“Muitos senhorios fazem chantagem com as pessoas, dizendo-lhes que têm que sair”, denuncia dirigente da Associação Mais Proximidade, Melhor Vida, que luta contra o isolamento dos mais velhos daquela zona da cidade. A abertura de novos hotéis nos edifícios pombalinos é mais rentável do que ter lá gente comum a viver.

 

Texto: Samuel Alemão            Fotografia: Carla Rosado

 

São dois mundos em conflito. Por causa do crescimento meteórico da actividade turística, os idosos que ainda moram em andares da Baixa lisboeta estão a sentir uma pressão cada vez maior por parte dos seus senhorios para saírem, a fim de se poder converter os velhos prédios em unidades hoteleiras. Ocupantes destes imóveis há muitas décadas, e tendo assistido ao longo processo de decadência comercial e populacional desta área, vêem-se agora cercados pelo fulgor do “empreendedorismo turístico” que está a transformar a malha urbana do coração da cidade de forma muito rápida – e com o beneplácito dos poderes públicos.

 

“Há uma grande violência a ser exercida sobre estas pessoas, que estão muito abandonadas à sua sorte. E não se trata apenas de violência doméstica, física, mas sobretudo a outro nível, mais psicológico, sentido dentro entre portas”, diz Maria de Lourdes Pereira Miguel, responsável pela Mais Proximidade, Melhor Vida, projecto de apoio aos idosos, nascido em 2006, no seio do Centro Social Paroquial de São Nicolau, e que hoje formaliza a sua conversão numa associação. Trabalhando para combater o impacto da solidão dessa população residente nas antigas freguesias de São Nicolau, São Cristóvão e São Lourenço, acompanha cerca de 140 indivíduos, sobretudo mulheres.

 

A responsável pela Mais Proximidade, Melhor Vida – entidade que se afirma como um “grupo de católicos comprometidos com a sociedade civil” – fala no sentimento de aumento do cerco destes idosos, a maioria a viver sozinho, por parte do poder económico associado ao imobiliário e ao turismo. “Muitos dos novos senhorios fazem chantagem com as pessoas, dizendo-lhes que têm que sair num determinado período ou fazendo-os sentir desconfortáveis nesses prédios”, explica Maria de Lourdes Miguel, dizendo que tem conhecimento de dois casos concretos, ocorridos nos últimos tempos.

 

A situação tem sido gradualmente denunciada, tanto pelos elementos do projecto agora tornado associação, bem como por outros activistas urbanos. A perspectiva de um grande retorno económico faz com que os senhorios dos prédios vejam os velhos ocupantes como empecilhos à sua desocupação e consequente entrada em funcionamento como unidade hoteleira. “O pior, muitas vezes, até são os familiares dos idosos, que, quando lhes acenam com dinheiro, não se importam de os transferir para lares de idosos”, diz ao Corvo uma pessoa conhecedora das realidades sociais daquele território, mas que prefere manter o anonimato.

 

É neste cenário que trabalham várias entidades públicas e privadas, com o intuito de minimizar o isolamento de um estrato da população particularmente vulnerável. É o caso da Associação Mais Proximidade, Melhor Vida, que agora se autonomiza do centro paroquial onde nasceu, e que está a alargar as suas actividades de acompanhamento dos idosos em toda da nova freguesia de Santa Maria Maior. A associação, que tem cinco funcionários e 40 voluntários, é financiada por mecenas como as fundações Montepio, Portugal Telecom e Gulbenkian e pelo grupo Jerónimo Martins.

