Corte de árvores polémico no jardim do Alto de Santo Amaro, em Alcântara

ACTUALIDADE
Samuel Alemão

Texto

Paulo Ramos

Fotografia

AMBIENTE

Alcântara

25 Novembro, 2015


Mais uma acção de poda e abate de árvores realizada num jardim emblemático da cidade, mais uma polémica, mais uma torrente de críticas contundentes por parte da Plataforma em Defesa das Árvores. Desta vez, o corte de três árvores e uma poda substancial numa delas no jardim do Alto de Santo Amaro, em Alcântara, estão a merecer acusações de “crime”, alegadamente cometido pelas autoridades – Câmara Municipal de Lisboa e Junta de Freguesia de Alcântara -, por parte do grupo de activistas. Mas o presidente da junta garante ao Corvo que as intervenções realizadas são fundamentadas por relatórios técnicos e necessárias pela segurança de pessoas e de bens.

É a repetição de uma cena já vista noutras freguesias de Lisboa, nos últimos meses, e sempre pautada pelo acumular de fortes críticas por parte de cidadãos e associações, face ao que consideram ser o excessivo recurso a “podas violentas” e ao corte de vários exemplares do coberto arbóreo. A última destas ocasiões de denúncia teve lugar há cerca de um mês, com o alvo da contestação a ser a Junta de Freguesia de Santo António, entidade responsável pelo corte de um conjunto de tílias de grande porte no Jardim das Amoreiras. Desta vez, é a acção conjunta da CML e da Junta de Alcântara no Alto de Santo Amaro a merecer os mais fortes reparos. E não se poupa na adjectivação.

“Abate criminoso de árvores de grande porte”, acusa o título do comunicado emitido, nesta terça-feira (24 de Novembro), pela Plataforma em Defesa das Árvores – colectivo formado por indivíduos e associações como a Associação Lisboa Verde, o Fórum Cidadania Lx , o Geota, o Grupo de Amigos da Tapada das Necessidades ou a Quercus, entre outros. “A Plataforma em Defesa das Árvores vem denunciar o que considera ser um crime contra a cidade de Lisboa, o abate desenfreado, sem qualquer justificação, fundamento, relatório ou resposta de quem de direito, dos lódãos monumentais que compõem o notável jardim do Alto de Santo Amaro, em Alcântara”, diz o texto.

O documento diz ainda que “o que se passa em Lisboa, neste momento, é a ‘Lei do Faroeste’- Lisboa, terra de ninguém, onde qualquer um mutila ou mata as árvores que lhe apetece. E assim continuará até que leis e regulamentos relativos à gestão do património arbóreo sejam feitos e aprovados”. Uma referência ao futuro regulamento das intervenções no arvoredo da cidade, que a Câmara Municipal de Lisboa está a preparar e que foi apresentado por iniciativa de José Sá Fernandes, vereador da Estrutura Verdes, na sequência da chuva de críticas às juntas e à câmara, depois de uma série de intervenções polémicas ocorridas na última primavera.

Contactado por O Corvo, Davide Amado (PS), presidente da Junta de Freguesia de Alcântara, diz que a última intervenção no Jardim do Alto de Santo Amaro, ocorrida no sábado, 21 de Novembro, e que correspondeu ao corte de uma árvore, “é da responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa, mas ela era necessária e está justificada pelos relatórios fitossanitários realizados”. O autarca diz que a árvore em causa representava um perigo para a segurança dos transeuntes. “Há cerca de um mês, um tronco caiu a um metro de uma pessoa que ali passava e destruiu um automóvel”, diz.

O presidente da Junta de Freguesia de Alcântara afirma, por isso, que tal situação obrigava a tomar medidas. “A junta não pode ficar impávida e serena perante uma situação destas, de perigo real. O mais importante é a segurança das pessoas”, considera Davide Amado, justificando assim a intervenção no jardim, que será sujeito a obras de requalificação em 2016. O autarca diz que a junta tem feito podas em toda a freguesia e assim continuará a proceder, sempre escudada em relatórios técnicos e apoiada no parque de máquinas e nos recursos humanos da CML, por esta dispor dos meios mais adequados.

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COMENTÁRIOS

  • Claudia Tavares E Castro
    Responder

    Distância deste homem!!! 😉

  • Inês Mateus
    Responder

    🙁

  • Rosa
    Responder

    ” Presidente da Junta de Freguesia de Alcântara, diz que a última intervenção no Jardim do Alto de Santo Amaro, ocorrida no sábado, 21 de Novembro, e que correspondeu ao corte de uma árvore, “é da responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa,”

    É uma constante este “lavar” de responsabilidade pela parte das juntas e a intervenção sem planeamento apenas quando os acidentes acontecem. Já é tempo para as juntas assumirem as suas responsabilidades, promoverem estudos fitossanitários das suas árvores por entidades isentas, planearem os abates – eventualmente necessários- com base em conhecimento sério e com os devidos avisos e justificações à população, perceberem as causas que levaram à decrepitude das suas árvores e garantir que as más práticas que o provocaram não são perpetuadas. Não foi uma árvore apenas que foi abatida em Alcântara, esta “última intervenção” foi apenas mais uma e se nada for feito todos os monumentais lódãos do Jardim do Alto de Santo Amaro desaparecerão “como quem não quer a coisa”.

  • João Henriques
    Responder

    O arboricida volta a atacar… se calhar as 28.000 árvores que querem plantar até Março 2016 são peso na consciência (ou hipocrisia)

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