Construída em 1939, e parte da antiga Refinaria de Cabo Ruivo, a grande estrutura metálica preservada aquando da Expo 98 está sujeita ao vandalismo e à falta de manutenção, diz a autarquia. Tudo devido à indefinição na extinção da Parque Expo. Por isso, o presidente da junta quer assumir a gestão do espaço ou que seja a Câmara de Lisboa a fazê-lo. Até porque não têm faltado propostas para lhe dar uso. Por agora, serve de urinol e lixeira de alguns. Mas até já houve quem colocasse vasos com droga na parte superior.

 

Texto: Samuel Alemão

 

A Junta de Freguesia do Parque das Nações está disponível para assumir a gestão da Torre Galp existente no antigo recinto da Expo 98 – actualmente detida pela Parque Expo, entidade em processo de extinção há vários anos -, por considerar que assim poderá resgatá-la ao que encara como o presente “estado de decadência e degradação acelerada, com graves riscos para a segurança e a salubridade públicas”.

 

As palavras são de José Moreno, presidente da autarquia, que ao Corvo disse estar muito insatisfeito com “abandono” a que estará sujeito o monumento industrial resultante do aproveitamento, aquando da Expo, de um antigo equipamento de refinação petrolífera. Até já houve quem ali tivesse colocado vasos com plantas para a produção de substâncias usadas na produção de estupefacientes. À junta, todavia, têm chegado várias propostas para lhe dar outros usos.

 

“Temos ali um problema grave nascido da incúria na manutenção, resultante também da indefinição e da demora em torno do processo de liquidação da Parque Expo. A torre tem de passar para a tutela da Câmara de Lisboa, o que, aliás, já deveria ter sucedido a 1 de Dezembro de 2012”, afirma o presidente da junta, referindo-se à lentidão da extinção da empresa pública criada para gerir o património da exposição universal.

 

Dependente do Governo, é ela a detentora de vários equipamentos e, por isso, a responsável pela sua manutenção. “Se a câmara quiser, nós estamos disponíveis para assumir a gestão da torre, através de um contrato de comodato”, diz o edil, considerando que “tal como está é que não interessa a ninguém”. “Temos ali um problema não só de segurança, bem como da própria imagem do espaço público, que importa preservar”.

 

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José Moreno considera que a descurada manutenção do equipamento, associada ao facto de não existir nenhuma actividade – comercial ou institucional – na estrutura do mesmo, têm contribuído decisivamente para lhe conferir a actual aura de abandono. Situação que poderia ser revertida, com a concessão de parte do espaço a alguns dos interessados que têm sondado a junta.

 

“Em tempos, chegaram a existir lojas na parte inferior da estrutura. Mas agora aquilo está vazio, o elevador que fazia a ligação ao piso intermédio está parado, o que não impede as pessoas de subirem até lá cima e, muitas vezes, fazerem aquilo que não devem”, queixa-se o autarca, referindo-se ao facto de alguns fazerem ali as suas necessidades fisiológicas, deixarem lixo ou produzirem barulho a horas impróprias – tudo à vista e ao alcance dos ouvidos dos residentes dos prédios ao lado.

 

A isso há que acrescentar a degradação física da Torre Galp, consequência da alegada falta de manutenção. “Aquilo está a apodrecer. Qualquer dia, o que temos ali não são problemas de ferrugem, mas sim de corrosão – até porque temos também ali o problema dos dejectos dos pombos”, critica o presidente da Junta de Freguesia do Parque das Nações, para assim defender a tomada de posse imediata da grande torre metálica por parte da CML e, numa fase seguinte, a sua transferência para a alçada da junta.

 

“Estamos disponíveis para aceitar a gestão, assim a câmara o permita. Mas se eles a quiserem assumir eles mesmos, também achamos positivo”, diz José Moreno, garantindo ser a autarquia – surgida no final de 2013, na sequência do processo de reforma administrativa da cidade – regularmente contactada por pessoas e entidades “interessadas em tomar conta da torre”. “Há pouco tempo, fomos abordados por uns jovens designers em início de carreira, que ali instalar os seus ateliês”, conta.

 

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Mesmo entidades estabelecidas têm contactado a junta de freguesia com o intuito de ocupar a torre. “Houve um grupo editorial grande que nos disse ter interesse em instalar ali uma das suas livrarias. Mas também tivemos um contacto por parte da Associação de Turismo de Lisboa, que nos sugeriu que poderia explorar o elevador para aproveitar as vistas fantásticas que existem lá em cima”, enumera o presidente da junta.

 

José Moreno diz que até o IADE (Instituto de Arte, Design e Empresa) se propôs realizar uma intervenção plástica na torre, colocando-lhe no topo um néon imitando a chama ininterrupta que outrora saía da sua chaminé – foi construída em 1939 e estava integrada no complexo da antiga Refinaria de Cabo Ruivo.

 

  • Ana Maria Cardoso
    Responder

    Não conseguiu dar nenhuma ideia , para a Torre, só queixar- se!
    Deveria ter um elevador e ser um ponto alto para ver a paisagem com um café no topo.

  • Francisco
    Responder

    Não são os primeiros:

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