  • Jose Afonso
    Responder

    vergonha

  • Jun Itabashi
    Responder

    Que sacanagem. Desde o último ano está a acontecer a mesma treta aqui em Tóquio por casa dos chamados Jogos Olímpicos de 2020. Especuladores, na maioria Yakuza em conjunto com empresas de construção todos “abençoados” pelo Ministério da Construção e Trabalhos Públicos e, está claro, os políticos na assembleia estão todos a esfregar a patas em antecipação da grana que vão gamar. Entretanto também estão a planear construir casinos não só em Tóquio mas pelo arquipélago Nipponico de Norte a Sul. E quem se vai lixar é o Povo Japonês como sempre. 🙁

  • Luís Brântuas
    Responder

    :

  • Isabel Freire
    Responder

    Idosos pressionados a abandonar andares na Baixa para dar lugar a hotéis http://t.co/PXJPkaCpar

  • Isabel Freire
    Responder

    Idosos pressionados a abandonar andares na Baixa para dar lugar a hotéis http://t.co/mcK8giuYnx

  • Isabel Freire
    Responder

    O custo do chamado “desenvolvimento” nacional à custa da vida de quem aqui vive. Triste. Precisam-se olhares… http://t.co/MyazRflN7X

  • Claudia Tavares E Castro
    Responder

    triste

  • Mario Fernandes
    Responder

    Devem achar que é melhor ter um centro da cidade habitado por idosos a pagarem 10 euros de renda em prédios podres.

  • Jose Afonso
    Responder

    os prédios estão podres porque os senhorios não fazem obras porque gastaram as economias na casa ilegal no Algarve ou no Mercedes importado…a política de arredamento era desajustada mas estamos a falar de pessoas que já moram nesses prédios desde sempre, têm uma idade avançada e não têm para onde ir.

  • Vera Marreiros
    Responder

    Os novos de hoje serão os velhos de amanhã e…. a vida dá muitas voltas!

  • Mario Fernandes
    Responder

    Jose Afonso, os prédios estão podres porque os inquilinos ocupam os apartamentos “desde sempre”, como diz, praticamente gratuitamente. E se houve algum senhorio que comprou casa no Algarve ou um Mercedes, não terá sido com o dinheiro que recebeu das rendas. Nem o dinheiro gasto num Mercedes, ou num apartamento no Algarve, daria para as reabilitações de um prédio Pombalino. Apenas as rendas mensais permitem fazer a manutenção constante. Estes idosos não têm direito aos seus apartamentos só porque têm uma idade avançada. São inquilinos, não proprietários. Existem bairros sociais se não tiverem para onde ir, e a renda será praticamente a mesma. Se a solução para os prédios é hotéis, poderá ser discutida, agora ocuparem edifícios no centro da cidade quase gratuitamente só porque são idosos é um insulto a quem luta todos os meses para conseguir pagar uma renda num apartamento minimamente decente num subúrbio qualquer, com os ordenados miseráveis deste país.

    • Graciete Oliveira
      Responder

      As pessoas têm vivido toda a vida no centro da cidade , não têm nada que ser despachadas para um subúrbio qualquer . Se os senhorios querem ganhar grandes “massas” para vender a quem construa hotéis, então têm de abrir a bolsa e tirar algum para indemnizar com justiça quem lá vive de modo que possa ter um apartamento digno, sem ser habitação social nos subúrbios. Dentro da cidade não há só luxo, também há habitação decente e, claro , habitação miserável. É das segundas que se fala. Há uma diferença entre pessoas, mesmo idosas e objectos, não sei se sabe.

    • Graciete Oliveira
      Responder

      As pessoas têm vivido toda a vida no centro da cidade , não têm nada que ser despachadas para um subúrbio qualquer . Se os senhorios querem ganhar grandes “massas” para vender a quem construa hotéis, então têm de abrir a bolsa e tirar algum para indemnizar com justiça quem lá vive de modo que possa ter um apartamento digno, sem ser habitação social nos subúrbios. Dentro da cidade não há só luxo, também há habitação decente e, claro , habitação miserável. É das segundas que se fala. Há uma diferença entre pessoas, mesmo idosas e objectos, não sei se sabe.

  • Patricia Telles
    Responder

    Calma, calma, todos têm um pouco de razão.

