Depois da contestação popular e por parte da Plataforma em Defesa das Árvores e da suspensão de uma operação com data marcada, chega a certeza de que o previsto corte das oito tílias da escadaria da Rua Cidade de Manchester, nos Anjos, não vai mesmo acontecer. “Só estamos à espera que a Câmara Municipal de Lisboa nos autorize a fazer uma intervenção para colocar caldeiras diferentes das que existem e que permitirão ter mais espaço para as árvores”, explica ao Corvo Margarida Martins (PS), presidente da Junta de Freguesia de Arroios, confirmando que o planeado abate de árvores, que deveria ter acontecido a 12 de dezembro e acabou por ser travado após os protestos de moradores e ativistas, foi riscado da lista de opções. “Se tudo correr bem, esperemos que durem muitos e bons anos”, afirma.

 

“Não é do nosso interesse abater árvores. Queremos é plantar mais até ao final deste mandato”, conclui a autarca, admitindo também as imprevisíveis implicações de uma operação de abate num terreno com as características geológicas daquele onde se implantam as escadas, na fronteira entre o Bairro de Inglaterra e o antigo Bairro das Colónias. Constatação a que se juntaram, na semana passada, os dados do relatório sobre as tílias em questão, elaborado pelo Laboratório de Patologia Vegetal Veríssimo de Almeida, do Instituto Superior de Agronomia. O mesmo aponta para a manutenção dos exemplares arbóreos, embora recomende intervenções pontuais e a vigilância semestral a todos eles. O documento resultante da avaliação, pedida pela Junta de Freguesia de Arroios, na sequência da contestação, apenas prescreve cortes e podas em três das tílias analisadas. Afinal, todas as árvores apresentam um “grau de perigosidade moderado”.

 

No referido relatório, alerta-se para a necessidade de garantir o maior espaço possível para o tronco das árvores, no âmbito da intervenção de requalificação do espaço público para ali planeada. “No caso presente, o enterramento de uma parte do tronco das árvores traduz-se na morte de uma grande percentagem das raízes finas que absorvem água e sais minerais”, escreve-se, antes de ser recomendado que, como forma de mitigação, o sistema radicular “não sofra alterações de cota a mais de 15 centímetros, caso se opte pela conservação das tílias”. O relatório chama ainda a atenção para o facto de as olaias, espécie que deveria vir a ocupar o lugar das tílias a abater, sofrerem neste contexto particular de infestações de “psila da olaia”, praga que resulta em grandes quantidade de melada – “Os afídeos e as psilas, quando se alimentam, produzem uma melada intensa que cai sobre mobiliário, equipamentos e, neste caso, sobre a escadaria que se encontra debaixo das copas”, salienta-se.

 

Texto: Samuel Alemão

 

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