O Jardim Nun’Álvares, mais conhecido como o Jardim de Santos, tem vindo a sofrer de reiterados maus-tratos por parte de muitos dos frequentadores dos estabelecimentos de diversão nocturna daquela zona. Canteiros constantemente pisoteados e usados como local de diversão, mas também como lavabos e caixotes de lixo, sobretudo para garrafas e copos; o arranque de pernadas de árvores; graffiti em troncos e, mais recentemente, a destruição do lago ali existente são alguns dos desmandos a que tem sido sujeito aquele espaço verde situado na freguesia da Estrela.

 

O alerta é lançado pela Plataforma em Defesa das Árvores, através de um comunicado que fala em “estado de calamidade” na conservação daquele jardim. Para o actual cenário, acusa o colectivo, têm também contribuído “o abate das palmeiras centenárias que ali existiam, devido à praga do escaravelho vermelho e por absoluto desinvestimento em termos de prevenção e tratamento” e a “poda inadequada (irresponsável) da monumental e exemplar bela sombra ali existente”. O grupo de activistas ambientais – formado por um conjunto alargado de associações e cidadãos – lamenta ainda a escolha daquele sítio como “local de ‘amarragem’ de uma roulotte de comes e bebes, numa opção inexplicável dada a proximidade de árvores classificadas”.

 

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Por isso, a Plataforma em Defesa das Árvores diz estar profundamente preocupada. E isto porque, apesar dos constantes avisos às autoridades sobre as más práticas e das solicitações para que se adoptem acções de prevenção e cuidados básicos, nada tem sido feito até agora. “Tememos que, continuando assim, o Jardim de Santos possa até tornar-se irrecuperável”, alerta o comunicado, concluindo que, “mantendo-se a actual situação, a Junta de Freguesia da Estrela não reúne as condições necessárias à gestão do importante património arbóreo do eixo Francesinhas/Dom Carlos I/ Jardim de Santos”. O Corvo tentou, durante a tarde de ontem (23 de Setembro), ouvir Luís Newton (PSD), o presidente da junta, sobre estas acusações, mas não conseguiu estabelecer contacto telefónico com o mesmo.

 

“Entendemos que o arvoredo – de características únicas na Europa – deste eixo deverá ser considerado como um produto turístico específico, que permite a descoberta e a compreensão do meio natural e cultural da cidade de Lisboa”, diz a Plataforma. Para que tal aconteça, a mesma entidade diz que o jardim “deverá passar a ser confiado à comunidade – grupo de agentes locais multidisciplinar a constituir -, na forma de protocolo de cooperação”. Tal solução, alega, até já estará prevista no futuro regulamento municipal de arvoredo – que se encontra em consulta pública até 30 de Setembro – e poderia contar com financiamento comunitário.

 

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Ontem (23 de Setembro), ao final da tarde, O Corvo pôde constatar a presença de um largo número de estudantes universitários à porta de um bar localizado ao lado do jardim. Em celebrações de praxes e demais rituais de início do ano escolar, bebiam cerveja em abundância e, em pequenos grupos, alguns deles vinham, depois, conviver para o espaço verde – embora a relva seja inexistente. Os copos de plástico utilizados para consumir a referida bebida estavam espalhados um pouco por todo o lado, tal como os sacos de papel de uma conhecida marca de fast-food, que tem uma loja nas redondezas.

 

Texto: Samuel Alemão

 

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