  • Jose Afonso
    Responder

    Acho que você está a olhar para a arvore e nao vê a floresta…sou o primeiro a concordar com a política de rendas desajustada mas as pessoas nao têm culpa e nao se pode pura e simplesmente metê-las na rua, ou segundo a sua solucao, irem para bairros “sociais”. O problema nao sao os velhotes…é a especulaçao geral.

  • Mario Fernandes
    Responder

    Antes destes ocupantes serem “velhotes”, foram gente que viveu às custas dos senhorios. E quem diz estes velhotes diz os proprietários das lojas arcaicas da Baixa. Não estão a ser forçados a ficarem sem abrigo, pois existem sempre negociações, existem os bairros sociais, e outras soluções que poderão ser arranjadas através da família e de amigos. Não se pode é reagir através das emoções, só por serem idosos. O que levou a este problema foi de facto estes ocupantes que são agora velhotes. O problema não são os senhorios de certeza. Esses vão finalmente poder ser donos do seu património e dar um ar mais digno ao centro da cidade com os prédios reabilitados e vividos, não apenas ocupados.

    • Jose leão
      Responder

      Já se vê que o Sr. Fernandes tem um prédio na baixa e se quer ver livre dele para o vender a uma qualquer cadeia internacional de hotelaria. Mais um, entre as centenas de hotéis autorizados sem criterio nem Estudo de capacidade de carga. Será que nao comreendem que o que atraiu o Turismo foi o nosso modo de vida, os nossos restaurantes, o tipicismo e a autenticidade? Agora sem população, restaurantes e outro comercio da Baixa ( e nao só) agora são paquistaneses, indianos, chineses, alemães, franceses, etc, etc. Quer dizer que is turistas de hoje e amanhã vão visitar Lisboa para se verem uns aos outros e não os portugueses e o seu modo de vida. Quem vende os prédios, pega no dinheiro e foge daqui para o Brasil ou outro destino. Os que não podem sair daqui, passamos a morar nos guetos dos subúrbios e tornamos-nos turistas dentro da nossa própria cidade. Vamos à Baixa em dia de festa para comer comida chinesa, paquistanesa e alemã, e ver como vivem esses povos. É boa ideia, pois não precisamos de pagar voo até ao Oriente.

  • Cláudia Diogo
    Responder

    Pelo menos já sabemos o que faria o Mario Fernandes se tivesse os pais nesta situação. Mudava-os para um lar e nem sequer queria o dinheiro destes senhorios pois era uma questão de justiça.

  • Left H. Rotation
    Responder

    TERRAMOTOURISM: Instruções de emergência em caso de tranformação urbana produzida por sismo turístico,

  • Cláudia Diogo
    Responder

    E estas pessoas não viveram à custa dos senhorios. Pagavam uma renda, que nem sempre foi baixa. E sabe o que também é baixa? A pensão deles.

    • Lx
      Responder

      Você vive em que zona de Lisboa e paga quanto de renda por mês? Só para comparar.

  • Cláudia Diogo
    Responder

    E a seguir vamos olhar sem emoções para as pessoas doentes e concluir que se não tem dinheiro para pagar os seus tratamentos, é melhor deixá-los morrer?

  • Mario Fernandes
    Responder

    Cláudia Diogo, os meus pais nem chegariam a estar nesta situação. Não permitiria que vivessem em prédios degradados e ainda por cima sem elevador.

  • Mario Fernandes
    Responder

    Cláudia Diogo, nenhum dos seus argumentos faz sentido. As pensões desta gente são baixas, como as da maioria dos idosos deste pobre país. Mas as propriedades privadas não são casas de caridade nem do estado social. Se têm pensões baixas, façam como os outros idosos que não vivem no centro da capital — procurem soluções através do estado social, da família ou dos amigos. E isso dos medicamentos é igualmente ridículo, pois sabe que não é uma situação comparável, pois está a confundir o estado social, direitos adquiridos ao longo de uma vida através de descontos e de políticas conquistadas, com o privado. Não vale a pena diabolizar os senhorios quando o problema está todo nas vidas destes ocupantes.

