O fim pode estar por horas. Sucessivamente adiada desde a semana passada, a intervenção dos serviços da Câmara Municipal de Lisboa para desocupar a Horta do Monte, espaço de cultivo comunitário situado na Calçada do Monte, na Graça, poderá acontecer na manhã desta terça-feira. O projecto de construção do grande espaço verde do Jardim da Graça, a inaugurar em Setembro, é a razão para a acção da autarquia. Os membros do colectivo em regime de auto-gestão comunitária daquela fracção de terreno foram avisados, no final da semana passada, pelos serviços do pelouro de Ambiente e Espaços Verdes da edilidade, tutelado pelo vereador José Sá Fernandes, da iminência da acção de despejo. O objectivo é realizar uma operação de limpeza e dar início aos trabalhos. Mas a medida está longe de ser consensual – e até já motivou uma petição pública, lançada em Abril.

Tanto que, mal o ultimato foi lançado, os responsáveis por este espaço – que muitos consideram não estar a ser devidamente aproveitado para o efeito a que estava destinado, apontando-se um certo desaranjo e desleixo paisagístico – lançaram convocatórias populares para impedir a acção camarária. “Precisamos salvar a Horta do Monte! (…) Não faz sentido derrubar árvores para fazer um parque”, lia-se num apelo feito a pensar na mobilização de pessoas para a manhã da última sexta-feira. A esperada intervenção acabou por não ocorrer nesse dia. E os apelos replicam-se. Fez-se um para a manhã de segunda-feira. E agora repete-se para a manhã desta terça-feira. “Vem tomar o pequeno-almoço na horta!”, convida-se no facebook da Horta do Monte. “7h da manhã: Alerta para o perigo da entrada das máquinas e destruição da horta: a tua presença pode ajudar a salvar a horta do monte!”, lê-se no blog do movimento, que convoca uma aula de yoga, a realizar naquele local, pelas 8h.

 

Texto: Samuel Alemão

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