Daniel Gonçalves (PSD) diz-se preocupado com o impasse a que se chegou sobre o futuro da importante parcela. Quase um ano decorreu sobre a aprovação de a levar a hasta pública. As duas tentativas para a sua realização fracassaram. E, nos últimos tempos, a única coisa que lá se verificou foi a instalação dos estaleiros das obras de remodelação do Eixo Central. “Não é o destino que os lisboetas ambicionariam para uma zona tão relevante da capital”, diz o autarca, que propõe um novo eixo viário a rasgar o antigo recinto e que serviria para ligar as avenidas 5 de Outubro e da República.

 

Texto: Samuel Alemão

 

“Uma ferida no centro da cidade que tarda em sarar”. É assim que Daniel Gonçalves (PSD), o presidente da Junta de Freguesia das Avenidas Novas, vê a forma como os terrenos da antiga Feira Popular de Lisboa continuam à espera que seja definido o seu futuro. Em declarações ao Corvo, o autarca lamenta que a questão “se arraste mês após mês, ano após ano, sem solução à vista”. “É uma área que está totalmente inaproveitada, o que redunda em prejuízo dos lisboetas e, naturalmente, dos fregueses das Avenidas Novas. A nosso ver, é chegada a altura de devolver os terrenos à cidade”, considera.

 

Daniel Gonçalves, que sublinha que o destino a dar aos terrenos terá implicações diretas na freguesia das Avenidas Novas, na vida diária dos seus fregueses e dos milhares de cidadãos que entram e saem da freguesia porque ali trabalham ou estudam, quer ver desfeito, o mais rapidamente possível, o impasse surgido após o aparente falhanço das duas hasta públicas promovidas pela Câmara Municipal de Lisboa (CML). Em Outubro e em Dezembro passados, a câmara tentou colocar no mercado, por um valor mínimo de 135,7 milhões de euros, o terreno com uma área de construção de 143 mil metros quadrados, num processo validado pela Assembleia Municipal de Lisboa em Julho de 2015.

 

Mas ambas as hastas públicas não suscitaram o interesse suficiente para que alguém fizesse uma licitação que fosse. Isto apesar do grande valor comercial dos referidos terrenos localizados entre as avenidas da República, 5 de Outubro e das Forças Armadas. As condicionantes do concurso impunham ao futuro dono daquela parcela que a superfície destinada ao comércio não poderia ser superior a 25%, a da habitação não poderia ser inferior a 25% nem exceder 35% da superfície total. Além disso, 30% do terreno teria, obrigatoriamente, de ser área verde. “Esta distribuição parece-nos equilibrada”, diz ao Corvo o eleito social-democrata.

 

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“A verdade é que a autarquia não conseguiu vender os terrenos que foram avaliados em 135,7 milhões de euros e, desde Dezembro, o assunto parece ter caído, de novo, no esquecimento”, lamenta o presidente da junta, que lembra que “passou quase um ano” desde que a operação foi aprovada pela maioria camarária e pela assembleia. “Os responsáveis da Câmara Municipal de Lisboa parecem não ter grande pressa em ultrapassar o impasse e os terrenos foram agora transformados em estaleiro das obras que estão a decorrer no Eixo Central da cidade. Convenhamos que não é o destino que os lisboetas ambicionariam para uma zona tão relevante da capital”, critica.

 

Por tudo isto, Daniel Gonçalves fala “na necessidade de desenvolver nos antigos terrenos da Feira Popular um projeto urbanístico de qualidade, que valorize a zona, com espaços públicos e de lazer que aportem bem-estar e contribuam para a melhoria da qualidade de vida dos munícipes”. E porque se diz “muito preocupado” com as consequências que o projecto a edificar venha a ter ao nível das “acessibilidades e da fluidez da circulação, pedonal e rodoviária, nesta zona nevrálgica da cidade”, propõe a construção de um novo eixo viário que atravesse os terrenos da antiga feira.

 

“A Junta de Freguesia de Avenidas Novas defende a criação de um novo eixo viário para ligar a Avenida 5 de Outubro à Av. da República, num prolongamento da Rua da Cruz Vermelha”, anuncia, antes de explicar que “este projecto permitiria igualmente a criação de 100 novos lugares de estacionamento, um bem cada vez mais escasso na cidade, possibilitando igualmente um melhor escoamento do trânsito nesta zona”. “A Junta de Freguesia já apresentou o projecto com memória descritiva ao vereador Manuel Salgado relativamente a este eixo viário e à criação dos 100 novos lugares e está a aguardar resposta”, diz.

 

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