  • Jose Afonso
    Responder

    Por vezes parece, mas isto ainda não é a republica das bananas…”O Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU), aprovado pela Lei n.º 6/2006, de 27.2 veio estabelecer um regime transitório relativamente aos contratos para habitação celebrados antes da vigência do RAU e não habitacionais celebrados antes da vigência do Decreto-Lei nº 257/95, de 30.9, no que respeita, designadamente, à actualização das rendas, de forma faseada e de acordo com o estado de conservação do locado (cfr. arts. 27 a 49).
    Assim, a renda actualizada não pode exceder o valor de 4% do valor do locado (art. 31 do NRAU) e este último será determinado em função de avaliação realizada nos termos do CIMI e de um coeficiente de conservação (art. 32).”…um senhorio de um prédio na rua da Madelena se não tem dinheiro para investir na sua propriedade não pode estar à espera que sejam os inquilinos a fazê-lo, correndo o risco de levar uma nega de um tribunal precisamente devido ao estado de conservação. Não se pode esperar que um inquilino com uma pensão de 200 ou 300 euros contribua para a manutenção da propriedade privada do senhorio, que sempre se esteve nas tintas para a mesma e só acordou para a vida quando viu o recente interesse na especulação para Hostels e afins.

  • Jose Afonso
    Responder

    os velhos neste país parece que são um incomodo para toda a gente…

  • Mario Fernandes
    Responder

    Não são os velhos que incomodam. O que incomoda é o discurso miserabilista, muito português, do coitadinho. Estes ocupantes têm pensões baixas, e então? Quase todos os idosos portugueses têm. Isso dá-lhes direito a uma propriedade privada no centro da cidade? Ou será porque vivem lá há muito tempo? Isso seria ótimo. Significaria que só mais uma década ou duas, o apartamento para o qual pago renda passará a ser meu. Mas mesmo assim não terei a sorte de pagar uma dúzia de euros por ele como estes ocupantes da Baixa. E é provável que no futuro nem hajam reformas. Não culpe os senhorios, culpe o Portugal cinzento do século XX. E os senhorios só poderam “acordar” para as suas propriedades quando isso foi possível. Quando houve algum interesse por elas. Infelizmente parece ser apenas para hotéis, mas pelo menos é melhor do que casas de caridade degradadas.

  • Bruno Henriques da Silva
    Responder

    eheheheh Expulsem já os velhotes do centro da cidade porque estão em propriedade privada, pela qual pagam renda. Metam-nos da dormir debaixo de pontes e viadutos. Ou então façam-nos desaparecer, porque assim desaparece o discurso miserabilista. Enfim que tristeza

    • Lx
      Responder

      Você paga quanto de renda por mês? Os idosos bem podem ir viver para os subúrbios em casas melhores, com elevador, garagem e com preços mais acessíveis. Não vejo o problema dessa expulsão. Na Bobadela, Santa iria , etc há muita casa acessível, e com comboio à porta. Teimam em viver no centro de uma capital, pagando 10 Euros de renda e queixam-se das casas serem velhas e não terem condições.

  • Rui Cardoso
    Responder

    Idosos pressionados a abandonar andares na Baixa para dar lugar a hotéis
    INDECENTE http://t.co/3PGVAjFF1L

  • Mario Fernandes
    Responder

    Bruno Henriques da Silva, tristeza é o valor da “renda” que têm pago ao longo de décadas. Tristeza é ter “inquilinos” a viver às custas de senhorios. Tristeza é a demagogia que diz que estes ocupantes estão a ser mandados para debaixo da ponte ou de viadutos, ou desaparecer. Tristeza é esta sociedade tuga em que todos dizem ter direitos mas nunca deveres. Triste é uma sociedade de coitadinhos. O estado social não é perfeito mas existe. Agarrem-se a ele em vez de aos senhorios.

