaram guerra aos graffiti na Calçada do Lavra https://t.co/3ZvU2EiMYe https://t.co/nkqDej0cXn

  • JoaoF
    Responder

    RT @ocorvo_noticias: Junta de Santo António e CML declaram guerra aos graffiti na Calçada do Lavra – https://t.co/wLJQu11F6j

  • Rosa
    Responder

    Ai que problema tão complicado de resolver, credo! Será que já tentaram comunicar com os grafiters que foram incentivados, pela autarquia, a grafitar estas paredes. São adultos sabem ler e escrever , não vejo nenhuma informação no local a explicar que o presidente da junta agora já não quer grafitis.

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