  • xatoo
    Responder

    Idosos pressionados a abandonar andares na Baixa para dar lugar a hotéis http://t.co/LVPOrI6saB

  • Luiz Carvalho
    Responder

    Idosos pressionados a abandonar andares na Baixa para dar lugar a hotéis http://t.co/XUzefGd8ju

  • Jose Afonso
    Responder

    Mário…não estava de todo a tentar vitimizar os inquilinos, nem tão pouco gosto de demagogias. Só estava a tentar passar a mensagem que no meio disto tudo não têm culpa nenhuma. O sistema estava feito para proteger o inquilino em excesso e isso de facto acabou por matar o mercado de arrendamento, que só arrebitou agora devido à falta de financiamento da banca. Tivemos décadas de rendas congeladas e a situação tinha que ser de facto corrigida.Não ponho isso em causa. Aquilo que discordo da sua linha de pensamento é a solução por si encontrada para os mais idosos que, e ainda bem, ainda se encontram protegidos no novo RAU. Querem vender património e construir um Hostel tudo bem, mas indemnizem as pessoas justamente por exemplo. A ser verdade, chantagens deste tipo como da noticia deveriam ser punidas.

  • Fernando D. Limão
    Responder

    Bem já houve quem mandasse incendiar o prédio para correr com os velhos.

  • Ana L. Brito
    Responder

    Acho graça achar-se q alguns velhotes meio analfabetos (que não serão todos, atenção, mas serão alguns, certamente) que mal têm para comer e para os medicamentos, podem andar em bolandas a discutir proactivamente os seus direitos de habitação e a informar-se sobre bairros sociais e afins quando se calhar consomem a sua energia a tentar n morrer a um canto. Dizer q todos os idosos andaram a
    viver a conta dos senhorios e quase tão bom como dizer q andámos todos a viver acima das nossas possibilidades. As generalizações são sempre perigosas. E, porque não dizê-lo, tristes…

  • Mário Caeiro
    Responder

    Ó Costa!!!!!!

  • Web Social
    Responder

    Idosos pressionados a abandonar andares na Baixa para dar lugar a hotéis http://t.co/oWLJHSDrkc

  • Miguel Fernandes
    Responder

    1 – Este problema afeta pessoas, pessoas que erram e erraram. Pessoas humanas.
    2 – O bem superior da comunidade deve estar acima do bem de um grupo de pessoas, quer idosos, quer jovens, quer inquilinos, quer arrendatários, quer especuladores, quer construtores.
    3 – O garante desse bem comum é o Estado.
    Porque não garantir uma solução que seja ganho-ganho e bem comum para todos?

    SIMPLES, PORQUE DÁ TRABALHO

    A CML/GOVERNO, poderiam e deveriam ter aproveitado a oportunidade da revisão da Lei do arrendamento urbano para precaver este tipo de situações. Porque não prever na lei situações onde a CML funciona como entidade gestora dos interesses, cobra aos promotores imobiliários para realojar as pessoas em condições humanas. As pessoas ganham, porque tem uma casa em melhores condições, os senhorios ganham porque podem vender os seus imoveis a um fundo gerido pela camara, a camara poderia vender em parcelas maiores os imóveis, os promotores ganhavam porque compravam imóveis maiores, a camara ganhava porque poderia gerir o processo de modo a que o património ficasse precavido. Todos ganhávamos porque em vez de ter prédios em ruinas, teríamos monumentos com vida e com geração de emprego e mais-valia.
    Mas DÁ TRABALHO…

  • Miguel Fernandes
    Responder

    1 – Este problema afeta pessoas, pessoas que erram e erraram. Pessoas humanas.
    2 – O bem superior da comunidade deve estar acima do bem de um grupo de pessoas, quer idosos, quer jovens, quer inquilinos, quer arrendatários, quer especuladores, quer construtores.
    3 – O garante desse bem comum é o Estado.
    Porque não garantir uma solução que seja ganho-ganho e bem comum para todos?
    SIMPLES, PORQUE DÁ TRABALHO
    A CML, poderia e deveria ter aproveitado a oportunidade da revisão da Lei do arrendamento urbano para precaver este tipo de situações. Porque não prever na lei situações onde a CML funciona como entidade gestora dos interesses, cobra aos promotores imobiliários para realojar as pessoas em condições humanas. As pessoas ganham, porque tem uma casa em melhores condições, os senhorios ganham porque podem vender os seus imoveis a um fundo gerido pela camara, a camara poderia vender em parcelas maiores os imóveis, os promotores ganhavam porque compravam imóveis maiores, a camara ganhava porque poderia gerir o processo de modo a que o património ficasse precavido. Todos ganhávamos porque em vez de ter prédios em ruinas, teríamos monumentos com vida e com geração de emprego e mais-valia.
    Mas DÁ TRABALHO…

  • Maria Inácia Camacho
    Responder

    Isto é inqualificável numa Lisboa cheia de rosas a darem à Costa.

  • josemssantos
    Responder

    #Estrumeira Idosos pressionados a abandonar andares na Baixa para dar lugar a hotéis http://t.co/N4f4tm2pAq

  • Ricardo Self
    Responder

    Ha varias razoes para a situacao actual, seja por rendas baixas, falta de obras, etc.
    O facto é que ha muitos predios no centro de lisboa, zona da baixa incluida, que estao aparentemente desabitados, ou habitados em apenas um ou dois apartamentos no predio todo, e com claros sinais de degradacao.
    Basta um breve passeio da Rua Augusta, ou paralelas, e olharem para os predios com atencao… e vao ficar surpreendidos com a quantidade de predios degradados.

    A solucao é fazer “só” hoteis e pousadas/hosteis ? ou outro tipo de alojamento?
    É incentivar a utilizacao dos predios para habitacao permanente ?

    É discutivel. E também depende das necessidades da cidade e da zona, e de haver interessados para cada uma delas.

    Acho que o que nao é discutivel, é manter-se o estado actual de degradacao da maioria dos predios ali.
    E sendo paragmatico… a situacao nao ira mudar se os predios continuarem vazios ou apenas com 1-2 apartamentos por predio ocupados

  • Ricardo Self
    Responder

    Cláudia Diogo, como foi referido acima, as generalizacoes sao sempre perigosas.
    Sabemos que ha muitas pessoas com pensoes baixas, e razoes para tal tambem davam uma boa conversa…
    Mas tambem nao sao raros os exemplos de rendas baixas, e os inquilinos sem terem grandes dificuldades economicas.

    O sistema do arrendamento estava bastante desajustado, e havia e havera por mais alguns anos, muitas discrepancias entre casas arrendadas aparentemente semelhantes.

  • Ricardo Self
    Responder

    Falasse em rendas demasiado baixas ao longo de anos, em inquilinos sem capacidade financeira para pagar o valor justo.

    Falasse em predios a precisar de obras, de dinheiro a ser gasto (investido), que obviamente depois o senhorio ira tentar recupera-lo através das rendas.

    Ora se é preciso investir X e recuperar esse investimento.
    O valor justo ou pretendido de renda pelo proprietario é Y.
    E o inquilino actual nao pode (ou diz nao puder) muitas vezes pagar nem metade dessa renda.

    Entao qual é a “melhor” solucao ?
    – Despejar ou recolocar o inquilino? É justo faze-lo? depois metemo-lo onde?
    – Utilizar-se algum fundo social ou subsidio para compensar a diferenca?
    nao esquecer que isso implica um custo ao Estado, logo indirectamente aos contribuintes
    – o senhorio é que tem de aguentar com o custo, e continuar com rendas baixas? o senhorio tem um negocio ou é uma entidade de caridade social ?

    Essa solucao aplicasse a todos os casos, ou cada caso uma solucao diferente ?

    Penso que tendemos a esquecer que os direitos ou deveres tambem tem consequencias para cada uma das partes, e um custo associado.

Deixe um comentário.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com